“Busca-se o tempo todo coisas novas que, ao final não dão satisfação. Cada vez temos mais coisas, mas não significa que estamos mais felizes”. Para o filósofo francês, Gilles Lipovetsky, essa é a busca incessante de boa parte dos indivíduos que correm atrás de uma felicidade permanente, polarizada através de um consumo massivo excitante, visando preencher uma necessidade cada vez maior de uma realização pessoal.

O consumo é latente, grita aos quatro cantos para a possibilidade de atingi-lo. Sim, eu preciso e eu mereço! Essa é a nossa resposta ao esbravejo das propagandas e peças publicitárias. Sim, esse é o intuito! Mas, até onde e quando precisamos ir atrás dessa tal “felicidade plena”? É possível tê-la algum dia? A felicidade é contínua, e alcançamo-la em detalhes da vida. Plenitude? Isso é discutível. Há quem diga viver em plenitude de felicidade, mas somos construídos por relações sociais e mesmo que a felicidade não esteja ao nosso alcance, faremos sempre um esforço para buscá-la, mesmo que isso dilacere até, as relações apaixonantes.

Estamos vivendo uma era de intensidade em tudo: nas relações, no trabalho, nas emoções, e consequentemente, no consumo. Consumir é claro, além de um ato simbólico e político, é algo necessário e cultural. O que convidamos você a refletir é sobre o além do consumo. Até onde vão nossas necessidades para nos sentirmos satisfeitos e plenos? A resposta a essa pergunta é algo de uma individualidade tamanha, pois somos seres dotados de necessidades diferentes. O que me dá prazer pode simplesmente não satisfazê-lo. O que questionamos é a efemeridade do consumo.

Qual é o preço que estou disposto a pagar por uma felicidade momentânea, aquela tão fantasiada pelos comerciais de margarina ou mesmo da busca por uma ostentação desnecessária? Será que temos de “estar” felizes ou mostrar que “somos” felizes? Cada vez mais temos mais coisas, mas essas “tantas” coisas vêm nos tornando mais felizes? Espero que sim, mas essa não é a resposta que estamos apresentando em nossa sociedade.

Por Gladstony Wilker Bezerra. Extensionista da área social na EMATER – Economista Doméstico; Pedagogo. Especialista em Neurociência e Aprendizagem. Pós-graduando em Desenvolvimento Rural Sustentável no IFSC – Câmpus Canoinhas.

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