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A história da são-mateuense que já percorreu mais de 10 mil quilômetros

Conheça Rute Mayer de Lima, são-mateuense que traduz sua vida na prática de esportes e tem como meta a qualidade de vida. (Foto: Alexandre Müller/Gazeta Informativa)

A filha número seis dos oito filhos do casal Benedito Ribas de Lima (em memória) e Maria da Luz Mayer de Lima, lembra que seu pai trabalhava no Departamento de Estradas de Rodagem (DER) e a família toda veio para São Mateus devido ao emprego do pai. Posteriormente ele começou a trabalhar na Petrobras, onde se aposentou.

Exemplo para muitas crianças que não gostam de praticar atividades físicas, Rute recorda-se emocionada dos tempos que adorava participar das aulas de Educação Física e ainda lembra dos nomes de seus professores no Colégio Estadual Duque de Caxias, Mariane Dídimo e Luiz Budzinski.

Logo após o colegial, a jovem com seus 16 anos traçou seus caminhos à cidade de Curitiba onde conheceu as atividades das academias e começou a vigorar sua endorfina, hormônio do bem-estar. Em 2000 retornou a São Mateus do Sul com uma filha de dois anos tomada pelo desejo de propiciar a ela uma vida mais tranquila, longe da movimentação de uma cidade grande para que a pequena tivesse a mesma infância que a mãe teve, podendo brincar na rua e se divertir de forma saudável.

Novamente em São Mateus do Sul e já com mais experiência, a mãe da pequena Mariana Mayer de Lima continuou com as atividades na academia, começando a correr com o incentivo da professora de dança Emanuaella Tonon que teve a ideia de criar uma equipe feminina de corrida para participar da volta de São Francisco, litoral catarinense há 10 anos. “Comecei devagarzinho, além de começar a andar de bicicleta”, lembra Rute que satiriza, “levei um chapéu das amigas, pois aquela equipe nunca saiu dos planos, mas mesmo assim dei continuidade aos treinamentos”.

Rute conheceu alguns amigos que praticavam corrida na cidade e foi incentiva por eles a dar início a sua jornada nas competições, participando de campeonatos em Curitiba, União da Vitória, Canoinhas, Ponta Grossa e várias outras cidades, “eu fui uma atleta muito competitiva”, garantiu e ainda complementou, “andei muito de bicicleta, sempre em estradas do interior de São Mateus do Sul rumo a Curitiba ida e volta, mas abandonei por se tratar de um esporte muito caro, devido os acessórios”.

“Tive duas corridas significativas em minha vida, uma delas foi a minha primeira meia maratona que foram 21 quilômetros e mais 970 metros na cidade de Curitiba há cerca de 6 anos, onde na chegada desabei em emoção por ter conseguido superar meus limites e chegar bravamente ao final. Outro momento foi a corrida em comemoração ao 106º aniversário do Coritiba que percorri 10 quilômetros e na chegada que foi dentro do estádio, me emocionei pisando no gramado do meu time do coração diante lágrimas”, lembra Rute que ao longo de anos já foi muitas vezes ao pódio em importantes provas.

Os tempos passaram e hoje a atleta competitiva centra suas atenções ao neto Vicente que tem apenas 4 meses, e sua competição agora é controlar o coração, “fui muito competitiva e hoje penso mais em curtição, buscando incentivar mais pessoas a participar de práticas esportivas que é muito bom”, destaca Rute que se emociona quando menciona a filha e o neto, “sou uma avó babona”.

No Caminho da Fé

A atleta que também é devota de Nossa Senhora Aparecida já percorreu três vezes o popular Caminho da Fé. Inspirado no milenar Caminho de Santiago de Compostela (Espanha) o caminho é destinado às pessoas que peregrinam ao Santuário Nacional de Aparecida (São Paulo).

O primeiro contato de Rute com o Caminho da Fé foi em fevereiro de 2016 onde percorreu sozinha, “junto de minha mala e guiada por Nossa Senhora”, 417 km, partindo da cidade de Tambaú em São Paulo onde caminhou 12 dias até chegar em Aparecida. O caminho oficial até o santuário inicia na cidade de Águas da Prata em São Paulo e o percurso oficial é de 315 km, a atleta fez um caminho alternativo ainda mais longo e difícil. Em seguida Rute acompanhada de sua irmã percorreu 170 km em dezembro de 2016, iniciando na cidade de Estiva em Minas Gerais, e o terceiro momento foi no final de 2017, onde partiu de Paraisópolis, São Paulo e percorreu 150 Km.

Rute durante suas viagens. (Acervo Pessoal)

“Durante o dia você caminha quilômetros em estrada de chão, toda sinalizada e durante a noite descansa nas pousadas. Recebemos uma credencial e em todas as cidades que paramos temos de recolher um carimbo para oficializar nossa passagem. Quando chegamos em Aparecida recebemos um certificado diante a apresentação da credencial de todos os pontos”, Rute conta como é a jornada diária pelo percurso.

Segundo a atleta, ela teve como objetivo fazer o caminho três vezes seguidas com o intuito de valorizar-se, “é algo maravilhoso e decidi fazer o caminho para me conhecer melhor, pois muitos objetivam a fé, os desafios. O caminho é algo mágico, onde você vê o mundo diferente, você se conhece. É indescritível, para conhecer esse sentimento é só fazendo o caminho para saber”.

Rute garante que quem tem interesse em percorrer o caminho deve ter preparo e consciência, nos três momentos do percurso ela afirma nunca ter se machucado, algo comum aos peregrinos que se aventuram pelas estradas interioranas dos estados de São Paulo e Minas Gerais até chegar à Aparecida, “graças a Deus nunca tive sequer uma bolha nos pés, coisa normal para a maioria dos peregrinos”.

A sonhadora afirma querer viajar pelo mundo e conhecer outras pessoas Brasil à fora, e deseja ver muita gente praticando algum tipo de atividade esportiva. “Não sou uma pessoa gananciosa, não me apego as coisas materiais, pois estamos aqui de passagem e tem muita coisa boa para fazermos em vida”.

Rute já percorreu mais de 10 mil quilômetros dentre corridas, caminhadas e pedaladas. O Caminho da Fé é um percurso que os peregrinos devotos da padroeira do Brasil percorrerem rumo a cidade de Aparecida em São Paulo. A são-mateuense guarda consigo três participações realizadas nesse trajeto. (Foto: Alexandre Müller/Gazeta Informativa)

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