Prismas

A duradoura crise de confiança

(Imagem Ilustrativa)

Pensar que este é um ano de eleições tem me feito perder um pouco do sono, da tranquilidade. Depois do pesadelo vivido nos últimos anos está muito difícil confiar nas pessoas, principalmente naqueles ocupantes de cargos nos poderes constituídos.

Acredito que os próprios políticos, boa parte fisiologista por natureza, também não sabem quem seguir. Assim, a janela para mudanças de partido, que se inicia no próximo dia 7 de março, promete ser bastante agitada, um verdadeiro balcão de negócios.

É triste pensar que muitos deles não são partidários de uma mesma ideologia, não tem propostas para a nação, apenas buscam recursos para suas campanhas, para a manutenção de suas vidas de políticos profissionais.

Converso com várias pessoas, algumas mais simples, outras que tiveram um pouco mais de oportunidade para aperfeiçoar a sua formação. Elas têm em comum a angústia da dúvida na escolha de seus candidatos. Separar o joio do trigo parece ser tarefa exequível até o próximo mês de outubro, não temos tempo para esperar pelos ceifadores.

Você conhece algum pré-candidato que tenha apresentado uma proposta para o seu governo ou para o seu mandato parlamentar? Quais são as proposições dele para a educação, para a saúde, para a segurança? Ele lhe diz de onde pretende obter os recursos para viabilizar o seu governo, no caso de postulantes a cargos no Poder Executivo? Ele apresenta como bandeira o resgate do Brasil como nação?

A maioria deles até aqui insiste em definir seus ideais com uma única frase feita, velhos e conhecidos clichês. Muitos discursam pregam o divisionismo. Outros se apegam ao que fizeram no passado, como se isto fosse suficiente para fazer frente aos atuais problemas enfrentados pelo país.

Governantes ou parlamentares, apesar de apoiados por segmentos da sociedade, precisam exercer seu mandato pensando no coletivo, pois o Brasil é maior que um partido, que uma ideologia. Entretanto, sai governo, entra governo e o Estado parece acreditar que ele é um fim em si mesmo, com uma cabeça muito maior, desproporcional ao corpo que lhe sustenta.

A maioria dos governos são apenas coletores de impostos, dispostos a tudo para a perpetuação no poder. Li um texto de Gustavo Franco, ex-Presidente do Banco Central durante o Plano Real que afirma que o Estado parece “uma criatura permanentemente preocupada em encontrar novas formas de atuar e crescer, como um parasita buscando ser maior que seu hospedeiro”.

Não sou economista, mas acredito que a melhor forma de se aumentar a arrecadação é permitindo que o dinheiro circule na economia, que riquezas sejam geradas, que todos aumentem suas receitas ou recebam uma parte do bolo. Arrecadar mais é apenas uma consequência. O papel do governo é de suporte, de regramento, de incentivo. Porém, até aqui são poucas são as propostas de ações estruturantes, que preparem o Brasil para o futuro.

Também tira o meu sono a possibilidade de que boa parte dos eleitores, pela descrença, pela desconfiança, desista do seu voto e assim, abra caminho para os oportunistas de plantão, aproveitadores da fragilidade de um povo e que imponham suas ideias populistas para depois se tornarem ditadores, usurpadores do poder, destruidores da democracia.

Que nossas mentes se iluminem e façamos boas escolhas!

Adnelson Borges de Campos
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