Imagem onde hoje encontra-se o Lar São Mateus do Sul. (Foto: Acervo
Rodrigo de Castro )

Há muitos anos é discutida a proposta de ampliar o Hospital Dr. Paulo Fortes ou até de construir um novo hospital em São Mateus. Sei que este assunto tem evoluído e reconheço o esforço dos gestores, mas, assim como o asfalto para Irati, essa parece ser uma daquelas novelas sem fim, uma gestação que apresenta as dores do parto, mas não permite o nascimento da criança… Bom, mas a fundação do nosso hospital também teve uma “gestação” longa. Embarque comigo nessa história!

Um grande marco para a saúde são-mateuense foi a chegada do médico Paulo Fortes, em 1918, trazido da Lapa por Luiz Damaso e Moysés dos Santos Lima. Mas todo o atendimento era feito na casa dos pacientes, pois a cidade não dispunha de um hospital ou mesmo uma enfermaria. Porém, em julho de 1919, ocorreria um fato que iniciaria a mudança deste quadro. Na localidade de Porto Feliz, um trabalhador sofreria um acidente grave, vindo a queimar grande parte do seu corpo. O rapaz foi trazido para São Mateus do Sul e certamente não resistiria a ser transportado para Curitiba. O doutor Paulo Fortes, precisando agir com rapidez, transformou uma cela da cadeia pública num quarto improvisado e, literalmente, se “aprisionou”, atendendo o paciente.

O correspondente do jornal Diário da Tarde, de Curitiba, relatou: “Tivemos ocasião de assistir aos curativos feitos diariamente pelo Dr. Fortes. Toda a região dorsal do pobre operário, as axilas, os braços, apresentavam horríveis ferimentos produzidos pelas queimaduras. Todos os que tiveram o ensejo de visitar o operário Haier no seu catre sem conforto, sem higiene, foram unânimes em reconhecer a necessidade urgente de ser fundado um hospital nessa cidade”.

O mesmo jornal noticiaria: “Por iniciativa do humanitário clínico Dr. Paulo Fortes, cogita-se fundar nesta cidade um hospital de caridade”. A cidade empenhou-se na arrecadação de donativos, que eram enviados a uma comissão liderada pelo próprio médico e por David de Paula e Silva. Ainda em 1919 foi adquirido um prédio e iniciado os reparos no mesmo para transformar em enfermaria. Mas a “gestação” seria longa. O local improvisado já começaria a ser chamado de “hospital”, tanto que em 1924 a Assembleia Legislativa aprovaria o projeto de lei nº 56/24, “concedendo ao Hospital de São Matheus, da cidade do mesmo nome, um auxílio de 200$000 mensais”.

A oficialização da entidade ocorreria apenas em 20 de janeiro de 1929, tendo como fundador o próprio Dr. Paulo Fortes. O hospital funcionou primeiramente na atual avenida Ozy Mendonça de Lima (ao lado do antigo Colégio das Irmãs, que nessa época ainda não havia sido construído). Algum tempo depois, com o aumento da população, foi necessário ampliar o atendimento, e o hospital foi mudado para a rua 21 de Setembro (foto que ilustra essa coluna, cedida pelo amigo Rodrigo de Castro), onde hoje funciona o Lar São Mateus. O médico Paulo Fortes, que havia se tornado prefeito e deputado estadual, faleceria em 1951, e o hospital passaria a se chamar “Hospital e Maternidade Dr. Paulo Fortes”, numa justa homenagem.

No final da década de 50 iniciava-se a construção de um prédio moderno que abrigaria o novo hospital, mas como uma nova “longa gestação”, a conclusão da obra só ocorreria em 02 de dezembro de 1967, com apoio da Petrobras.

Agora, em 2019, quando completamos 90 anos da fundação oficial e cem anos da “primeira gestação”, ficamos na torcida para que possamos narrar mais um capítulo desta história, e que essa nova “gestação” chegue ao fim com um desfecho positivo, para que o nosso querido hospital siga fazendo pela cidade tudo o que o grande doutor Paulo Fortes sonhou.

Até a próxima semana e céus limpos para todos nós!

Gerson Cesar Souza
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