Deise atua há 7 anos em São Mateus do Sul e destaca a versatilidade das mulheres ao ocupar funções dentro da corporação. (Fotos: Acervo Pessoal)

A diferenciação entre os gêneros masculino e feminino, através do trabalho, tem sido alterada ao longo dos anos. Isso é fruto do esforço coletivo de várias mulheres, que ao longo do desenvolvimento das sociedades, passaram a ocupar cargos e funções semelhantes e tão importantes quanto os homens. É o caso das cidadãs que atuam junto à Polícia Militar, desempenhando funções e serviços em prol da proteção da população e da manutenção do bem-estar comum.

O surgimento da Polícia Feminina

No início dos anos 1950, o estado de São Paulo era governado por Jânio Quadros. Antes de ocupar o cargo de Presidente da República em 1961, ele foi prefeito e também governador. Jânio encarregou o Diretor da Escola de Polícia paulista a realizar um estudo, avaliando a viabilidade de criação de uma Polícia Feminina. Através do decreto nº 24.548 de 12 de maio de 1955, foi instalado o Corpo de Policiamento Feminino da Guarda Civil de São Paulo, o primeiro corpo policial feminino da América do Sul.

A criação da data

Inspirado pela data de criação do primeiro destacamento policial feminino no Brasil, o Cabo Wilson Morais, presidente da ACS (Associação dos Cabos e Soldados) foi o autor do Projeto de Lei nº 282/2001, que deu origem à normativa que instituiu o 12 de maio como dia do Policial Militar Feminino.

A Lei nº 11.249 foi promulgada em 2002, pelo então governador Geraldo Alckmin, propondo a celebração anual da data que representa os esforços realizados por várias mulheres policiais militares. Diferentes estados brasileiros adotaram o costume e anualmente a rotina das mulheres na polícia é relembrada.

A atuação das mulheres na PM do Paraná

As mulheres integram a Polícia Militar do Paraná há 41 anos, ocupando funções cada vez mais destacadas. Os concursos da instituição destinam 50% das vagas às cidadãs que desejam colaborar e executar atividades das mais variadas naturezas, pois as mulheres passaram a ocupar cargos cada vez mais importantes dentro da corporação.

Por meio do Decreto Estadual nº 3.238 de 1977, foi criado o pelotão de Polícia Militar Feminina, com a inclusão de 42 recrutas. Elas foram selecionadas para o primeiro Curso de Formação de Sargentos da Polícia Militar Feminina e desde então, o Paraná passou a ser o segundo estado a permitir sua atuação junto aos corpos policiais. A partir de 1983, o policiamento feminino passou a se expandir em direção ao interior do estado, ampliando a atuação das mulheres na instituição.

A PM Feminina em São Mateus do Sul

O 27º Batalhão de Polícia Militar de São Mateus do Sul – 3ª Companhia também conta com a atuação de algumas mulheres em seu corpo de profissionais. De acordo com a Soldado Deise Coelho Gmieski, que atua em nossa cidade há 7 anos, o trabalho representa uma realização profissional. “Atuar na Polícia Militar é um sonho que eu carrego comigo desde sempre. Meus familiares sempre me apoiaram e nossa profissão exige muito, principalmente no que se refere ao controle emocional. O apoio do meu esposo também é muito importante para que eu continue executando minhas funções”, declarou ela.

Sobre os desafios da profissão e o treinamento para se credenciar a executá-los, Deise ressaltou o cuidado na absorção das situações do cotidiano. “Nossa rotina de trabalho envolve situações não necessariamente agradáveis, na maioria dos casos. É preciso ter certa frieza para trabalhar e não absorver tudo o que vivemos. O treinamento pelo qual passamos é bastante rígido, com poucas diferenças daquele prestado aos homens da corporação. Isso tudo dá muitos resultados, inclusive a premiação de algumas mulheres do nosso batalhão, em decorrência dos serviços prestados”, destacou Deise.

A policial militar também ressaltou que as mulheres cumprem cada vez mais funções dentro dos corpos da Polícia. “Nós buscamos trabalhar tanto quanto os homens, pois a sociedade ainda impõe certos preconceitos à atuação feminina na Polícia Militar. Durante as abordagens é preciso manter o comando. Temos mulheres atuando nas mais diversas áreas, inclusive naquelas operações de choque e força, o que mostra cada vez mais como somos importantes dentro da corporação. Aqui no batalhão existe muito respeito entre os homens e mulheres, o que de certa forma torna o nosso trabalho mais saudável”, finalizou ela.

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