(Imagem Ilustrativa)

Muitos questionam as missões espaciais. Por que buscamos vida fora da Terra, gastando bilhões de dólares se ainda temos tantos problemas a resolver, tantas diferenças sociais para equacionar?

Em abril de 2018 a agência espacial americana (NASA) lançou o satélite TESS (Transiting Exoplanet Survey Satellite, em inglês) a bordo do foguete Falcon 9 da Space X. A nave foi mais um passo para tentar descobrir novos planetas fora do nosso sistema solar. Ele identifica os planetas (exoplanetas) quando estão em “trânsito”, bloqueando a luz de suas estrelas, incluindo aqueles que possam sustentar vida.

Com o TESS é possível estudar a massa, tamanho, densidade e órbita de um grande grupo de pequenos planetas, incluindo uma amostra de mundos rochosos em zonas habitáveis de suas estrelas hospedeiras, portanto, onde possa existir vida.

Até 2 de julho de 2020, foram observados 4.281 exoplanetas em 3.163 sistemas, com 701 sistemas tendo mais de um planeta. Espera-se sejam encontrados aproximadamente 300 exoplanetas do tamanho da Terra e super-Terra, que são mundos não maiores que o dobro do tamanho da Terra.

Em 2021 está previsto o lançamento de um novo satélite com um telescópio que substituirá o Hubble, o James Webb (nome do administrador da NASA que liderou o Projeto Apollo). Juntos o TESS e o James Webb nos permitirão descobrir mais sobre a origem e a transformação do Universo e, por consequência do nosso Sistema Solar.

Quando os seres humanos olham para o céu noturno, eles se perguntam: ‘há alguém lá fora?”. Talvez busquemos tal resposta para descobrir nossa origem: de onde viemos, para onde vamos? Talvez seja a busca da ciência para entender um pouco de como age, como trabalha o nosso Deus, essa energia que organiza e move todo o Universo.

Carl Sagan dizia que “a imaginação muitas vezes nos leva a mundos que nunca existiram, mas sem isso nós não vamos a lugar algum.” Assim, continuamos buscando os mundos que imaginamos e que com certeza devem existir. Seríamos muito egoístas em pensar que todo um Universo foi criado apenas para abrigar os seres que habitam o planeta Terra. Segundo Sagan, se não for isso, se não houver vida em outros mundos, é um “terrível desperdício de espaço”.

Particularmente, acredito que o dinheiro investido nessas pesquisas, por instituições governamentais e agora por iniciativas privadas vai nos proporcionar, como sempre proporcionou, grandes saltos tecnológicos que permitiram aos habitantes de nosso planeta a melhoria na qualidade de vida e redução das desigualdades. Por exemplo, hoje é praticamente impossível falar em comunicação a longas distâncias sem de certa forma citar um componente ligado ao espaço. Um exemplo notório é a transmissão de imagens via satélite, cuja dependência de infraestrutura espacial é orgânica. Sem os satélites também não teríamos acesso rápido e eficiente às informações da Internet, por exemplo. Quantas vidas são salvas pela previsão do tempo, pelo acompanhamento de queimadas em florestas. Também podemos falar de coisas que parecem menos importantes, mas que todo mundo usa atualmente: as câmeras dos smartphones foram desenvolvidas inicialmente, para as missões espaciais, que precisavam de câmeras minúsculas. Poderíamos enumerar dezenas, ou até centenas de coisas desenvolvidas a partir das pesquisas espaciais.

Quanto mais tecnologia, quanto mais informações disponíveis, mais o homem se protege e preserva também as demais espécies, como forma de perpetuação.

Voltando a busca das origens, pense: ao menos a matéria que compões nossos corpos e de tudo que existe no planeta, deixando de lado as questões espirituais, veio do pó de estrelas surgidas do caos e organizadas cuidadosamente, mas que para a evolução continuam o mesmo processo de caos e reorganização. Isto é parte do que buscamos entender e tal conhecimento, servirá de base para o desenvolvimento científico e tecnológico das próximas gerações.

Adnelson Borges de Campos
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