Especial

50 anos de história da família “Bedford”

Vily Warvenczack é um dos responsáveis pela história da marca da família Bedford. Na foto, ele e seu caminhão. (Fotos: Alexandre Müller/Gazeta Informativa)

Há 50 anos o jovem major-vieirense que chegou aos 20 anos de idade junto de sua família à São Mateus do Sul, mudou o rumo de sua história e o contexto da existência de sua família, quando adquiriu seu primeiro e único caminhão: um Bedford 1964.

Vamos conhecer um pouquinho da história de Vily Warvenczack, filho de Albino e Luiza Warvenczack, hoje com 74 anos de idade e nascido em Major Vieira, município de Santa Catarina. Ele chegou em São Mateus do Sul no ano de 1964, e aqui iniciou uma nova jornada junto àquela família que hoje é conhecida cidade à fora com seu codinome graças aos caminhões.

Tão logo chegou ao município, Vily se casou com a jovem Tereza Kuiava e tiveram 4 filhos, Laudicea Warvenczack de Oliveira, 47 anos; Ademilson Kuiava Warvenczack, 45 anos; Adriano Kuiava Warvenczack, 43 anos e Alisson Kuiava Warvenczack de 31 anos.

Mas a verdadeira história que move o contexto da existência da família iniciou pela paixão de Vily, que tinha o ofício de mecânico de caminhões. Essa paixão o motivou a adquirir, na cidade de Curitiba, um Bedford ano 1964, em 1968.
O caminhão tinha poucos quilômetros rodados e custaram a Vily, cerca de 1 milhão e 400 mil cruzeiros, moeda da época. “Paguei 600 mil à vista e o restante parcelei, mas paguei tudo”, conta o mecânico que durante a conversa, emociona-se com as lembranças que é instigado a recordar-se.

Adquirido no mês de agosto de 1968, sem saber precisar a data correta do feito, Vily conta emocionado que seu velho amigo está completando 50 anos. “Se o caminhão falasse, com certeza lembraria de muito mais histórias que eu.”

A família Bedford

Bedford Vehicles, geralmente encurtado para apenas Bedford , é uma marca de veículo que era produzido pela Vauxhall Motors, na Inglaterra, fundada em 1930. A Bedford Vehicles era uma marca líder internacional de caminhões, com vendas substanciais de exportação de caminhões leves, médios e pesados em todo o mundo. A marca foi aposentada em 1991.

Vily vem de uma família de 9 filhos. A família, assim como ele, também é apaixonada por caminhões, e já tiveram ou ainda tem algum modelo da popular marca Bedford em suas garagens. Toda essa paixão levou a família a ser conhecida popularmente com o nome da marca dos veículos: “Os Bedford”.

Hoje em dia é difícil encontrar quem não conhece um dos membros dessa grande família que tem no sangue o amor por veículos automotores, principalmente caminhões e suas oficinas ao redor da cidade. Poucos deles são conhecidos pelos nomes verdadeiros. Se quer encontrar algum deles, basta procurar pelo “Bedford”.

A atuação do Bedford 1964

Tão logo o comprou, ainda com uma caçamba, Vily trabalhou por longos 7 anos, colaborando especificamente com as primeiras escavações da Unidade Six da Petrobras em São Mateus do Sul, com o transporte da terra que estava sendo retirada até se chegar no xisto. “Foi muita terra até chegar no no que se queria”, relembra.

Logo após atuar na Usina do Xisto, o caminhoneiro, a bordo de seu Bedford, foi para a cidade de Araucária colaborar com a terraplanagem para a construção da Usina da Repar. “Naquela época tudo era diferente, tudo era mais custoso”, queixasse principalmente por não ter conseguido receber tudo que era devido.

Após concluir sua prestação de serviços à Petrobras, o caminhoneiro conta que começou a puxar toras para a empresa Rigesa que estava iniciando suas atividades na região, e lá se foram cerca de 6 meses. “Era muito mais fácil que trabalhar para a Petrobras”, diz.

Em 1979, conta que firmou residência onde vive desde então, e criou sua família, na rua Gulherme Kantor, 1537. Ao lado montou e continua atuando com sua oficina. Em meio às suas atividades de caminhoneiro, Vily nunca deixou de desempenhar seu ofício de mecânico, lidando com vários tipos de veículos e problemas, inclusive elétricos. Ele conta que o caminhão colaborou muito com o sustento da família, mas sua oficina também colaborava com o orçamento.

Antes de tirar a caçamba do caminhão, lembra que atuou durante 1 ano na cidade de Paranaguá com seu Bedford colaborando com o transporte de terra e pedras para a construção da subestação de luz do Porto da cidade.

Um caminhão e muitas mudanças

Uma das especialidades, tanto do caminhoneiro quanto do caminhão, eram as mudanças, que segundo as suas contas ao longo desses 50 anos, multiplicam-se em milhares.

Há algumas décadas, quem nunca precisou de um caminhão para mudanças em São Mateus do Sul e região, que minimamente, não tenha ouvido falar no senhor Bedford? Ao longo de todo esse tempo, o mecânico caminhoneiro colaborou com a mudança de muita gente, fosse de um bairro para outro, aqui mesmo na cidade ou mudanças que muitas vezes se separavam por longas distâncias. “Colaborei com a mudança de vida de muita gente.”

No trecho, quilômetros e mais quilômetros foram percorridos pelo caminhão e seu dono atrás do volante e nunca sofreram nenhum acidente. Dentre as inúmeras e quase incontáveis viagens, Vily puxa na memória alguns que marcaram sua trajetória, como à cidade de Vacaria, no Rio Grande do Sul, onde fez 33 viagens de ida e volta puxando fertilizantes.

Mesmo quase incontáveis, numa análise rápida, o caminhoneiro lembra de cerca de 8 viagens para o norte do Paraná, 8 viagens para São Paulo e seu caminhão nunca o deixou na mão, pois um sempre confiou no outro. “Sinto um carinho muito grande pelo meu caminhão”, confessa Vily.

Hoje, aposentado e enfrentando alguns problemas de saúde, Vily relata que sente falta de dirigir seu caminhão que há meses não conduz, mas confessa que não sente por não ser mais caminhoneiro. “Não sinto falta de ser caminhoneiro, não fui valorizado e recebia muito pouco.”

O velho Bedford, apesar de seus mais de 50 anos, passou por apenas três reestruturações e respeita até então as mesmas cores e aquele jeitinho que Vily sempre o deixou: impecável. Ainda hoje o motor com cerca de 130 cavalos de potência, demonstra sua força e originalidade inconfundível.

Uma história dentro da história de vida de um cidadão que sim, pode ser chamado de são-mateuense, pois foi aqui que fincou as estruturas de sua família, colaborou com a economia do município e com tantas pessoas que precisaram do velho Bedford, para puxar sua mudança ou fazer qualquer que fosse o tipo de frete.

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