Os Caminhos do Desenvolvimento

A conexão entre as ideias

Existem momentos na história de algumas regiões que são especiais porque revelam iniciativas espontâneas da sociedade que impactam positivamente os rumos de desenvolvimento daquele território. Seja para corrigir falhas nas relações entre os indivíduos ou instituições que os representam, seja para descobrir ou fortalecer as vocações de produção, essas ações estimulam a interação dos mais diversos atores sociais e provocam um verdadeiro “boom” de crescimento. As ideias parecem fervilhar todas ao mesmo tempo e um contágio natural das atividades parece coordenar a realização de algo grandioso.

Pois bem. Acredito que um destes momentos esteja acontecendo em nosso município e ao amigo leitor que acompanha esta coluna, gostaria de pedir licença para relatar uma experiência pessoal. Desde o início deste ano, venho acompanhando as atividades do NDE – Núcleo de Desenvolvimento e Empreendedorismo de SMSul – conversando sobre os mais diversos temas locais com pessoas das mais diferentes áreas. Muito mais do que um sentimento, mas fruto de uma constatação, percebo nitidamente a vontade de empresários e profissionais em construir uma cidade próspera, que possa abrigar seus sonhos e seus empreendimentos. Já ouvi pessoas dizerem que valorizam muito mais nossa terra após passar um período fora. Outras com um profundo otimismo da certeza de nossos potenciais que estão apenas adormecidos. Empreendedores emocionados ao verem seus planos se concretizarem e outros, usando de muita criatividade e trabalho para burlar dificuldades. Muitas com profundo conhecimento e visão de futuro e outras protagonistas de belos projetos institucionais que já não residem mais apenas no papel. Em cada relato o anseio simples de arregaçar as mangas, trabalhar e produzir.

Também percebi algo interessante. Quando as iniciativas nascem e crescem isoladas do mundo ao redor, elas não se conectam umas as outras, não recebem e não doam valor, são como belos quadros de uma casa reservados a contemplação de alguns felizardos moradores. Na maioria das vezes essas iniciativas têm pouco tempo de vida e não atingem seu real objetivo. Mas quando o contrário acontece, o simples compartilhamento das ideias faz com que naturalmente surjam parcerias que preenchem as lacunas existentes com soluções criativas e promissoras. O alcance dos objetivos é ampliado e uma rede de apoio garante o sucesso do projeto.

Quando o NDE se propôs a iniciar um “raio-x” das nossas forças e oportunidades, quase sem querer revelou algo que intimamente, alguns de nós já tenha percebido: nossos líderes e representantes da comunidade precisam sentar e conversar mais entre si, falta-nos conexão. Simples demais? Pode até parecer, mas “abrir a casa à contemplação dos quadros” parece não ser uma tarefa tão simples assim. E nesse caminho solitário, acabamos por aumentar os custos, gerir mal os recursos disponíveis, realizar projetos modestos, empregar mal nossa energia e nosso tempo. Em tempos de alta tecnologia, aperfeiçoar o acesso ao conhecimento existente através de uma rede de informações que seja fonte de referência para novos trabalhos, integrando todos os setores produtivos locais, seria um bom início. Essa talvez seja uma das principais funções do NDE, reunir líderes, apurar e debater ideias, e como consequência dar vida a um planejamento de desenvolvimento, criado por uma comunidade que sabe aonde quer chegar. E isso já está acontecendo.

Ingrid Ulbrich
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