Reflexão com Padre Marcelo S. de Lara

2015: Um ano para a Paz

(Foto: Divulgação)

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Pensar em paz, falar em paz, fazer acontecer a paz em qualquer esfera que seja, parece utopia, e, certamente será enquanto o ser humano não se dispor a construí-la.

Os propósitos de um ano de paz feitos por inúmeras pessoas na virada do ano, os acordos e tratados de paz assinados entre países, continuarão nos desejos e nos papéis, cumprindo uma bela formalidade e respeitosa diplomacia, enquanto não se der passos concretos para que ela aconteça na prática. Desejos, acordos são muito importantes, revelam o primeiro passo, contudo, o desafio e o mais difícil certamente é trazê-los para os gestos no concreto.

Diz-se que, a paz exterior começa a acontecer dentro de cada ser humano. É preciso uma mudança de mentalidade, uma abertura do coração para que a paz se faça realidade. Não teremos uma vida de paz, um Brasil, um mundo de paz enquanto cada pessoa fazer de tudo para satisfazer os seus desejos e instintos, e a qualquer custo fazer com que, suas ideias sejam impostas como verdadeiras.

Entre alguns, até se pode ter uma mesma cultura, uma mesma formação e educação, mas, as pessoas são diferentes umas das outras, e por isso, assimilam, incorporam vivências, e têm entendimentos que nem sempre são iguais. Muito mais quando falamos de culturas diferentes.

Diante disso, a paz se constrói quando se sabe que nem sempre se pode fazer o que deseja, o que se quer. Saber controlar os impulsos interiores, não se deixado cair nos vícios faz a pessoa evitar que outros do seu convívio não saiam prejudicados. Uma vida interiormente equilibrada, estando-se em paz consigo mesmo, faz com que o outro com o qual nos relacionamos seja respeitado. Ou seja, gera-se um compromisso de convivência para com o meu outro, isso seja na família, nos relacionamentos, ou na vida social.

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Cada pessoa deve ser respeitada na sua individualidade, compreender isso faz o ser humano entender e acolher aquele que pensa diferente. A paz acontece pela busca de uma personalidade equilibrada que faz aceitar que, o outro pense e viva diferente de mim. O respeito, a tolerância, a convivência, o não ferimento da liberdade do outro na sua individualidade são princípios para se chegar à paz.

Viemos acompanhando nos últimos meses os absurdos e horrores causados por pensamentos extremistas como os do Estado Islâmico, que buscam impor um pensamento e uma cultura igual para todos; o crescente apoio de grupos Nigerinos como, o Boko Haram (cultura não ocidental) ao Estado Islâmico, fazendo famílias fugir de seus países para abrigos de refugiados em outras regiões para não negarem sua fé e suas tradições, são exemplos de como não se construir a paz. São casos extremos que acontece em grande escala, mas que, como visto, acontece por não se ter uma personalidade trabalhada no nível individual.

Da mesma forma, quando pensamos nos casos de conflitos, assaltos, tráfico em nosso país, ou mesmo nas relações de conflitos familiares, são reflexos da falta de paz dentro de cada um individualmente.

Muitos fatores envolvem uma guerra: a política, a religião, a fé, a disputa por alguma mercadoria, mas todas elas têm sua raiz na má educação da personalidade individual; no trabalho do controle, do freio dos desejos e vontades do ser humano de, em tudo querer se impor, ou impor algo de si.

A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) intitulou o ano de 2015 como o Ano da Paz, com a finalidade que se trabalhe desde o campo pessoal, até projetos em comum, para se fortalecer a ideia de uma cultura de paz em nosso país, buscando assim, harmonizar melhor os relacionamentos humanos. Lembremos que, a paz externa começa com a paz dentro de cada um, no equilíbrio de nossas personalidades. É a paz que Deus deseja a toda a humanidade.

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