(Fotos: Acervo Pessoal)

O espalhamento do novo coronavírus (Covid-19) pelo mundo produziu impactos na vida de todos os indivíduos do planeta. O conceito de comunidade, oriundo da Ecologia, postula que o conjunto de populações de diversas espécies que habitam uma mesma região, num determinado período, caracteriza a vida comunitária. Extrapolando para os dias atuais, o fato é que as comunidades humanas estão vivendo uma situação de dimensões há muito não vistas, o que ocorreu há aproximadamente um século, com a Gripe Espanhola. O ser humano está buscando a adaptação e a superação frente a esse cenário, em escala global.

A gestação é um dos momentos mais especiais e simbólicos na vida das mulheres. Essa época marcada por tantas alterações e emoções, tornou-se ainda mais intensa durante o período de quarentena imposto pelo Covid-19. Franka Cadée, presidente da Confederação Internacional de Parteiras, afirmou que o medo e a ansiedade podem afetar esse momento feliz. “Apesar de toda a insegurança, a orientação médica e o acompanhamento devem continuar acontecendo. A flexibilização e o atendimento remoto são importantes, pois evitam que a gestante se desloque sem necessidade às unidades de atendimento. No entanto, nos casos em que o atendimento presencial é indispensável, ele certamente deverá ser realizado”, declarou ela.

Os desafios da gestação em período de quarentena demonstram a força através da qual as mulheres superam essas circunstâncias. O amor da família é essencial para que isso se torne concreto. Confira abaixo, o depoimento de quatro mães são-mateuenses, que ilustra o cenário e as perspectivas delas enquanto mães e mulheres.

Mães e mulheres são-mateuenses

Cássia Santos é mãe do pequeno João Victor. Ela comentou sobre os momentos que antecedem o parto. “Trabalhei até março e precisei me afastar devido ao Covid-19. Não saía de casa se não fosse para as consultas, sempre de máscara em todos os lugares. Isso foi muito importante para cuidar da minha saúde e do meu filho”, declarou ela. Sobre o parto em si e a atuação da equipe médica, ela também relembra. “Quando comecei a entrar em trabalho de parto, fiquei o que eu pude em casa, até chegar no hospital. Meu filho nasceu meia hora depois. A equipe médica estava toda equipada e protegida e em cada porta do hospital havia álcool em gel para higienização. As profissionais dos serviços gerais mantinham tudo bem limpo”, comentou ela.

Cássia e o filho João Victor estão compartilhando os primeiros momentos sozinhos, em decorrência das normas de proteção relativas ao Covid-19.

O distanciamento social está promovendo algumas separações momentâneas importantes na vida das pessoas. “Não tive contato com quase ninguém e não pude receber visitas. Fiquei um pouco triste, pois toda a minha família e meus amigos queriam conhecer o meu bebê. Mas sabemos que tudo isso é muito importante para a nossa proteção”, encerrou Cássia.

A chegada das crianças

Gisele Wroblewski Sachinski é mãe de Emanuel e de Anthony Lucas, nascido em São Mateus do Sul, no início do período de quarentena. Ela destacou a enxurrada de informações e alarde na época. “O Anthony Lucas nasceu nos primeiros dias de março, quando estava começando a movimentação sobre o Covid-19. A maternidade estava iniciando a tomada de medidas de segurança, mas não tínhamos real noção do que estava por vir. Foi uma época com mescla de alegria e insegurança”, disse ela.

Anthony Lucas nasceu nos primeiros momentos da quarentena em nossa cidade e vive o isolamento social ao lado da mãe Gisele e do pai.

Sobre os sentimentos vividos no momento, ela recorda. “No começo o que preocupou foi a angústia para achar produtos básicos, como o álcool em gel. Com o tempo isso se tranquilizou. O que marcou muito desde o início, foi o isolamento e o medo de contágio, impedindo que a própria família e os amigos pudessem conhecer o neném. Todos puderam conhecê-lo, mas de uma maneira diferente, através de fotos e redes sociais. Ter um recém-nascido nesse momento é estar mais atento do que o normal”, declarou Gisele. Apesar disso, ela também destaca o amor envolvido na situação. “Nesse novo cenário precisamos nos adaptar. A vida do Anthony ficou mais restrita por enquanto, mas as incertezas jamais serão maiores do que as alegrias de cada risada e cada momento no qual estamos pertinho do nosso filho”, finalizou ela.

Gestações de risco e a força da mulher

Jaqueline Iozwiak é mãe da pequena Vitória. O trabalho, as relações pessoais e a gravidez de risco são fatores que ela recorda. “Minha gravidez foi conturbada desde o início, pois era de risco. Precisei deixar meu emprego numa fábrica de torneiras, contraí diabetes gestacional e meu cardiologista me recomendou repouso absoluto. O término da minha relação com meu companheiro, nos últimos meses da gestação também exigiu muita força de mim. Meu acompanhamento médico estava sendo feito em União da Vitória, mas consegui que o parto fosse realizado aqui em nossa cidade”, comentou ela.

Jaqueline enfrenta as dificuldades de trabalho e sobrevivência para que a pequena Vitória continue iluminando cada vez mais a vida da mãe.

A mãe também recorda os momentos do parto e aqueles posteriores ao nascimento da filha. “Eu tinha medo de falecer no parto, pois havia essa possibilidade. Todos se compadeceram da minha situação e me ajudaram muito. As enfermeiras foram como mães. O que me preocupou bastante, foi a chegada em casa. Cuido sozinha da minha filha e estou desempregada, além da pandemia complicar essa situação. Só saio de casa para consultas e vacinas e estou vivendo com a ajuda dos amigos e das instituições. Meu neném vai completar um mês e apesar de batalhar muito, vamos seguindo em frente”, encerrou ela.

A ansiedade dos familiares

Jullye Maynary é mãe de Gael Mathias. Ela recordou a ansiedade que permeia o ambiente familiar durante o parto. “Como não podíamos receber visitas e nem ter acompanhante por causa da pandemia, apenas uma pessoa pôde conhecer o bebê e foi minha mãe. A tensão era grande do lado de fora, pois minha família estava ansiosa e recebendo imagens e notícias através do celular. Continuamos isolados nesse momento e todos os nossos familiares e amigos estão desejando muito conhecer o Gael”, revelou ela.

A mãe também comentou sobre a importância desse isolamento no momento. “No início de maio, eu e meu filho recebemos alta. Esse período está sendo muito difícil, mas para a saúde e o bem-estar de todos nós, não estamos recebendo visita. Eu também destaco todo o cuidado tomado pela médica e pelas enfermeiras que realizaram o parto, que foi muito importante já nos primeiros instantes de vida do meu filho”, concluiu Jullye.

O pequeno Gael Mathias está vivendo seus primeiros dias ao lado da mãe e de sua companheira, pois o afastamento é muito importante nesse momento.

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