Jornal de São Mateus do Sul (PR) e região

1ª Corrida de Rolimã será realizada em São Mateus do Sul

Evento proporcionará a lembrança da brincadeira que antes era fortemente realizada e a união de famílias para a competição. (Fotos: Alexandre Müller/Gazeta Informativa)

A Secretaria Municipal de Esportes e Turismo (SMETUR), de São Mateus do Sul promoverá no próximo domingo (15), a 1ª Corrida de Rolimã da região, a partir das 9h, na rua João Gabriel Martins, esquina com a rua Maria Paulina Wolter, alto da Vila Prohmann.

Correr de carrinho de rolimã na década de 70 era o máximo para muitos quarentões de hoje. Quem nunca disputou “pegas” pelas calçadas e ruas da vizinha, para desespero das mães? Para ter a “máquina” bastava ter um chassi de madeira, quatro rolamentos, um freio e só. Competir lado a lado com o adversário e sentir a velocidade nas descidas era o máximo. E cada um incrementava o seu da melhor maneira possível. Com o passar dos anos essa prática foi deixada de lado. Neste domingo pais e filhos, além de muitos jovens poderão sentir esta mesma emoção ladeira a baixo.

Poderão participar todos que efetuarem às inscrições gratuitas até momentos antes da prova que será dividida em baterias de acordo com as categorias: Adulto livre misto – nascidos em 2001 e anteriores; Sub-15 misto – nascidos em 2002 e posteriores; Sub-12 misto – nascidos em 2005 e posteriores; Categoria Pai (mãe) e Filho (a).

É importante salientar que a modalidade carrinho de rolimã escolhida para este evento é a Rolimã Tradicional (RT), a qual delimita o carrinho a medir no máximo 1,5 x 1,0 metros, ser de madeira e pesar no máximo 25 kg.

A ideia de promover o evento foi semeada pelo atual secretário municipal de saúde, Marcos Diedrichs que incentivou a SMETUR a organizar desde o início do ano. Comenta o professor de educação física e um dos organizadores, Carlos Eduardo de Oliveira, que ainda relata que tiveram grande inspiração no evento já realizado a anos na cidade de Ponta Grossa, o qual, reúne centenas de participantes.

“Esta competição é uma festa, além da prefeitura municipal estar proporcionando lazer e esporte para os munícipes, que é uma obrigação da prefeitura, estamos mexendo com o lado da família que hoje em dia por vários motivos como trabalho e a correria do dia a dia, acaba que pais e filhos não tem momentos juntos. Essa é também uma forma de proporcionarmos esse momento, seja na hora da corrida ou no momento da criação do carrinho e lembrar-se da infância e construir seu próprio carrinho com seu filho”, enaltece Carlos.

Todos os participantes receberão medalhas de participação e os campeões de cada categoria levarão para casa um troféu, além de medalha que também será a premiação dos segundos e terceiros lugares de cada categoria.

De acordo com o secretário municipal de esportes e turismo Vilmar Guimarães Ulbrich, “estamos e vamos promover várias modalidades de esportes, está modalidade do rolimã que surgiu com a ideia de nosso amigo Marcos, temos a certeza de que será um sucesso”.  A comissão organizadora esclarece que conta com a parceria da secretaria municipal de saúde que cederá uma ambulância com equipe especializada para acompanhar todo o evento.

Carrinho

Carrinho de rolimã ou carrinho de rolamentos é o nome dado a um carrinho, geralmente construído de madeira e rolamentos de aço, para a disputa de corridas ladeira abaixo. Ele geralmente é utilizado em descidas asfaltadas e lisas.

A construção de um carrinho geralmente é artesanal, feita com ferramentas simples, como martelo e serrote. O carrinho pode conter três ou quatro rolamentos (quase sempre usados, dispensados por mecânicas de automóveis), e é construído de um corpo de madeira com um eixo móvel na frente, utilizado para controlar o carrinho enquanto este desce pela rua. O freio deve ser um pouco maior que a distância do carrinho até o chão e precisa ficar em posição diagonal; para diminuir a velocidade deve puxar-se o pedaço de madeira ou uma barra de ferro para uma posição em que encoste no chão.

Não se sabe ao certo a origem. Ao que tudo indica os primeiros exemplares foram construídos em cidades como São Paulo, Rio de Janeiro e Belo Horizonte no final da década de 1960 e começo da década de 1970, primeiras cidades a terem ruas asfaltadas e topografia íngreme. Os rolamentos, também conhecidos como rolimãs (corruptela do francês roulement), eram obtidos em oficinas que faziam manutenção dos carros da época e a madeira, de sobra de caixas ou tábuas utilizadas em obras. Os melhores rolamentos vinham da transmissão.

Uma tradição de pai para filha

Jaime Tomaschitz, de 52 anos, relata que desde sua infância, “nos seus tempos de piá”, lá por volta de seus 12 anos, andar de rolimã era uma das suas principais brincadeiras, mesmo sem prego e rolamentos, os quais tinha que arranjar e improvisar no carrinho e depois, bater daqui e bater de lá, macetando os dedos. “Hoje temos tudo na mão, máquina de solda, rolamentos e demais materiais. Antes não existia asfalto, era descer as ladeiras de chão batido e contar com a sorte para não esfolar tanto os cotovelos e joelhos”, destaca.

Hoje, Jaime fica feliz e orgulhoso em poder construir um rolimã junto de sua única filha Débora Silva Tomaschitz, de 23 anos. “É muito mais divertido, apoio minha filha e aprovo a ideia de um evento que unirá as famílias e tirará, ao menos um pouco, as crianças de frente dos computadores e dos celulares, e ter um pouquinho de uma brincadeira de piá, algo saudável”.

Débora comenta que quando soube do evento já chamou a atenção de seu pai para fazer um carrinho e de seus primos para participarem junto, “vamos todos participar, uma família unida na construção do carrinho e na descida com muita emoção”.

Alexandre Müller

Alexandre Müller

Repórter | E-mail para contato: alexandre@gazetainformativa.com.br
Alexandre Müller
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