Richard, Donald, Paul, Barbara, Frederick, Alfred, Herbert, Virginia, Elaine, John, Charles.Você conhece essas pessoas?

Essas foram as crianças descritas por Leo Kanner, psiquiatra infantil, que publicou um artigo chamado “Disturbios Autísticos do Contato Afetivo”, em 1943. Ele foi o primeiro a caracterizar essas onze crianças a partir de seus comportamentos, não deixando de lado já nesse início a contextualização de suas famílias. Em suas descrições, essas crianças possuíam características de isolamento, padrões repetitivos de comportamento, movimentos esteriotipados, resistências a mudanças e dificuldades na comunicação.

 O Transtorno do Espectro Autista (TEA) é um tema que tem ganhado, aos poucos, espaço e atenção. E, por isso, inicio esse texto falando de Kanner, que pôde dar o primeiro passo ao falar desse mundo tão intrigante, e ao mesmo tempo, extremamente delicado.

  Hoje, de acordo com o Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais, DSM-5, não há mais “divisão” diagnóstica em relação aos “autismos”, ou seja, os casos chamados anteriormente de Transtorno de Asperger, Transtorno de Rett, Transtorno Desintegrativo da Infância e Transtorno Global do Desenvolvimento Sem Outra Especificação, são todos englobados em um mesmo espectro – o TEA. O diagnóstico é realizado a partir de dois domínios de sintomas centrais: 1) Déficits de comunicação social e interação social; 2) Comportamentos, interesses e atividades restritos e repetitivos.

Apesar de parecer simples, o diagnóstico do TEA é um assunto complexo. Esse processo é clínico – ou seja, não há exame, por exemplo, que possa “detectar” esse transtorno. Ele deve ser realizado por uma equipe de profissionais, que envolve, basicamente, o Psicólogo, o Fonoaudiólogo e o Neuropediatra, podendo ainda possuir contribuições importantes de profissionais como o Terapeuta Ocupacional e o Fisioterapeuta.

Ressalto que cada vez mais há a necessidade de avaliações diagnósticas precisas e de profissionais qualificados, pois hoje com a gama de informações existentes muitos casos são diagnosticados equivocadamente. Mas, quando esse diagnóstico é confirmado, deve-se pensar no próximo passo que é extremamente importante – O TRATAMENTO.

O tratamento para os sujeitos com TEA deve ser multidisciplinar, envolvendo Fonoaudiólogo para trabalhar com a linguagem; Psicólogo para trabalhar questões, por exemplo, comportamentais e cognitivas; Terapeuta Ocupacional para trabalhar questões, por exemplo, sensoriais; Fisioterapeuta para questões motoras, quando se fazem necessárias; Assistente Social para intervenção junto a família e é claro o acompanhamento do Neurologista ou Neuropediatra. Além disso, deve-se aliar um bom trabalho com a escola, pensando nos processos de aprendizagem e inclusão dessa criança ou adolescente nos meios sociais. 

 Atualmente, o Projeto Ampliar Saúde, da Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais (APAE) de São Mateus do Sul, aprovado junto ao
Programa Nacional de Apoio à Atenção da Saúde da Pessoa com Deficiência (PRONAS/PCD) – Ministério da Saúde tem realizado esse trabalho, pois conta com todos esses profissionais em sua equipe. Além do trabalho da equipe multidisciplinar, que envolve desde o processo diagnóstico de possíveis casos até o tratamento, também são feitas pontes com as escolas e professores responsáveis por esses alunos, além do trabalho com a família.

O trabalho com a família é, sem dúvida, essencial. Acolhendo e empoderando essas pessoas é que um trabalho no campo do Autismo se faz de forma significativa. Afinal, não podemos esquecer que essa criança que chega até nós (profissionais de diversas áreas) com inúmeras dificuldades, passa a maior parte de sua vida no contexto familiar. Então, poder melhorar a relação nesse espaço é primordial para o desenvolvimento.

Finalizo dizendo que dia 2 de abril é o dia de repensarmos como vemos e escutamos essas pessoas que, cada vez mais, estão ao nosso lado em diversos espaços da vida social. Quando pensamos em inclusão devemos pensar o quanto estamos dispostos a ter empatia por alguém que é diferente de nós. Então, é importante lembrar que:

– Talvez o filho da sua vizinha não seja, apenas, mal educado;

– Talvez seu aluno não compreenda as regras como as outras crianças, e precise de auxílio para isso;

– Talvez seja difícil para uma criança brincar com a outra da mesma maneira – que tal conversar com seu filho para ele tentar brincar diferente?

– Talvez essa mãe que parece estar sempre cansada e indisposta esteja assim porque está tendo que lidar com muito mais coisas do que apenas os serviços domésticos;

– Talvez essa criança diga algo incrível para você, mas foi você quem não esteve aberta para procurar compreende-la.

O TEA nos dá possibilidades de ver o mundo de forma incrível. Basta estarmos dispostos a abrir os olhos para ver. Afinal, “quando você se envolve, as peças se encaixam”.

Conteúdo desenvolvido pela equipe de saúde da APAE de São Mateus do Sul

Redação do jornal Gazeta Informativa

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