(Imagem Ilustrativa)

Nesta semana li um artigo que apresentava as ideias de uma economista ítalo-americana chamada Mariana Mazzucato. Alguns a consideram uma das cinco economistas mais influentes do mundo. Sim, as economistas que mais influenciam o pensamento atual são mulheres.

A pandemia do Coronavírus mostrou muitas fragilidades nos governos e na economia mundial, por isso, mudar é essencial, caso contrário, voltaremos a enfrentar os mesmos problemas em um curto espaço de tempo.

Há algumas semanas, nesta coluna, fiz críticas chamando a Economia de ciência da escassez. Fiquei contente que agora há economistas que entendem que o pensamento econômico e do Estado deve ser verde, sustentável e equitativo. Sim, o mundo pode ser de fartura para todos, com uso racional dos recursos. Mas é preciso investir na inovação e em processos de base.

Mazzucato também defende que o capitalismo seja reformulado, pois a economia deve servir às pessoas e não buscar a servidão delas. Capital e Trabalho devem trabalhar juntos e o Estado é fundamental para que haja equilíbrio e direcione os investimentos estratégicos. Não é questão de ser de direita ou de esquerda, de extremismo, é questão de vontade de empenho em melhorar a qualidade de vida das pessoas. Precisamos de equilíbrio e não de protecionismo para ambos os atores. Só se consegue melhores resultados quando todos ganham.

O fim último da economia não está na economia. Ela deveria estar a serviço algo maior: “a dignidade humana e o bem comum”, como afirma Élio Gasda, brasileiro, doutor em Teologia.

Assim, os incentivos governamentais deveriam ser aplicados em setores que privilegiassem a criação de valor para as pessoas. Hoje, bancos públicos emprestam dinheiro para empresas que buscam somente lucro, não o benefício da população, não só dos acionistas que pedem dinheiro emprestado. Mas o Estado, empreendedor, precisa investir para a criação de bases para o desenvolvimento. Por exemplo, não fosse o investimento público em pesquisa agropecuária de alto risco, pouco atrativa ao investimento privado, o Brasil dificilmente disporia hoje da agricultura tropical mais avançada do mundo.

Uma empresa, sempre vai buscar resultados, mas é possível que maximizem os benefícios para a sociedade e que, principalmente aquelas que use incentivos públicos para a consecução dos seus resultados, produzam em setores que criem valor para as pessoas. Seria uma forma mais adequada de distribuição de renda, de geração de valor para a sociedade.

Precisamos encontrar uma forma de gerar postos de trabalho nos setores formais da economia. No Brasil, como em outros países da América Latina, por exemplo, muita gente trabalha no mercado informal ou depende de programas assistenciais e, quando surge uma crise, como a da atual pandemia, os efeitos sobre as pessoas e a economia são devastadores.

Poderíamos ter, por exemplo, incentivos públicos e direcionamento de investimentos para o setor terciário da economia, o da prestação de serviços. Como escrevi antes, “gente cuidando de gente”. Investimentos na saúde, lazer, turismo, cultura, educação, por exemplo, com mais qualidade e com bons pagamentos pelos serviços prestados, gerariam empregos, agregariam valor à sociedade, criando alternativas para geração de renda e arrecadação.

Então, sob o ponto de vista econômico, temos a certeza de que também não devemos voltar ao normal, pois o antigo normal, nos trouxe até aqui, com os problemas presentes até aqui.

Vejam que isto não vale somente para os países pobres ou desestruturados. Acho que a economia americana, por exemplo, precisa se reinventar rapidamente, sob pena de perder espaço para chineses e russos. Em breve, os países asiáticos, com os investimentos que tem feito em educação e no setor tecnológico também farão frente aos detentores do Dólar, que em breve deve deixar de ser a moeda forte do mundo.

O país que não se reinventar não sobrevive ou se sobreviver, amargará o sofrimento de sua população. O mesmo vale para as empresas que precisam de um mercado para colocar seus produtos e serviços.

Adnelson Borges de Campos
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