(Imagem da internet)

O assunto dessa semana foi planejado há um mês: a fotografia, celebrada no dia 19 de agosto. A capacidade que ela possui de reter a nossa atenção, gerando emoções e reflexões acerca da mensagem transmitida, é inquestionável. O fotojornalismo se utiliza muito dessa propriedade para dar mais valor à informação. Ao observarmos a imagem de uma notícia, muitas vezes, ela nos fala por si só, principalmente, se o fotógrafo conseguiu capturar o “momento decisivo” da cena ou da pessoa retratada.

O tema da fotografia para essa coluna, no entanto, foi escolhido nesta semana. O Supremo Tribunal Federal vem roubando a cena em nosso país e sendo o assunto central das conversas políticas, sejam elas a favor ou contra o governo. Dentre todas as imagens do STF pesquisadas, esta que ilustra a coluna foi a mais imponente. Além de retratar ministros da mais alta instância do poder judiciário, o que ela mais nos faz lembrar? As togas, em especial, que são as vestimentas negras a cobrir todo o corpo dos ministros, são a pura representação do poder, uma característica de quem as usava desde a sua origem na Roma Antiga. Os magistrados caminham em fila, provavelmente para mais uma sessão, onde abordarão assuntos de extrema relevância e suas decisões irão impactar a vida de todos nós brasileiros, mais dia, menos dia. E, sem menos importância, surge em primeiro plano, a faixa divisória com as palavras STF – Supremo Tribunal Federal – para lembrar, aos meros mortais, que existe uma distância a ser mantida dos supremos. Portanto, julgo ser esta, uma inegável “Fotografia do Poder”.

Um poder que não fica apenas nas representações não verbais do Supremo. A prisão do ex-deputado Roberto Jefferson, expedida pelo Ministro Moraes, veio aumentar o número de presos políticos do Poder Judiciário. Seu crime? Falar coisas descabidas em meio a verdades, sem contar o fato de ser um apoiador do atual governo. Outro exemplo de atentado contra a liberdade de expressão, surgiu através do Ministro Barroso, onde o TSE ordenou que as redes sociais bloqueassem verbas para determinados canais ou perfis, porque caracterizam “desinformação”. Instituições do Estado, sabem por fim, o que eu e você podemos ouvir, falar e pensar. Como bem disse o Deputado Federal Luiz de Bragança, “sem livre expressão, a comunicação vira permissão de Estado” e o Estado, nesse caso, vem sendo confiscado pelo Supremo, paulatinamente.

Na Constituição existe um Parágrafo Único que diz “Todo poder emana do povo.” Será? Segundo a Folha de São Paulo, o supremo Moraes atuou nos bastidores e consolidou a união de 11 partidos contra o voto impresso e auditável, pauta constante nas últimas manifestações pró-democracia. A possibilidade de uma conferência dos votos, em caso de denúncia de fraude no sistema eletrônico, traria benefícios a todos os candidatos, independente de partido ou viés ideológico, e maior confiança no processo eleitoral por parte dos eleitores. Mas, ao citar o voto auditável, o ministro Barroso fala em “confusão e golpe”. Agora, após derrotar essa pauta, o Legislativo segue para a votação urgente de uma reforma eleitoral para 2022, com a volta de coligações partidárias e outros penduricalhos.

Vale lembrar: é a separação dos poderes que permite equilibrar a balança do poder e evitar o seu abuso, na medida em que cada um dos Três Poderes deve fiscalizar o outro. Esperemos em breve, intitular uma imagem do Supremo como uma “Fotografia da Justiça”, pois este é o fim último do poder que ele detém.

Que as efemérides da vida nos ajudem a construir dias sempre melhores. Um cordial abraço!

Ingrid Ulbrich
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