O casal chegou em São Mateus do Sul há mais de 40 anos e é responsável pelo trabalho envolvendo a arte sacra no município há 16 anos. (Fotos: Cláudia Burdzinski/Gazeta Informativa)

Imagens e representações de santos fazem parte de celebrações e também da fé de algumas religiões, como os católicos. A igreja também enfatiza que os fiéis não praticam a adoração pela imagem – escultura e quadros por exemplo –, mas respeitam a representatividade do santo e sua importância na religião através dessa linguagem.

Paulo Takeuti e Alice Harumi Asano Takeuti entendem bem disso, afinal, quem ainda não ouviu falar do “japonês” que conserta e restaura as imagens de santos em São Mateus do Sul? Os proprietários da Artemi – nome que faz referência à arte encantada –, trabalham no município com pinturas e restauração de peças de gesso desde 2002.

Estando na cidade há mais de 40 anos, Paulo – que é natural de Assaí – Paraná –, e Alice – natural de Ibaiti, também no Paraná –, se conheceram na capital Curitiba e mudaram-se para o município por conta do emprego de Paulo na Unidade de Industrialização do Xisto (SIX), da Petrobras. De maneira ou outra, a arte sempre esteve presente em sua vida pois no trabalho o paranaense atuava como desenhista de projetos. Eles são pais de Rafael Shigeharu Asano Takeuti e Lilian Tiemi Asano Takeuti, e possuem dois netos, Breno e Clara.

Com descendência japonesa, o casal sempre foi muito religioso e encontrou na diretoria da Paróquia Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, na Vila Prohmann, uma oportunidade de colaborar com toda a comunidade, realizando trabalhos voluntários como a organização de festas que arrecadavam dinheiro para as construções da casa e o salão paroquial. Paulo atuou na diretoria como presidente, tesoureiro e secretário, e após a aposentadoria da SIX, a dedicação pelo trabalho religioso se intensificou ainda mais. “A secretária paroquial sempre chegava e falava que tinha alguma imagem quebrada para o Paulo ‘dar uma coladinha’”, relembra a esposa Alice.

Trazendo para casa as esculturas com trincados e algumas até quebradas, Paulo consertava as peças de cerâmica com o que tinha, como colas e tintas. “Depois de sua aposentadoria, pensávamos em realizar alguma atividade aqui na cidade e surgiu a ideia de fazer um curso nessa área de pintura de cerâmica”, comenta a artesã. O casal realizou o curso de pintura de gesso na cidade de União da Vitória na época que a sua casa e ateliê, localizados na Rua João Gabriel Martins, estavam sendo construídos.


Paulo que também pinta quadros, comenta que no início dos trabalhos com a arte, ele junto de alguns colegas do município formaram uma associação dos artistas plásticos da cidade, e realizavam anualmente exposições culturais em lugares como no Clube Ideal São-mateuense (CIS), Salão Paroquial e no Colégio Estadual Duque de Caxias. “No início, a associação contava com mais de 20 artistas. Realizávamos exposições também em outras cidades como Ponta Grossa e União da Vitória”, relembra Paulo. Com o passar dos anos, os artistas se responsabilizaram com outras atribuições, fazendo com que a associação ficasse inativa.

O artista, que afirma ser autodidata em restauração, foi se aperfeiçoando com o passar dos anos. Paulo comenta que já realizou o trabalho em centenas de imagens, e que muitas pessoas do interior procuram o seu serviço, algumas com imagens que possuem grande significado pessoal. No ateliê, o artista não fabrica as peças de cerâmica, apenas é o responsável pela restauração de imagens danificadas que chegam até ele. O casal também trabalha junto na pintura das peças, realizando a preparação das tintas com pincéis de espessuras específicas, sem fugir da tradicionalidade da cor das vestimentas das imagens.

Pincéis, cores e detalhes com pedras brilhantes fazem parte da bancada de trabalho do casal. Além de levar um sustento a mais nas contas do fim do mês, o trabalho artesanal também serve de terapia, levando ainda mais jovialidade para o cotidiano artístico da família.

Estudante de Jornalismo que adora escrever e conhecer um pouco sobre a vida e a história de cada pessoa envolvida. Preza pela essência que é repassada na produção de cada matéria, valoriza os pequenos gestos e apoia o ativismo ambiental. E-mail para contato: claudia@gazetainformativa.com.br

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2 Comentários
  • Lilian Takeuti
    29 de junho de 2019 at 01:02

    Obrigada por fazer essa matéria sobre os meus pais. Eles são incrivelmente dedicados em tudo que fazem e só tenho a agradecer pela vida que me proporcionaram. Suas palavras foram muito bem escritas. Obrigada mais uma vez.

  • Dante Kazuo Hiraoka
    29 de abril de 2019 at 13:10

    Parabéns Cláudia pela bela matéria aqui na Gazeta Informativa, conheço o casal e seu belíssimo trabalho, exemplo de dedicação, harmonia e perseverança

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