(Imagem Ilustrativa)

Vinha eu pensando sobre a criatividade. Todos estamos habituados com essa palavra, mesmo que não a falemos rotineiramente. E, embora sejamos criativos em diversos momentos do dia a dia, a maioria de nós responderá, se questionada, que não é muito criativa. Reportaremos essa qualidade a grandes mentes da história ou da atualidade, líderes de destaque em empresas de sucesso, personagens reais que alcançaram grandes conquistas através de seus inventos. Em nossa condição de simples mortais, parece ser mais cômodo acreditar que a criatividade é algo para seres iluminados. Mas, para a nossa alegria ou inquietação, não é bem assim.

Definida como uma capacidade criadora, ou ainda, uma inteligência nata ou adquirida para criar, inventar ou inovar, a criatividade está ao alcance de todos nós. Somos naturalmente criativos. Poderíamos dizer também, utilizando um simbolismo admirável, que as mulheres são biologicamente criativas, visto que o seu corpo é capaz de receber e gerar a vida. Não por menos, São Maximiliano Kolbe, padre polonês que morreu mártir no campo de extermínio de Auschwitz, redigiu em seus escritos que “a única força criativa é o amor”. Somente o amor poderia tê-lo impulsionado a ser voluntário para morrer de fome no lugar de outro prisioneiro, o qual chorava por ter esposa e filhos pequenos. E, na direção oposta, somente a ausência do amor poderia ter gerado o nazismo, o mais monstruoso dos projetos que ele próprio testemunhou, e do qual foi vítima. Logo, sem o amor, o ser humano torna-se destrutivo, e com ele, é capaz de doar a sua própria vida ou de gerá-la, essa a mais divina das forças da criação.

Mesmo apesar dessa amorosa relação, uma pesquisa estadunidense de 2015 concluiu que até mesmo as mulheres acreditam que a criatividade é coisa para homens. Tanto homens como mulheres associaram essa capacidade a traços como independência e ousadia que, por estereótipo, são masculinos. Já, os traços considerados femininos como cooperação e sensibilidade, não seriam as principais qualidades que impulsionam a criatividade, para a maioria dos entrevistados. Assim como a mim, tal pesquisa deve causar espanto ao amigo leitor, principalmente pela sua contemporaneidade. Até porque, nada mais sensato concluir que toda qualidade humana contribui para uma solução criativa quando necessária ou desejada. Seja uma mãe que mirabolantemente desvia o foco do filho para algo e, assim, ele deixe de chorar e até comece a sorrir, ou um pai que constrói um brinquedo com algum material que tenha mais facilmente em mãos, ambos farão uso de suas ideias, ambos farão uso, consciente ou inconscientemente, do amor que sentem pelos seus.

Por fim, é da nossa imaginação a capacidade de fazer perguntas e procurar as melhores respostas. E no ambiente corporativo não seria diferente. Muitas empresas se utilizam do Dia da Criatividade, em 17 de novembro, para estimular suas equipes a pensar “fora da caixa” e descobrir novas ferramentas, serviços e produtos mais eficientes. Ainda que muitos concluem que o fim último dessa ação seja apenas o aumento dos lucros, o que é bom e obviamente necessário para a sobrevivência de toda empresa, eu diria, também, que fornecer melhor qualidade de vida a toda uma cadeia de pessoas, sejam elas os próprios colaboradores ou o consumidor, é em essência, o propósito final. Trocando em miúdos, é o amor, mais uma vez, atuando como a única força criativa em nossas vidas.

Que as efemérides da vida nos ajudem a construir dias sempre melhores. Um cordial abraço!

Ingrid Ulbrich
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