(Imagem Ilustrativa)

Diz-se que foi a nossa capacidade de comunicação que nos trouxe das cavernas até aqui. Não poderia ser diferente. Se hoje, pedimos a carne ao açougueiro ou pelo aplicativo, naquele tempo, uma boa linguagem de sinais durante uma caçada em equipe, devia ser muito necessária para garantir o jantar. Saber se comunicar sempre foi essencial para a nossa sobrevivência, justamente porque precisamos uns dos outros.

A comunicação tem esse potencial, ela pode nos unir, promovendo a paz e o nosso desenvolvimento ou exatamente o oposto, nos dividir, estagnar ou até mesmo, atrasar nossas vidas. Em 2005, o Papa João Paulo II falou da importância dos meios de comunicação para promover a unidade da família humana, ao se colocarem a serviço do entendimento entre os povos. “Um modo importante para obter esta meta é a educação. Os meios podem ensinar a milhões de pessoas como são outras partes do mundo e outras culturas. Um conhecimento adequado promove a compreensão, dissipa os preconceitos e desperta o desejo de aprender mais”, afirmou o Papa e acrescentou que “quando outros são apresentados em termos hostis, semeiam-se sementes de conflito”. Ou seja, assim como se constrói a unidade e o entendimento, “esses mesmos meios podem ser usados para denegrir outros grupos sociais, étnicos e religiosos, fomentando o temor e o ódio”, disse o Pontífice.

Somando-se a essa possibilidade, em que os meios de comunicação podem ser extremamente positivos ou negativos à unidade humana, devemos lembrar a forte transformação que a informação passou nos últimos anos. O alcance da notícia foi ampliado. A rapidez da informação através dos meios digitais, abriu um leque de possibilidades a toda pessoa que tenha acesso à internet. Ao mesmo tempo em que consumimos conteúdos, também geramos informações e participamos, assim, de uma forma ativa em todo o processo. Não somos mais passivos, aceitando a tudo que lemos e ouvimos de olhos vendados, mas, colocamos em xeque muito daquilo que recebemos, principalmente da mídia tradicional. E é nesse processo, que a imprensa brasileira vem perdendo a sua credibilidade, porque parte dela insiste em fazer valer a sua opinião ao invés de nos informar com toda a transparência possível. Basta fazer a experiência da comparação e verificar como é divulgada a mesma notícia em diferentes emissoras. Muitas das matérias são seguidas por opiniões jornalísticas salpicadas com alfinetadas do “eles contra nós”, derrubando por terra a sua capacidade educativa, como citada acima pelo Papa João Paulo II. Tornam-se, nesse caso, instrumentos da segregação, porque substituem a notícia pela ideologia e a educação pela doutrinação.

Como vemos, a ética na comunicação é uma ferramenta poderosa na promoção da união e da paz, união esta que é celebrada no dia 14 de agosto. Ela nos faz pensar o quanto precisamos da pessoa do outro e o quanto a comunicação, seja de pessoa para pessoa ou de uma para muitas, tem essa capacidade de nos unir ou de nos dividir. Quanto aos meios de comunicação, somente quando se desvencilharem de interesses de grupos particulares, estarão assumindo o seu verdadeiro papel: o propósito do bem comum. Saber se comunicar, portanto, é estar mais próximo do outro, para que a vida de todos tenha maior qualidade e seja mais feliz. Afinal, sermos solícitos é o que nos torna verdadeiramente humanos, desde o tempo das cavernas.

Que as efemérides da vida nos ajudem a construir dias sempre melhores! Um cordial abraço!

Ingrid Ulbrich
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