(Imagem Ilustrativa)

Cem anos se passaram desde a primeira aplicação da vacina contra a tuberculose. A BCG, aquela que recebemos assim que chegamos ao mundo, e, que nos deixa aquela cicatriz redondinha no braço, vem salvando muitas vidas. Mas, quem poderia imaginar que, em pleno século 21, seríamos acometidos por uma nova doença pulmonar, quando doenças como a tuberculose ainda são inimigos à espreita, mesmo com a existência de vacina. Segundo dados de 2019, a tuberculose levou quase cinco mil pessoas a óbito no Brasil, naquele ano.

O nome BCG vem da cepa isolada do bacilo da tuberculose para produzir a vacina – bacilo Calmette-Guérin – que recebeu esse nome em homenagem aos dois cientistas do feito. A sua primeira versão foi via oral, administrada em 1921 a um recém-nascido no Hospital de Caridade em Paris. No Brasil, a primeira imunização ocorreu em 1927, graças aos esforços de cientistas brasileiros, sendo obrigatória desde 1976. E a data de primeiro de julho celebra essa grande conquista para a saúde humana.

Estima-se que entre os anos de 1700 a 1900, mais de 1 bilhão de pessoas morreram de tuberculose. Me surpreendi ao ler que, apesar disso, houve a romantização da doença por um período de tempo. A sociedade foi capaz de considerar que um tuberculoso estaria associado à ideia das artes e do amor, e por incrível que pareça, o doente passou a ser no século 19, uma forma de estética valorizada. Seria a chamada “doença romântica” ou a “doença da paixão”, justamente por acometer aqueles que se permitiam a uma vida mais livre ou distante de padrões morais, como poetas e intelectuais. Ou seja, escolheram romantizar a doença e elevá-la à admiração, do que entender os motivos que facilitavam o seu contágio. “Ser como ou ser um ‘tuberculoso’ era visto, por alguns grupos, como um símbolo de distinção, o que influenciou por muito tempo os padrões sociais europeus de vestir-se, de viver, de comer e de afirmar-se na sociedade” (GONÇALVES, 2000)

Cada tempo com os seus males e cada doença com os seus fenômenos. Se a tuberculose foi romantizada no passado e ditou moda, em nossos tempos, a Covid-19 foi politizada e vem tentando ditar ordens aos médicos. Pessoalmente, sou a favor do chamado “tratamento precoce”, pois, quando contraí o vírus não tive imediata prescrição desses medicamentos. Somente após alguns dias de piora, o que me levou a procura de um tratamento particular, foi-me receitado, e a melhora chegou após a segunda dose, com a graça de Deus, como sempre costumo lembrar. Isso não o obriga, amigo leitor, a concordar comigo. Afinal, isso nem deveria ser cogitado, pois, como está no site Médicos pela Vida Covid 19, “a medicina é uma ciência autônoma para tratar, cuidar da saúde integral e salvar vidas e seu exercício não pode sofrer interferências externas de qualquer natureza”. O movimento reúne médicos de todas as especialidades que assistem pessoas acometidas pela pandemia, e segue dizendo “Daí nasceu a assistência observacional de cada um de nós, convergida para a experiência coletiva, consolidada na produção de uma proposta de protocolo que servisse de guia para os colegas, sensibilizasse autoridades, e tirasse as pessoas do abandono pré hospitalar, atendendo às expectativas de não precisarem ser hospitalizadas”.

Apesar de tudo, nossa geração é privilegiada em receber uma vacina em tempo recorde, ao contrário do passado, quando vacinas como a BCG, chegaram após séculos de muitas vidas perdidas. Por fim, o tempo dirá onde a sociedade atual errou e onde acertou.

Que as efemérides da vida nos ajudem a construir dias sempre melhores! Um cordial abraço!

Ingrid Ulbrich
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