Máquina do Tempo

100 anos com Paulo Fortes

Imagem do Paulo Fortes. (Arquivo Casa da Memória Padre Bauer)

Drº Paulo Fortes foi o nome da primeira escola que estudei. Daqueles dias marcantes, nunca esquecerei o primeiro dia de aula na pré-escola. Meu entusiasmo em conhecer a minha primeira professora, a qual lembro o nome até hoje, Otília, está marcado na minha memória, assim como a choradeira de alguns coleguinhas naquele dia. Nome de escola, nome de rua, e nome de hospital, esse ano é centenário da vinda do Drº Paulo Fortes a São Mateus do Sul, e escrevo essa coluna para viajarmos um pouco no tempo e conhecermos um pouco mais essa história.

Paulo Fortes nasceu no município de Maria Madalena (RJ), em 1892. Inteligente e estudioso, se formou em medicina pela Faculdade do Rio de Janeiro por volta dos 23 anos; trabalhou como chefe de Enfermaria da Santa Casa do Rio e na enfermaria da Marinha brasileira. Vindo embora para o Paraná, instalou-se na cidade da Lapa e ficou muito conhecido por lá pelo excelente desempenho como médico. Mas como ele veio parar aqui em São Mateus do Sul? Em 1918, nossa cidade crescia e precisava de um médico. Foi então que Moyses dos Santos Lima e seu cunhado Luiz Damaso dos Santos Lima foram até a Lapa buscar o famoso doutor. Chegando aqui, Paulo Fortes com recursos próprios fundou o Hospital São Matheus. Conta-se que, na falta de um anestesista na cidade, Luiz Damaso exercia essa função auxiliando o médico Paulo Fortes. Os métodos? Luiz era um homem forte (risos).

Contudo, graças a esses dois homens (inclusive foi Moyses dos Santos Lima quem doou parte de seus terrenos para a construção da primeira escola na localidade do Lajeadinho) que o Drº Paulo Fortes chegou à cidade trazendo os avanços da medicina. Paulo Fortes também foi convidado pelo presidente do Estado, Caetano Munhoz da Rocha, a dirigir o sanatório da Lapa, mas recusou.

Casou-se em 1925 com Dinorah Valente Fortes, tendo quatro filhos de nome Zulma, Paulo, Virgílio e Ivo. Em 1931, tornou-se camarista, e atuou como primeiro suplente de juiz de direito e delegado de Higiene, sem nenhuma remuneração. Na carreira política, foi nomeado prefeito por Manoel Ribas de 1931 a 1943, e foi deputado estadual em 1948, falecendo em 5 de maio de 1951. Mas graças ao seu amor pela medicina o hospital e maternidade da cidade carrega seu nome. Nele, muitos são-mateuenses, inclusive eu, nos idos de 1992, vieram a este mundo.

Encerro minha viajem hoje, agradecendo à Profª Hilda Digner, ao meu amigo Gerson Cardoso e o bisneto de Moyses dos Santos Lima, Pedro Marcelo Lima e Silva, que muito colaboraram com esta coluna. Até a próxima pessoal!

Referências: FARAH, Audrey. São Mateus do Sul 100 anos, Editora Arte, 2012.

Jéssica Kotrik Reis Franco
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