Histórias de Terra e Céu

125 anos atrás: a Primeira Missa em São Mateus do Sul

Para o povo polonês, totalmente identificado com a fé católica, a parte mais difícil da colonização em São Mateus não foi enfrentar a selva, a falta de residência ou as enchentes… A maior dificuldade era viver sem um padre e sem a celebração da missa… Por isso mesmo, a ocorrência da primeira missa foi um fato memorável, que nessa semana completou 125 anos. Embarque comigo nesta história!

No final de 1890 e início de 1891 uma grande leva de imigrantes mudou o aspecto bucólico do Porto de Santa Maria. Diferente dos antigos moradores (alguns caboclos, alemães, espanhóis e tchecos), essa grande massa vinha da Polônia, um país que fora partilhado há um século por três impérios vizinhos. Os poloneses foram distribuídos nas colônias Iguaçu, Taquaral, Canoas e Cachoeira. Só meio ano depois seria fundada a quinta colônia: Água Branca.

Em maio de 1891 o governo mandou um grupo de funcionários vistoriar a situação da imigração em São Mateus. Ao ouvir os colonos, os funcionários se surpreenderam ao ver que a grande solicitação deles não era comida, casas, ferramentas ou remédios… O que eles queriam era uma capela e um padre polonês. Isso foi registrado no jornal Diário do Comércio, de Curitiba, em 12 de maio de 1891.

Mas mesmo com o pedido dos colonos, o governo não mandou o padre nem construiu a capela. Os próprios imigrantes tiveram que se organizar para trazer o padre Jan Peters que, em 16 de agosto de 1891, sob uma barraca improvisada e usando uma caixa como púlpito, realizava a primeira missa no local. O polonês Francisco Grabowski registrou assim em seu diário a emoção desta primeira celebração em solo são-mateuense: “Num sábado de agosto espalhou-se a notícia de que havia chegado um padre, e que haveria missa no domingo. De todas as colônias apressavam-se os habitantes para São Matheus. Uma vez chegados ao local, e vendo uma barraca de lona levantada, e o sacerdote celebrando a missa, começaram a chorar de emoção e de saudades. O Padre Peters subiu numa caixa que servia de púlpito e proferiu um longo sermão. Nos dias posteriores o padre confessava e realiza casamentos.”

O primeiro batizado foi de um menino, chamado João, filho de Alberto Rudkowski e Catharina Lewandowska. Nestes primeiros registros encontramos sobrenomes como Nadolny, Kuligowski, Huk, Kaminski, Wieczorkowski, Pietrzak, Falkowski e outros tantos que ainda hoje são conhecidos em nossa cidade.

O padre foi embora após alguns dias na colônia, e São Mateus ainda esperaria mais dois anos para ter um sacerdote fixo. Mas o impulso da fé faria os colonos erguerem, no alto da colina, uma capelinha branca (foto que ilustra esta coluna), a primeira morada da fé de nossa cidade.

Até a próxima semana e céus limpos para todos nós!

Gerson Cesar Souza
Últimos posts por Gerson Cesar Souza (exibir todos)

Comentários

Compartilhe:


MATÉRIAS RELACIONADAS
Ludovico Bieniek, o imigrante pintor
Mês Polonês parte 4: Amor escrito nas estrelas
Nadolny contra os Ervateiros