Reflexão com Padre Marcelo S. de Lara

A confiança nas Instituições

(Foto: Divulgação)

Amigo (a) leitor (a), o textos que escrevo aqui é para que cada um possa pensar, refletir sobre eles. O espaço inclusive é chamado de Reflexão. Se você mudar sua opinião, ou não mudar, ampliar sua compreensão ou não, aí já é com você. O importante é ao menos se deixar questionar, pois a razão é aquela que bem alimentada irá iluminar os passos que você irá trilhar.

Em vários setores da sociedade vive-se hoje um descrédito nas instituições e nas estruturas criadas para se propagar uma ideia, ideologia, pensamento, ensinamento, vivência, seja o que for. Algumas pessoas nem buscam mais se envolver nelas e há aqueles que até praticam atentado contra elas.

Na falta dessa confiança na Instituição se vê atitudes individuais: justiça com as próprias mãos, alfabetização sem escola, ou seja, a busca de modo individual daquilo que não se consegue ver ou sentir em uma vida coletiva, comum. Na religião de certa forma não é diferente. O Papa Francisco mencionou dias atrás em um contexto dirigido aos católicos que, até mesmo dentro da Igreja se vive um mundanismo espiritual, falando dessa busca individual da fé sem estar em sintonia com a Igreja Instituição.

Claro que, quando se pensa no desejo de buscar a Deus, não deve haver aqui uma crítica negativa, uma demonização ou preconceito para com as pessoas que, de coração sincero estão buscando a Ele mesmo sem estar ligadas a uma instituição religiosa. Talvez por uma experiência negativa, ou até por uma falta de ligação familiar ou cultural, muitas pessoas buscam encontrar a sua realização completa em Deus, mas por outros caminhos.

Da mesma forma, deve-se haver uma compreensão com relação às instituições, um melhor entendimento, uma busca do sentido e do espírito que mantém cada uma delas. Um exemplo negativo, uma não satisfação de um desejo ou expectativa que se esperava, não deve ser motivo para desacreditar ou demonizar as instituições com suas estruturas. Toda lei, toda tradição, todo costume, todo ensinamento tem seu motivo de ser, que pode mudar e se adaptar com os novos tempos e devem estar para ajudar as pessoas.

Como comentado, caminhar sozinho tem seus desafios maiores que caminhar juntos. Fugir de estruturas e instituições, não é a solução, pois para se viver se irá de alguma foram criar outras estruturas. Então, o “problema” não está nas estruturas e nas instituições em si, mas no humano, é nele que as mudanças devem acontecer.

Viver em uma instituição ou por ela é um ato de fé. É você estar aberto a aceitar que sozinhos não encontramos nossa realização, pois necessitamos de viver juntos. É estar aberto ao entendimento que, uma tradição que vem se construindo há anos tem uma sabedoria maior do que aquele que começa a engatinhar hoje. É compreender que, feita por pessoas humanas terá sempre seus erros, suas imperfeições.

Então, o que motiva a acreditar ainda em uma instituição são seus princípios, seus valores, seus objetivos. Quando se entende isso, se mantém firme na caminhada em conjunto, sabendo que sozinho será mais difícil, pois também tenho minhas contradições e que sozinho não sou a sabedoria do mundo.

É impossível ter a sociedade, a educação, a justiça e a religião ao meu jeito. O mais sábio é confiar Naquele que conhece o ser humano mais que o ser humano a si próprio, Deus. No caso da Igreja, mais que uma instituição humana é uma Instituição Divina e é por esse motivo que se deve confiar nela apesar de suas limitações.

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