Jornal de São Mateus do Sul (PR) e região

275 picadinhas de amor

Após 9 abortos e um longo período de tratamento, a pequena Cecília chegou ao mundo comprovando a capacidade do amor materno. (Fotos: Micheli Moura)

A maioria das mulheres tem o sonho de se tornar mãe em algum momento da vida. Cuidar, acompanhar o desenvolvimento do filho e ser recompensada com muito amor por todos esses gestos de carinho são as principais retribuições desse sentimento que muitas vezes é difícil de explicar em palavras.

Esse sonho sempre esteve na vida de Eliandra Aparecida Olszewski de Oliveira e de seu esposo Guiovane Ferreira de Oliveira Junior, que tinham como plano a construção da própria família.

Diagnosticada aos 13 anos com um problema de perca de proteína nos rins, nomeado de Síndrome Nefrótica, Eliandra desde muito cedo fez tratamentos conservadores para manter a função renal. “Aos 16 anos tive que passar por um transplante. Não precisei enfrentar nenhum tipo de fila, pois recebi o rim do meu pai. Considero esse momento como uma das minhas vitórias”, conta.

Estando recuperada, com o passar do tempo e também com aquela ajudinha do destino, Eliandra e Junior começam a namorar e resolvem morar juntos. “Lembro que o primeiro exame positivo de gravidez estávamos na praia. Fomos até a farmácia, fiz o teste e voltamos para comunicar nossa família”, diz.

Após dois dias, ela notou um sangramento e passou por um aborto espontâneo. Eliandra conta que procurou um médico, e ele comentou que há uma estatística normal sobre esse acontecimento na primeira gravidez.

Engravidando pela segunda vez, após o mesmo período de tempo, o aborto espontâneo aconteceu mais uma vez. “Novamente o médico me disse que era normal.” Chegando na quarta gravidez, e acontecendo esses mesmos problemas, Eliandra e Junior começam a se preocupar.

Mudando de médico e realizando vários tipos de exame, Eliandra foi indicada a realizar tratamentos psicológicos para resolver o empecilho. “Estava na minha quinta gravidez e sofri outro aborto. Era tudo muito rápido: eu descobria que estava grávida, passava dois/três dias, ocorria o sangramento e eu perdia o bebê.”

Possuindo medo logo após olhar o resultado do teste de gravidez, Eliandra não apresentava mais aquela expectativa comum quando se espera muito um filho. “Houve um momento que o Junior me disse para não fazer mais o teste de gravidez, e que se fosse para acontecer, daria certo”, lembra.

Trocando novamente de especialista, Eliandra chegou até o doutor Rodrigo Berger, que definitivamente, mudou a vida do casal. “Olhando meus exames e pela repetição dos abortos, fui diagnosticada com Trombofilia”, diz.

Em termos médicos, a Trombofilia é uma maior propensão à “ocorrência de eventos trombóticos venosos”. Traduzindo: é uma tendência ao chamado “sangue grosso”, que, na prática, contribui para o entupimento de veias. Não se trata de uma doença, mas de uma condição que pode ter diferentes causas. Ou seja, é um problema grave e pode ser responsável por alguns abortos “sem explicação”.

O tratamento apresentado foi a aplicação de anticoagulante através de injeções. Aplicando nos músculos da perna, braço ou barriga, o medicamento apresentava uma oportunidade para trazer à realidade o sonho de ser mãe.

Quando aplicada no organismo, a injeção manifestava um pouco de ardência, mas que de acordo com Eliandra, eram “picadinhas de amor”, e que valeriam a pena no final de tudo.

Em 2016, após segurar um pouco mais a gestação, a são-mateuense sofre outro aborto espontâneo. “Eu tinha certeza que um dia daria certo, mas alguma coisa ainda estava faltando”, afirma. Logo após o procedimento de curetagem, ela acabou descobrindo que a espera para a tentativa da próxima gestação seria de 6 meses.

“Pensava comigo: como que eu vou esperar tantos dias para tentar de novo? Eu precisava arrumar alguma coisa para passar meu tempo. Um dia cheguei para o Junior e disse que tinha encontrado a solução. Olhei para ele e disse: você quer casar comigo?”, comenta rindo.

E foi exatamente desse jeito que a cabeça e a criatividade tomaram conta dos 6 meses da vida do casal. Preparativos de um lado, ideias de outro e a ansiedade tomando conta de tudo. “Fiz os convites, arrumei os arranjos, e planejei cada detalhe. Tudo deu certo e passou muito rápido.”

Casando em fevereiro de 2017, no final do mês de julho, Eliandra encontrou 4 injeções anticoagulantes que sobraram das últimas tentativas. “Em um domingo à noite, vi que elas estavam prestes a vencer, e resolvi aplicá-las para não perder o medicamento. Na quinta-feira da mesma semana eu tinha consulta marcada em Curitiba para colher alguns exames e me veio na cabeça pedir também o exame BHCG, que é para a gravidez.”

Períodos antes, Eliandra também havia instigado a médica especialista em seu tratamento renal, e após pesquisa com outros entendedores no caso, a troca do medicamento foi feita.

“Por ter trocado de remédio, eu precisava fazer exames há cada 15 dias para ver como meus rins estavam”. Após a coleta, Eliandra ficou na expectativa para o resultado dos exames que ficariam prontos no mesmo dia.

Por não conseguir olhar o resultado dos exames pelo celular, Eliandra enviou mensagens para sua irmã para que ela pudesse conferir. O positivo para a gravidez iluminou o dia de todos que estavam em sua volta. “Mas me veio aquele medo que eu sentia sempre. Mandei mensagem para o médico e ele me mandou iniciar com as injeções imediatamente. Como eu havia iniciado no domingo, passei na farmácia e desde então apliquei uma injeção em cada dia da minha gestação”, afirma.

Foram 275 “picadinhas de amor” que ajudaram no desenvolvimento da pequena Cecília em todos os meses da gravidez. No dia 21 de março de 2018, às 00h30, veio ao mundo a menina que superou todas as expectativas daquela mulher que lutava tanto para tê-la em seus braços.

Aproximando ainda mais a família com a fé, Cecília comprova que o amor de uma mãe é capaz de passar por todas as dores. Afirmando ainda mais que uma mãe é capaz de tudo para o bem de seu filho, a história de Eliandra e Cecília é a prova viva da força da essência materna.

Que neste Dia das Mães você possa conviver de perto com o amor que a sua mãe transmite para você, mesmo estando perto fisicamente ou apenas no pensamento. Ame e agradeça tudo que ela já fez em sua vida.

Essa história é uma homenagem para todas as mães, que assim como a Eliandra, lutam com unhas e dentes para o bem-estar de seus filhos. Neste domingo (13), um feliz Dia das Mães.

Cláudia Burdzinski

Cláudia Burdzinski

Estudante de Jornalismo que adora escrever e conhecer um pouco sobre a vida e a história de cada pessoa envolvida. Preza pela essência que é repassada na produção de cada matéria, valoriza os pequenos gestos e apoia o ativismo ambiental. E-mail para contato: claudia@gazetainformativa.com.br
Cláudia Burdzinski
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