(Imagem Ilustrativa)

Lembrei-me de uma palestra que assisti há uns bons vinte anos, onde o palestrante já abordava o problema da enxurrada de informações. Ele citava que há 40 anos – hoje 60 anos – toda a informação que uma pessoa comum precisava para uma vida toda era equivalente a uma edição de fim de semana da Folha de São Paulo, em suas edições em papel.

Outra afirmação dele, que continua atual, é a de que a tecnologia avança em incrível velocidade, porém o homem e seu cérebro, possuem as mesmas características, o mesmo “hardware” de milhares de anos atrás. Só que esse cérebro se viu obrigado a absorver mais e mais informação, sob pena de ser considerado ultrapassado.

Agora, lendo um artigo de um professor de Neurologia, um americano chamado Adam Gazzaley, começo a compreender ainda mais o pensamento do palestrante citado. Gazzaley afirma, e acho que todos concordamos, que nossas vidas melhoraram surpreendentemente no último século. Somos mais saudáveis, mais abastados e alfabetizados, menos violentos e com vida mais longa.

A era da informação nos ofereceu a oportunidade de expandir nossa consciência e nos conectar uns com os outros como nunca, ajudou a reduzir as desigualdades e proporcionou educação para pessoas que não têm acesso a professores ou instituições de qualidade.

Apesar disso, estamos numa crise emergente, ainda não reconhecida plenamente, uma crise de cognição. Não por falta de informação, conhecimentos ou habilidades. Mas uma crise na essência do que nos torna humanos: a relação de nosso cérebro com o ambiente em que estamos inseridos.

Numa visão mais primitiva, básica, usávamos a nossa inteligência para perceber e fugir de perigos, identificar nutrientes, evitar toxinas. Com o tempo fomos desenvolvendo nossa capacidade inventiva e todas as nossas habildiades de interação lógica e emocial com o meio.

Porém, hoje, centenas de milhões de pessoas em todo o mundo procuram assistência médica para deficiências graves em sua cognição, surgindo doenças como a depressão, a ansiedade, esquizofrenia, hiperatividade e tantos outros transtornos mentais. E isto tem crescido assustadoramente.

O cérebro humano simplesmente não acompanhou as mudanças dramáticas e rápidas em nosso ambiente – mais especificamente a introdução e onipresença da tecnologia da informação.

Para Gazzaley, as conseqüências negativas da tecnologia da informação estão sendo reconhecidas pelos empresários que as criaram e pelos consumidores que as devoram vorazmente. Então, surgem novas idéias sobre como podemos modificar nosso comportamento para promover hábitos mais saudáveis de envolvimento com software e dispositivos, de modo que nos mantenhamos no controle e não a tecnologia nos controle.

É mais ou menos como a obsidade gerada pela gula. Temos que aprender a fechar a boca, assimilar alimentos de maior qualidade e praticar exercícios regularmente para um corpo mais saudável. O mesmo vale para a as informações e para a tecnologia da informação. Precisamos continuar praticando, exercitando nossas habildiades humanas, para uma mente saudável.

Adnelson Borges de Campos
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