Religiosidade

A história da igreja ucraniana Sagrada Família de São Mateus do Sul

A Igreja Sagrada Família está localizada na Vila Prohmann e possui celebrações três vezes ao mês. Comunidade ainda em construção, batalha para concluir a obra e manter a cultura e tradição ucraniana. (Fotos: Cláudia Burdzinski/Gazeta Informativa)

A Ucrânia é um país localizado na Europa Ocidental que possui fronteira com a Federação Russa. Tendo como destaque cultural toda sua produção artesanal, o país é referência na complexidade e detalhamento que as obras de arte, bordados e cultura distinta apresentam para a gama artística do lugar. Produtos como bonecos, ovos decorados, artesanatos e xilogravuras são elaborados para reproduzir toda alegria do povo que vive no país. Sem falar da gastronomia de requinte para os apreciadores de um bom prato típico.

Embasado nisso, como muitas culturas espalhados mundo à fora, a Ucrânia retrata todo esse carisma e cuidado de detalhes em sua religião, uma das principais formações cidadãs dos que moram no país ou que são descendentes do povo. Em São Mateus do Sul não é diferente, desde fevereiro de 1999 a primeira comissão administrativa foi criada, intitulando dessa maneira a organização da igreja dedicada ao rito ucraniano, sendo a única presente no centro município. O município também conta com a Igreja Ucraniana Transfiguração de Nosso Senhor Jesus Cristo localizada na comunidade do Mico Magro.

A Igreja Sagrada Família de São Mateus do Sul pertence à Paróquia Menino Jesus de Canoinhas – Santa Cataria desde 2015, onde foi oficializado esse ato, a igreja tem como padroeiro a Sagrada Família, onde traz consigo uma belíssima estrutura que é destacada por muitos moradores da região. O padre Daniel Horodeski reside na paróquia e atende nos finais de semana com missas e outras celebrações.

A igreja ucraniana em São Mateus do Sul faz parte da paróquia juntamente com a Igreja Nossa Senhora Aparecida – Colônia Ouro Verde; Igreja Nossa Senhor do Perpétuo Socorro – Três Barras e Igreja São Demétrio – Rio D’Areia do Meio. Vale a pena salientar que o Santuário Nossa Senhora dos Corais do município de Antonio Olinto não faz parte desse grupo.

Segundo o Padre Neomir Dooplat Gasperin, “nós ucranianos estamos em maioria na quarta e quinta geração de descendentes destes pioneiros ucranianos. Muitos costumes e tradições foram e vão sendo deixados para trás em cada nova geração que surge. É um fenômeno natural; é impossível transmitir fielmente tudo o que recebemos, sempre haverá danos. No entanto, na etnia ucraniana apesar de toda esta distância das raízes primeiras, ainda se conserva muitos costumes e tradições da cultura oriental”, destaca.

Alguns costumes são peculiares da religião comparado ao rito latino. Muitas vezes o rito latino é categorizado como católico e o ucraniano como se fosse algo completamente diferente. “A igreja ucraniana ela é católica também, apenas o rito é diferente. A Paróquia São Mateus por exemplo é do rito latino, e nós ucranianos trabalhamos o rito bizantino. Apenas a maneira de celebração da missa é diferente porém a fé, os sacramentos e a religião é a mesma católica”, explica Odária Popovicz Nizer, presidente da comissão administrativa da Igreja Sagrada Família.

Segundo Odária, “muitos podem ser batizados na igreja de rito latino e se casar na de rito bizantino e vice-versa”, conta.

Uma curiosidade é que nas igrejas ucranianas não há a presença de estátuas dedicadas à santos, apenas pinturas em quadros. Outro lado diferente é de que o padre reza a missa de costas para os fiéis, e as cores tradicionais o rito latino são aplicados de maneira diferente no rito bizantino. “Realizamos muitas parcerias com as paróquias do rito latino em nosso município, como por exemplo o enfeite de tapetes do Corpus Christi”, diz a coordenadora.

“Fiéis da igreja ucraniana, preservar o rito próprio é contribuir para o enriquecimento da igreja do Cristo. Não vamos pensar que a igreja católica é composta somente pelo rito romano latino, este com certeza é o maior em número de fiéis, porém, mesmo neste, há vários outros ritos menores que desconhecemos. Essa diversidade de ritos unidos numa só fé é a maior riqueza que a igreja católica” tem, defende o padre em sua fala.

Um dos diferenciais também desse rito é a cúpula (tipo de teto em forma semi-esfera) que está presente na belíssima estrutura da igreja são-mateuense. Iniciando o projeto em 2009, ele findou-se em setembro de 2010 com a benção da pedra fundamental.

Muitos são-mateuenses colaboram com a igreja com doações e artesanatos. A artesã Cláudia Pelech bordou inúmeras toalhas para deixar a igreja mais bonita; Michalina Kovalski foi a responsável pela doação de mais objetos, e Eugênia Litwinski pintou quadros que decoram as dependências da igreja.

Se você quer conhecer ainda mais sobre esse rito e colaborar com a Igreja Sagrada Família de São Mateus do Sul, ela está localizada na rua Tenente Max Wolf Filho, 1597, Vila Prohmann.

Estudante de Jornalismo que adora escrever e conhecer um pouco sobre a vida e a história de cada pessoa envolvida. Preza pela essência que é repassada na produção de cada matéria, valoriza os pequenos gestos e apoia o ativismo ambiental. E-mail para contato: claudia@gazetainformativa.com.br

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