Prismas

A escola do futuro

(Imagem Ilustrativa)

A internet parece uma fonte inesgotável de informações. Muito se aprende com todos os tipos de registros disponíveis. Tudo está ao encontro das mãos, com um simples toque na tela.

Eu percebo isso, em casa, quando vejo meus filhos buscando novos conhecimentos e me surpreendo com a velocidade e facilidade com que o fazem. O que aprendem virtualmente ganha formas e se traduz em coisas palpáveis, concretas. E isto ganhará ainda mais velocidade com a possibilidade de impressões em 3D, com as facilidades logísticas para levar até os usuários os componentes comprados com agilidade através de aplicativos.

Entretanto, o mundo digital pode gerar uma falsa sensação de autossuficiência ou de independência. Então, os jovens estudantes, os mais velhos também, podem pensar que a escola poderia se tornar dispensável, que os professores são figuras obsoletas. Não o são. Entretanto a escola, os professores e o Estado precisam se adaptar ao novo cenário.

O professor continua necessário, pois alguém precisa preparar o material, orientar, avaliar. Todavia, precisa se preparar para tal. Há muita informação disponível e que precisa ser filtrada, adaptada para cada necessidade, respeitar a individualidade e desenvolvimento físico e emocional do aluno, principalmente quanto aos conteúdos que estimulam o senso crítico. Com maior acesso a informação, o professor será ainda mais desafiado pelos alunos quanto aos seus conhecimentos e capacidade de orientação.

Haverá um salto ainda maior no conhecimento quando a barreira da língua for quebrada e as informações disponíveis em cada canto do mundo puder ser compartilhado.

Outro desafio será o de garantir a manutenção da sociabilidade, já que a escola, hoje, é fundamental para que o indivíduo aprenda a se relacionar “fisicamente” com o mundo. Caso contrário tenderemos a ter cada vez mais pessoas presas as suas casas e apartamentos, isoladas, mesmo que conectadas ao universo.

A escola continuará sendo um forte alicerce para o combate ao “achismo”, uma vez que boa parte das informações disponíveis é superficial. O método científico é indispensável tanto nos campos de exatas como humanas para o desenvolvimento da sociedade e das organizações. Mais uma vez continuará cabendo ao professor o ensino da habilidade de argumentação, enfatizando a capacidade de raciocinar, de ouvir e de exposição dos pontos de vista.

A nova escola está dando seus primeiros passos. Cabe aos gestores e professores bem encaminhá-la para um futuro que já bateu à porta e não pede licença para entrar.

Adnelson Borges de Campos
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