(Imagem Ilustrativa)

Eu estava em casa. Naquele ano de 2001, a TV ainda era uma parte presente em nossas vidas, o principal contato com as notícias do mundo, por isso, estava ligada. A vinheta do Plantão da Globo havia entrado no ar e trouxe a mais inconcebível das notícias. De minha parte, parei o que vinha fazendo e tentava entender as cenas que ninguém compreendia. O mundo assistiu, assim, atônito e boquiaberto, a uma das maiores tragédias encomendadas pelo terror e que marcaria a nossa história para sempre, naquele triste 11 de setembro.

Lentamente, as informações que eram desencontradas chegavam à realidade. Dois aviões comerciais sequestrados pelo grupo terrorista Al Qaeda foram lançados contra as Torres Gêmeas em Nova Iorque, enquanto outro avião era lançado contra o Pentágono. Um quarto avião caiu em campo aberto, mas o seu alvo seria a Casa Branca. A tragédia seguia por dias, contando mortos e feridos: cerca de três mil pessoas morreram e outras seis mil ficaram feridas.

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Vinte anos se passaram e o terrorismo continua sendo algo difícil de ser compreendido. Talvez, porque somos naturalmente propensos à proteção da vida e não pessoas dispostas a transformar o seu próprio corpo em armas mortais, porque queremos impor nossas visões ao restante do globo. A grande maioria das pessoas tem, em maior ou menor medida, a disposição de seguir as leis morais que nossa sociedade conquistou ao longo dos séculos. Como refletiu o Papa João Paulo II, no dia seguinte à tragédia, “o coração do homem é um abismo de que, às vezes, emergem desígnios de ferocidade inaudita, capazes de abalar de repente a vida serena e operosa de um povo”.

Sob esse aspecto, percebemos como os problemas da humanidade advém do próprio coração humano. Os eventos da história não são descolados um do outro, pois, o tempo não para e ele, irremediavelmente, desencadeia novos acontecimentos, sejam bons ou ruins, de acordo com os novos líderes mundiais. Assim, observamos preocupados os acontecimentos no Afeganistão, onde o grupo extremista Talibã tomou o poder, após a saída militar americana. Uma saída desastrada comandada pelo novo presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, após vinte anos de esforços de seu país para a manutenção da paz naquela região.

Em uma “Carta aos Escritores do Mundo”, a afegã Homeira Qadeli, escreve que seu povo está preso a uma guerra que lhes foi imposta. Ela diz que quando o Talibã chegou ao poder em 1995, o Afeganistão foi devastado pela guerra civil e que o espírito do seu povo foi destruído pelo Talibã, “ao impor leis draconianas e obsoletas”. A escritora segue, dizendo que “o mundo se tornou indiferente ao nosso destino, achando que ainda se tratava de uma guerra civil. Mas, a adesão do Talibã ao terrorismo representava um perigo para o mundo, como os acontecimentos do 11 de Setembro deixaram claros”. Ela reforça que a guerra atual contra o terror em seu país, não pertence apenas aos afegãos, mas ao mundo todo que está correndo perigo.

Essas duras palavras de Homeira nos lembram de que os sofrimentos do outro lado do mundo podem, sim, nos atingir algum dia, de alguma forma. Os poderes das nações se conectam através de seus acordos e os problemas do mundo foram, assim, globalizados. Talvez, você se questione: e o que poderemos, eu e você, como indivíduos, contribuir pela verdadeira paz no mundo? Na minha concepção, a resposta é livrar nosso país de ideologias autoritárias e falsas, que tem a pele de cordeiro, mas cujo espírito é feroz como o dos lobos. Não vejo outro caminho, senão a boa leitura e o conhecimento para escolher, através do voto seguro, os líderes do nosso Brasil. Além da eterna vigilância na defesa de nossos valores e do coração em prece para quem tem fé.

Que as efemérides da vida nos ajudem a construir dias sempre melhores! Um cordial abraço!

Ingrid Ulbrich
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