Mentes Inquietas

A crítica não pode parar!

(Divulgação)

Este texto é uma despedida do grupo de estudos em Ciências Humanas Mentes Inquietas do espaço generosamente cedido a nós pela Gazeta Informativa. Publicamos artigos, crônicas, ensaios com um único objetivo: provocar o leitor a refletir sobre certezas, sobre verdades. Se ao menos um leitor sentiu-se provocado a repensar o mundo em que nos inserimos, consideramos cumprido nosso dever na Gazeta Informativa.

No final das contas, esta é a função da filosofia. Implodir certezas e cultivar a dúvida. Dar respostas para as angústias da existência não está na pauta da filosofia. O estudo em si é instigador: quando lemos Platão nos parece que está correto e o mesmo acontece com Kant, Mill, Marx, Habermas e tantos outros. No fundo, a jogada não é perceber que todos esses pensamentos estão cheios de defeitos, de inconsistências e quando confrontados tomamos a consciência de que existem muito mais coisas entre a matéria e a explicação do que se pode conceber idealmente.

Eis, então, a necessidade de caminhar pelo incerto e seguir questionando. Aceitar e “torcer para dar certo” apenas acomodam. O confronto nos faz caminhar. Toda vez que um sujeito se apresenta cheio de certezas e com respostas prontas para os mais complexos problemas cabe explicar o mundo – caso valha o esforço – ou usar o sarcasmo.

O estudo das Ciências Humanas, o confronto de ideias certamente não serve para construir uma mesa, mas é a partir disso que se discute a viabilidade dessa feitura, os porquês e melhores caminhos a seguir. Para além disso, o estudo nos serve para melhorar a capacidade de pensar. Pensar com critério exige esforço; gritar mitos na rua ou nas redes sociais, não.

Despedimo-nos do jornal justamente no início de um novo governo, o qual em palavras e atitudes mostra completo desrespeito ao pensamento crítico e independência intelectual dos sujeitos.  Como sempre, o exame crítico de palavras e ações não pode parar.

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