Perfil

A arte de jovem dançarina através de Wakanda

Caroline Borcate tem 19 anos, e passou toda sua vida em São Mateus do Sul. Ela realiza apresentações temáticas em festivais que envolvem a música eletrônica. (Foto: Isabela Leite)

Energia: é isso que a música proporciona nas pessoas que escutam e admiram uma apresentação. Envolvendo a arte, a dança une-se junto das canções e melodias, trazendo para o público uma manifestação artística com inúmeros significados e recomeços.

Natural de Rio Azul, mas passando a vida toda em São Mateus do Sul, Caroline Borcate, de 19 anos, é acadêmica do curso de dança da Universidade Estadual do Paraná – Campus Curitiba, e é a responsável e criadora de Wakanda, projeto que envolve diretamente a dança em apresentações nos festivais de música trance.

Wakanda significa “poder mágico interno”, e é exatamente essa interpretação que levou Caroline a desenvolver o projeto de mobilização artística. “A Wakanda chegou em um momento muito importante: eu estava iniciando minha vida adulta e esse projeto resume a superação que passei em algumas fases que vivi”, explica a dançarina.

(Foto: Loba Fotografia)

O amor pela área artística iniciou desde muito cedo, e a admiração pela dança indiana foi uma das principais razões que fizeram a jovem pesquisar mais sobre coreografias. “Lembro que eu procurava muitos vídeos sobre a dança do ventre. As roupas que elas usavam e as músicas transmitiam um sentimento incrível. Me apaixonei de verdade pela dança nessa época”, relembra. Aprendendo um pouco mais sobre outros estilos, a jovem começa a frequentar aulas de dança em estúdios do município, como o jazz e contemporâneos.

A decisão por optar pelo curso de dança foi uma das principais escolhas da vida de Carol, e ela comenta que hoje recebe um grande apoio de sua família. “Não consigo me imaginar fazendo outra coisa!”, diz. A jovem expressa que a dança ainda é muito sexualizada por envolver diretamente o corpo, e afirma que esse tipo de pensamento precisa mudar. “Quem está no mundo da arte pensa além do real. Infelizmente ainda existe muito a descriminação nessa área profissional, mas dentro de uma faculdade de artes precisamos pensar e questionar os diversos fatos da sociedade”, diz.

Para quebrar os paradigmas de preconceito, a jovem leva com a Wakanda apresentações lúdicas e temáticas, com roupas e acessórios que representam a mensagem positiva da dançarina através da arte. “A Wakanda busca mobilizar as pessoas em um ambiente de festa, levando pensamentos e sentimentos reais”, diz. Já foram mais de 10 apresentações em menos de um ano de projeto, e a emoção junto de muita gratidão são vivenciadas de forma diferente a cada coreografia, que possui como uma das características marcantes a dança do ventre tão admirada pela dançarina. “Muitas pessoas já chegaram e falaram que choraram ao me ver dançar, e isso é lindo e me emociona também”, garante.

“A arte nutre a mente, nos faz pensar e por isso incomoda, pois não estamos acostumados a refletir. A arte é amor e resistência, é saber sentir e se expressar com algo que só você mesmo vai poder criar. A arte é única e singular, mas é de todos e para todos. Vamos deixar de acreditar em uma arte que é seletiva. A partir do momento em que você se entrega para viver e sentir a arte, sua ou do outro, você se liberta e aprende mais sobre você mesmo e sobre a sociedade!”, encerra.

Cláudia Burdzinski

Cláudia Burdzinski

Estudante de Jornalismo que adora escrever e conhecer um pouco sobre a vida e a história de cada pessoa envolvida. Preza pela essência que é repassada na produção de cada matéria, valoriza os pequenos gestos e apoia o ativismo ambiental. E-mail para contato: claudia@gazetainformativa.com.br
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