Jornal de São Mateus do Sul (PR) e região

A falta de moedas em circulação no comércio gera preocupação aos empresários são-mateuenses

O hábito de encher cofrinhos tira de circulação um terço das moedas emitidas no país por ano e a realidade em São Mateus do Sul não é diferente. (Foto: Alexandre Müller/Gazeta Informativa)

Um problema que para muitos pode ser considerado irrelevante, vem atormentando o comércio local e ocasionando transtornos, principalmente na hora do troco. Quem nunca se deparou em uma situação de não ter ou não receber os centavos exatos diante de uma transação comercial?

O dilema existe para comerciantes, caixas e consumidores. As moedas de R$ 0,01 são praticamente inexistem; as moedas de R$ 0,05 e R$ 0,10 estão caindo no esquecimento; e as de R$ 0,50 e R$ 1,00 faltam constantemente.

Essa dificuldade é sentida diariamente, seja na hora de comprar o pãozinho na padaria, na ida ao supermercado ou no momento de receber uma bala no lugar dos centavos faltantes.

O fato é que esse valor, mesmo sendo apenas “uns trocados”, é um direito do consumidor, e o comércio, por sua vez, sente-se desconfortável em não conseguir cumprir a transação nos valores exatos à negociação por meio das moedas, causando um enorme prejuízo coletivo.

Em São Mateus do Sul, as medidas para driblar a falta de moedas passam pelo apelo dos comerciantes aos clientes para a troca dessas moedas. Existem locais onde a recompensa por essa troca é efetuada.

A empresária Franciele Nadolny, comenta que inúmeros produtos possuem valores tabelados, os eximindo da possibilidade de arredondar seus valores nas etiquetas. “Vários clientes exigem, com todo o direito, seu troco de volta, provendo assim a nossa corrida por moedas no comércio local e muitas vezes utilizando das redes sociais para solicitar aos clientes que tragam suas moedas para trocar.”

Alguns comerciantes do município vêm investindo em campanhas oferecendo contrapartidas aos clientes que trocam suas moedas, é o exemplo do Supermercado Brongiel, que desde o ano passado oferece, a cada R$ 50 em moedas, um achocolatado. A campanha continua neste ano e segundo Márcio, a necessidade é muito grande, a oferta de moedas é muito pequena e o problema aumenta cada vez mais.

“Cada dia que passa, as pessoas vêm juntando as moedas com objetivos diversos”, afirma Márcio que vê a necessidade de uma campanha de conscientização da comunidade para todos serem beneficiados e aquelas moedinhas que ficam lá retidas, possam ser trocadas por notas e circular em benefício de todos.

Segundo o Banco Central (BC), a cada 10 moedas em circulação, só seis são usadas no dia a dia e as outras quatro estão guardadas. Há 112 moedas por brasileiro, cerca de R$ 28, mas 39% da população, carrega diariamente entre R$ 2 e R$ 3 em moedas. Uma em cada três moedas emitidas pela Casa da Moeda desde o início do Plano Real deixou de circular.

O BC estimou em agosto de 2017 que 35% das moedas produzidas desde 1994 estão paradas em algum lugar, e muito próximo de cada cidadão. Isto representa aproximadamente 8,7 bilhões de moedas que estão fora de circulação. O principal vilão para a retenção destes valores, tecnicamente chamada de entesouramento, são os populares “porquinhos”: cofrinhos onde se guardam as moedas.

Estima-se que R$ 1,4 bilhões, estejam depositados nos cofrinhos, gavetas e cantos de sofá. Ainda, de acordo com o BC, 5% de todas as moedas produzidas anualmente saem de circulação no mesmo ano, pelos mesmos motivos.

O hábito de guardar moedas nos acompanha desde criança, sendo um instrumento importantíssimo para a educação financeira infantil. Esta geralmente é a primeira experiência das crianças com o dinheiro. A cultura ainda se deve ao fato de sermos fruto de uma economia hiperinflacionária e de desprezo aos centavos. Tão logo as pegamos, as deixamos de lado.

O diretor da Casa da Moeda do Brasil (CMB), César Augusto Barbiero, comenta que precisamos nos sentir responsáveis em dispor novamente estas moedas ao mercado. “Basta juntar semanalmente os centavos que temos, e deixá-los na padaria, no supermercado ou em qualquer outro comércio. Esse cuidado, inclusive, pode fazer com que mais moedas estejam em nossas mãos, mas agora, de maneira circulante. Lembre-se: as moedas em nossa posse podem parecer apenas alguns centavos, mas somados, tornam-se milhões.”

Uma das formas encontradas para corrigir esta dificuldade, tanto pelas empresas ao proporem, quanto pelo consumidor ao acatar a ideia, é o arredondamento do valor a ser despendido.


As moedas em números, segundo o Banco Central

R$ 0,01 – começou a ser emitida em 1994 e deixou de ser produzida em 2004. No entanto, ainda existem no país pouco mais de 3,19 bilhões dessas moedinhas espalhadas em algum lugar, o que representa, 16 moedas de R$ 0,01 para cada brasileiro.

R$ 0,05 – ainda fabricadas, assim como as demais, totalizam 6,1 bilhões de unidades, aproximadamente 29 moedas por brasileiro.

R$ 0,10 – totalizam mais de 6,9 bilhões de unidades, sendo mais de 33 moedas em meio circulante por habitante.

R$ 0,25 – com praticamente 3 bilhões de moedas no mercado, a moeda de um quarto de real é uma das que mais são encontradas em circulação, embora sua proporção de 14 moedas por brasileiro seja consideravelmente menor do que as de outros valores em circulação.

R$ 0,50 – totalizam 2,8 bilhões de unidades, sendo 13 moedas à disposição de cada brasileiro. Por seu valor monetário considerável, sua escassez atrapalha as transações comerciais comuns no dia a dia.

R$ 1,00 – sua escassez é o grande desafio do momento. Com pouco mais de 3,1 bilhões de moedas em circulação, em torno de 15 moedas por brasileiro, é uma das mais requisitadas quando o assunto é entesourar.


Campanha: “Porquinho mais leve, porquinho feliz”

A Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL) de São Mateus do Sul questionada sobre seu posicionamento frente a situação, iniciou ainda nesta semana a campanha de conscientização: “Porquinho mais leve, porquinho feliz”, junto de seus associados e do comércio em geral.

A campanha visa colaborar com a circulação de moedas na economia local, incentivando o cliente a trocar as moedas que estejam guardadas por notas e continuar economizando.

Segundo a publicitária, Renata Santana, criadora da campanha, a intenção é colaborar com os empresários da região, “cada empresa pode usar este apelo e enriquecer com suas ações que já estão acontecendo”, comenta.

 

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