Mobilização realizada pelos alunos. (Divulgação)

Aconteceu na noite desta sexta-feira (22), no Colégio Estadual São Mateus (CESM), uma mobilização pacífica contra o remanejamento de vagas do período noturno do Ensino Médio em escolas estaduais para o período diurno. A mudança começa a partir do ano letivo de 2020 pelas turmas do 1º ano e foi divulgada pela Secretaria de Estado da Educação e Esportes (Seed) do Paraná.

Segundo a organização da ação no CESM, cerca de 150 alunos vestiram preto como forma de “luto” pela educação. “Ficamos bastante revoltados e sentimos que precisávamos nos manifestar de alguma forma, então tivemos a ideia de fazer uma manifestação pacífica e tranquila, para conscientizar os alunos sobre o que estava acontecendo, sabendo que a proposta nos atingia diretamente”, explicam.

De acordo com Tainara Tkaczyk, a iniciativa nasceu no 4º ano noturno de formação de docentes e se espalhou entre os alunos. “Não tivemos apoio prévio de nenhum professor, até porque eles não tinham conhecimento do que estávamos organizando, mas a maioria deles apoiaram a ideia quando viram-na sendo posta em prática.”

A turma ficou surpresa pelo número de alunos que abraçaram a causa. O grupo fez uma foto e incentiva que a mesma seja postado com a legenda “Como progredir o mundo se regredimos a Educação”.

Sobre a mudança divulgada pelo Seed

De acordo com o G1, o principal argumento para o remanejamento das vagas é a evasão escolar. Segundo o estado, em 2018, a taxa de evasão foi de 3,6% para alunos do período diurno, e 17,6% nas turmas da noite.

O Sindicato dos Trabalhadores da Educação do Paraná (APP-Sindicato) informou que a medida pode dificultar o acesso à educação. Para eles, a medida além de arbitrária, força alunos (as) que trabalham a escolher entre trabalhar ou estudar, o que pode agravar ainda mais a situação da educação do Paraná.

“A Seed justificou que a medida não deve afetar estudantes que trabalham, já que é proibido trabalhar antes dos 18 anos. O que a Seed não entende é que muitos jovens trabalham na informalidade e optam por estudar a noite para conseguir manter as duas funções. Esta proposta vai aumentar ainda mais a evasão escolar”, detalha a secretária de Finanças, Professora Walkiria Olegário Mazeto.

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