O município de Antonio Olinto abriga cachoeiras em diversas propriedades, atraindo cada vez mais visitantes para a região. A cachoeira de Nelson Kinage reúne no verão cerca de 600 pessoas nos fins de semana. (Fotos: Cláudia Burdzinski/Gazeta Informativa)

Você já parou para pensar como seria se no quintal de sua casa tivesse uma cachoeira? Com certeza os encontros em família e as festas entre amigos não seriam mais do mesmo jeito! Todo esse “luxo” proporcionado pela natureza faz parte das propriedades de famílias no município vizinho de Antonio Olinto, que fica a cerca de 31 quilômetros de São Mateus do Sul.

Pegamos o ônibus logo de manhãzinha, saindo da rodoviária de São Mateus do Sul. De mochila nas costas e todo o equipamento em mãos, fomos de encontro a equipe da Prefeitura Municipal de Antonio Olinto – deixamos esse espaço de agradecimento ao prefeito Fabio Machiavelli que disponibilizou um carro para que pudéssemos nos locomover entre um local e outro, e o motorista Marcos Machiavelli que se tornou (mesmo sem saber) um ótimo guia turístico interior à fora.

Antonio Olinto é um município conhecido pela questão religiosa e cultural, principalmente pelo povo ucraniano. A agricultura também chama a atenção, logo que a maior área do município engloba comunidades do interior. Além de ter esse contato direto com a vida religiosa e do campo, algo que está chamando bastante a atenção dos moradores é o número de pessoas vindas de outras cidades para conhecer as cachoeiras que cercam algumas propriedades. Além de incentivar o turismo local, essas visitas fazem os moradores valorizarem ainda mais o lugar que vivem.

Uma das mais famosas é a cachoeira da família Kinage, localizada a cerca de 2 quilômetros da cidade. O proprietário Nelson Kinage, nascido em Antonio Olinto, conta que adquiriu a propriedade de 12 hectares há 18 anos, sem imaginar que poderia tirar um “lucro extra” no fim do mês. “Antigamente as pessoas não prestavam tanto a atenção nesses lugares e as cachoeiras ficavam abandonadas. Quando limpei em volta, aparecia algumas ‘piázadinhas’ para pescar e era apenas isso”, relembra. Kinage conta que 9 anos depois da compra do local, algumas famílias começaram a procurar o espaço com o intuito atrativo, e a partir daí o movimento não parou mais. “Quando é verão reunimos aqui umas 600 pessoas”, diz o proprietário, que cobra uma taxa de R$ 3 por pessoa, fora o valor simbólico de aluguel dos quiosques que foram construídos. Além da cachoeira – que é a atração principal –, o lugar conta com banheiros, espaço para a venda de refrigerantes, sucos e sorvetes, um campo de futebol e uma área recreativa com balanços. “Nós gostamos da natureza e cuidamos dela”, garante.

 

A 7 quilômetros da cidade, encontramos uma cachoeira bem conhecida pelos visitantes, que ilustra o portal de entrada de Antonio Olinto: a famosa “cachoeira do Pedroso”, na propriedade de Julio Duma. Diferentemente de Nelson Kinage, Duma nasceu na propriedade e cresceu brincando pelas árvores entre a cachoeira e a casa de sua família. “Sempre fui apaixonado por esse lugar e quero permanecer a minha vida toda por aqui”, afirma. A receptividade e a alegria de receber visitantes é uma das principais motivações de Duma. Ele ressalta que planta anualmente pinheiros e outras espécies de árvores para valorizar ainda mais a sua propriedade. “Aqui veio até gente da Argentina! Toda semana conhecemos pessoas novas”, diz o morador, que cobra uma taxa de estacionamento para carros e motos, garantindo a segurança dos veículos. Recipientes de lixo também são deixamos nas proximidades das águas para evitar o descarte inadequado de resíduos, mantendo assim a qualidade de vida dos animais que também “dão uma passadinha” por ali. “Achei até um jabuti nessas águas há algumas semanas”, informa.

A cachoeira de Julio Duma estampa o portal de entrada para Antonio Olinto.

 

Do ladinho da cachoeira de Duma, há também um espaço que abriga o lugar com uma das visões mais privilegiadas de Antonio Olinto: a propriedade de Silvestre Kurpiel, que junto de sua família, mantém uma cachoeira com duas quedas distintas. O proprietário comenta que algumas pessoas frequentam o lugar, que está ficando cada vez mais conhecido e não possui nenhum custo para a entrada. A religiosidade também é vista no espaço, onde a parede de pedra comporta uma imagem de gesso de Nossa Senhora Aparecida. O caminho de campina ilustra muito bem o roteiro para chegar até a cachoeira. Pomares, cedros e araucárias se misturam com o som das águas caindo sobre as pedras. “Ficamos felizes por ver que as pessoas valorizam cada vez mais o meio ambiente e o lugar que vivemos”, comenta Silvestre.

A propriedade de Silvestre Kurpiel possui uma visão privilegiada para a cachoeira da família, que apoia a preservação ambiental cada vez mais.

 

Nessas idas e vindas, nosso “guia” relembrou das quedas d’água na localidade de Cerro Lindo. Paramos na propriedade de Alceu Veríssimo dos Santos, que nos levou até o local que possui uma queda de aproximadamente 5 metros. Mesmo com a pouca vasão devido à estiagem dos últimos dias, a vista é bem explorada, e a mesma propriedade possui uma caverna que, segundo Veríssimo, guarda muitos “mistérios”.

 

Conversamos com alguns moradores do município que afirmaram que Antonio Olinto possui muitas cachoeiras ainda pouco conhecidas, até mesmo por quem lá vive. Segundo o historiador Homero Euclides, os primeiros habitantes do município já exploravam esses recursos naturais. “Visitando várias cachoeiras, pude notar que existe um grande potencial para o turismo local”, opina.

Alguns proprietários fazem das águas um recurso financeiro, outros dividem o espaço com os visitantes que se quer conhecem. De uma coisa temos certeza: a felicidade por ter um bem natural como esse, logo na porta de casa, é um privilégio para poucos!

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