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A força da mulher que sozinha criou os cinco filhos com muito esforço em seu restaurante

“A rodoviária acabou, tendo em vista como era antes e como está hoje. Eram milhares de pessoas da cidade, interior e outros vários lugares que tinham passagem marcada em passar pela estação que tinha comércio, banca e outros restaurantes. Agora sou eu com minha empresa e as agências, sem contar os funcionários da Prefeitura”, relata Danucha Przywitowski. (Foto: Alexandre Müller/Gazeta Informativa)

Na edição 160, a Gazeta Informativa trouxe a história de uma são-mateuense que assim como várias mulheres, se empenhou bravamente para criar, sustentar e educar seus filhos.

Danucha Przywitowski, de 74 anos, é a personagem desta edição de perfil que com certeza cativará muitos leitores. Uma história que teve seu ponta pé inicial no início dos anos 40, precisamente em 2 de setembro de 1943, quando veio ao mundo no interior da comunidade de Colônia Cachoeira, em São Mateus do Sul, a pequena descendente de poloneses, de lindos olhos azuis.

A jovem Danucha, tão logo alcançou os 21 anos, se casou e passou a morar mais próxima ao centro da cidade e teve cinco filhos: Marcia Regina de Lima, Hermes Leal de Lima, Cesar de Lima, Ederson Luiz de Lima e Juliana de Lima, e hoje já ostenta ser avó de 11 netos e 4 bisnetos, seus maiores tesouros.

O restaurante

Em meio às várias histórias que cercam a trajetória de Danucha, é importante ressaltar um capítulo essencial de quase 50 anos: a ligação com sua maior paixão, seu restaurante.

Tudo iniciou quando seu esposo, que trabalhava no antigo Banco Indústria e Comércio (INCO), foi transferido para trabalhar em uma agência que o faria ficar longe da cidade natal.

Não satisfeito com a determinação da empresa, pediu sua demissão e junto da esposa, adquiriram um ponto comercial na rodoviária municipal, antes mesmo dela ter sua sede atual, localizada na estrutura que hoje é o Shopping Fernando Toppel, na Rua Paulino Vaz da Silva, às margens da rodovia.

Como nem tudo na vida são às mil maravilhas, a jovem tempos depois de casada, se separou, e afirma que foi uma das atitudes mais sensatas que teve até hoje. Depois de separada, Danucha relata que a vida mudou completamente.

“Foi muito esforço, pois dei continuidade no trabalho com o restaurante e ao mesmo tempo tive de cuidar das cinco crianças sozinha. Trabalho e família, como pai e mãe ao mesmo tempo. Superei as dificuldades, encarei a dura realidade de anos atrás, e criei todos os filhos com o suor de meu trabalho. Meus filhos sempre estiveram pertinho da barra da minha saia.”

A felicidade

A experiente empresária, afirma que hoje é uma das pessoas mais felizes do mundo. “Meus filhos estão todos criados, todos trabalhando e muito responsáveis. Hoje a família batalha unida”, comenta Danucha.

Antigamente existiam poucos carros na cidade e a principal forma de transporte era através dos ônibus. A rodoviária era o ponto de passagem de veículos e pessoas, o movimento era intenso. “Naqueles tempos, os dias emendavam um no outro e não tínhamos descanso. Mal fechávamos as portas do restaurante. Hoje clamamos por movimento, há apenas uma migalha de ônibus e passageiros que apenas passam pela estação rodoviária.”

A matriarca confessa que sente saudades daqueles tempos. “Teve época que tive funcionários e até trabalhava menos, e depois das transformações no espaço e a diminuição pela procura do transporte rodoviário, temos de trabalhar por dois.”

Mesmo estando próxima de completar 75 anos, ela relata que inicia suas atividades logo às 5 horas da manhã, quando prepara o café e os salgadinhos para os primeiros clientes que costumam chegar por volta de 6h30.

Danucha comenta que ao longo de anos, muitos amigos e clientes sempre a questionaram sobre querer dar continuidade ao trabalho, mesmo depois de já ter alcançado certa idade. Mas a empresária, determinada por si só, jamais demonstrou interesse em parar e descansar. “Muitos ainda me questionam, o porque eu não paro, e afirmo com um sorriso no rosto, de que foi assim que pude viver minha vida, o dia que parar não saberei o que fazer.”

A empresária ainda hoje é a responsável principal do restaurante. Ela faz as refeições, os lanches, as frituras, as compras e coloca ordem em tudo, colaborando com os filhos que a ajudam. São cerca de 36 anos tocando o restaurante sozinha.

As lembranças

Os velhos e bons tempos são relembrados por ela, que traz do fundo da memória que seu empreendimento era um dos principais pontos de encontro na cidade e antes da reforma, em que a estação rodoviária passou, há cerca de 13 anos, possuía uma sacada, que dava visão à Avenida Ozy Mendonça de Lima. Ela relembra também, que vários grupos musicais que embalavam as festas na região, tinham encontro marcado em seu restaurante para fazer “aquele lanche” e aproveitar para tocar a sanfona animando seu coração.

“A rodoviária acabou, tendo em vista como era antes e como está hoje. Eram milhares de pessoas da cidade, interior e outros lugares que tinham passagem marcada em passar pela estação que tinha comércio, banca e outros restaurantes. Agora sou eu com minha empresa e as agências, sem contar os funcionários da Prefeitura”, menciona Danucha.

São cerca de 36 anos tocando o restaurante sozinha. A foto mostra como era a estrutra antigamente do restaurante na rodoviária. (Acervo Pessoal)

Ao ser instigada a recordar-se de um dos principais momentos de sua vida, Danucha lembra de quando foi solicitada pela Prefeitura Municipal a retirar tudo de seu restaurante em apenas 30 dias, pois a rodoviária passaria por uma reforma. “Eu não acreditei que teria de tirar tudo e sair dali, lugar que passei minha vida”, conta. E assim, passando os únicos 15 meses, longe de seu empreendimento.

Tão logo a reforma ficou pronta, a Prefeitura iniciou o processo de licitação dos espaços da nova estação rodoviária Guilherme Kantor e a empresária resolveu lançar-se na disputa, mas sem esperanças em ser a vitoriosa, tendo em vista os vários participantes que também objetivavam ter restaurante no mesmo local. Certa manhã, dias depois do processo licitatório, Danucha conta que foi surpreendida por determinada funcionária da Prefeitura que entrou em contato com ela, afirmando que havia ganho o processo, pois era a única concorrente que estava com todos os documentos necessários para dar início às atividades.

A partir daí um novo capítulo de sua história foi iniciado, e desde então, mesmo com todas as diferenças da tradição, Danucha está a todo vapor, fazendo o que gosta, junto de sua família e vendo a nossa cidade crescer, mesmo que distante dos corredores quase vazios da estação rodoviária.

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