Apresentação no dia 26 de junho. (Foto: Cláudia Burdzinski/Gazeta Informativa)

No dia 26 de junho entrei no teatro do Centro Cultural do Clube dos Empregados da Petrobras (CEPE), onde aconteceria a apresentação musical do fandango caiçara, faltava nove minutos para às 20h, horário marcado para o início. Estranhei que apenas quatro pessoas estavam localizadas nas fileiras do meio e pensei comigo, “ah, a chuva deve ter atrasado o pessoal”. Para pegar um ângulo melhor para as fotos sentei na última fileira esperando o horário de início.

Ouvi pelos corredores o papo de que a equipe estava esperando um ônibus com alunos de alguma instituição da cidade chegar para dar início a apresentação. Era 20h, 20h10, 20h15 e o ônibus não chegou. Não sei se por falta de planejamento ou de interesse. Nesses minutos que se passavam observei que do outro lado do lugar que eu estava sentada uma mulher segurava sua filhinha nos braços. Elas eram esposa e filha de algum membro do grupo. A criança, que não passava dos dois anos, chorava inquieta. Quem sabe no fundo ela sentisse a mesma angústia que eu estava sentindo.

Com o passar do tempo algumas outras mulheres começaram a chegar e totalizamos 10 pessoas na plateia. Nesse meio tempo de contagem escutei um som de batuque caiçara vindo de algum aparelho de celular. Olhei para o lado e vi que aquela mesma mãe acalmava sua filha que prestava toda atenção na música e dança que passava por aquela pequena tela. Era até engraçado que a chupeta balançava no mesmo ritmo da canção.

A apresentação começou com alguns minutos de atraso e fomos convidados a chegar mais perto do palco, para juntos escutarmos os contos e a história da cultura do fandango no litoral paranaense. Confesso que senti um pouco de vergonha de estar lá. Vergonha de estarmos em 10 pessoas em uma cidade que passa dos 45 mil habitantes. Mas não desanimamos em nenhum momento e fomos convidados até para dançar junto do grupo. “Vou chegar nas outras cidades e falar que em São Mateus do Sul nenhuma pessoa ficou na plateia e todas vieram dançar”, brincou um dos músicos, que mesmo com tom irônico me fez ficar ainda mais envergonhada.

A minha vergonha não era de estar lá. A minha vergonha era de que a cultura não é tão valorizada como deveria, não só aqui em São Mateus do Sul, mas no país todo. Em setembro do ano passado fiz algumas perguntas em minhas redes sociais do que as pessoas achavam falta aqui no município. Muitas comentaram a necessidade de atrações culturais. É até engraçado que quando realmente tem algo diferente e com uma bagagem cultural gigantesca apenas 10 pessoas comparecem. Infelizmente vivemos em um mundo focado em críticas nas redes sociais, e não naquelas pessoas que realmente vão e fazem. Quando eu crescer, quero ser igual àquela mãe da plateia.

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