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A história de um pai que é feito do amor sanguíneo e do amor de coração

Marco, Edson e Daniel, que fazem do carinho paterno, um carinho que é repassado para as pessoas em sua volta. (Fotos: Cláudia Burdzinski/Gazeta Informativa)

Edson Gislon Dacoregio, de 37 anos, acredita que a paternidade é algo natural, algo que todo homem acaba procurando no seu devido tempo. “Como todo rio corre para o mar, ser pai e a constituição da própria família é um sonho de todo homem, tudo isso faz parte da natureza da gente”, ressalta.

Desde o início do matrimônio, o sonho e a procura da construção de uma família foi tomando conta tanto da vida de Edson, quanto na vida da esposa, Sheila Katia Smiguel Dacoregio, casados há 18 anos. A tentativa para a concretização disso acabou se tornando cada vez mais difícil. Acabaram recorrendo para exames e tratamentos médicos no Centro Paranaense de Fertilidade, e até o final de 2007, não obtiveram nenhum resultado positivo, deixando-os sem a esperança da realização do sonho.

Após isso, o surgimento da proposta de adquirir a guarda de uma criança se tornou o motivo para novamente, a aproximação do ideal familiar tanto desejado. A prima de Sheila estava passando por uma vida conturbada, e a chegada de mais um filho dificultaria toda maternidade da moça e consequentemente a vida da criança, fazendo dessa forma, que a guarda fosse concedida para Edson e Sheila. A decisão se concretizou no oitavo mês, e todo esse tempo, foi dedicado para a preparação da vinda do pequeno Daniel. Chegando com apenas 3 dias de vida, Endriu Daniel Smiguel Dacoregio, ganhou uma nova família e uma esperança de uma melhor condição de vida.

“Acredito que para o homem é um tanto quanto diferente porque o homem não fica gestante. Ele pode até acompanhar a gestação da mulher, mas ele não a vivencia no corpo. O ato de conceber a adoção para mim, foi um ato de acompanhar uma gestação de alguns dias. Eu jamais tinha me preocupado ou pensado em adoção, eu não acreditava que todos os caminhos estivessem sido esgotados para ter um filho natural, então, eu não me preocupava com isso, mas a chegada de Daniel foi muito bem preparada”, admite Edson.

Daniel chegou em São Mateus do Sul no dia 29 de janeiro de 2008, e no dia 14 de fevereiro do mesmo ano, Sheila descobriu que estava grávida. “A partir disso, que começa a se desenhar uma história diferente”, conta o pai. Mas a gestação não foi simples, “a gravidez de Sheila foi bastante complexa, com momentos de internações, cirurgias, remédios controlados e tudo mais”.

Vivenciando a gravidez de alto risco da esposa, uma gestante com enorme dificuldade para cuidar de Daniel, Edson se responsabilizava pelas 3 vidas, que agora dependiam extremamente dele. “A Sheila me passava as dicas para dar banho, trocar e tudo mais. Levar o Daniel na consulta médica era eu que levava, ela não podia porque não conseguia subir escadas, o deslocamento dela era complicado, e todas essas responsabilidades com o bebê foram atribuídas a mim”, conta.

Dessa forma, a ligação e aproximação de Daniel e Edson foram ganhando traços específicos e muitos acontecimentos próprios que ilustram a vida dos dois. “Tem cenas curiosas como, um dia cheguei em um shopping e como de praxe eu precisava trocar meu filho, fui até o fraldário mas não pude entrar porque lá dentro havia uma mãe amamentando a criança. Tive que esperar a mãe terminar de lactar para entrar no fraldário. Outra vez preparei uma mamadeira para ele de madrugada, e algumas vezes eu acabava cochilando e o leite iria parar na orelha, foram 8 meses de bastante adrenalina”, conta.

Pai e filho fizeram de momentos como este, a concretização de forte ligação entre os dois. Quando Marco Antônio Smiguel Dacoregio nasceu, o segundo filho, a expansão de toda essa ligação se multiplicou e ultrapassou todos os limites possíveis para o verdadeiro significado de amar. “Foi engraçado porque o Marco veio para o quarto e a enfermeira comentou que precisava trocar ele, e que já voltava para fazer isso, quando ela voltou eu já tinha trocado”. A esposa valorizava a agilidade e facilidade do marido em assuntos como este, “aliás, eu tinha 8 meses a mais de experiência do que ela”.

Hoje, ambos com 8 anos, a relação dos filhos com o pai é um vínculo de união e respeito. Sabendo da verdadeira história desde o começo, os irmãos não distinguem e tratam de maneira diferente todo esse fato que faz parte da vida dos dois. Muito pelo contrário, fazem da cumplicidade uma forma de ligação entre eles, que apesar das personalidades diferentes (como qualquer irmão), expressam do jeito próprio o amor pelo pai. “O Daniel é mais elétrico, precisa de adrenalina na brincadeira dele sempre. Marco é intelectual, os jogos precisam ser dos que explorem mais a inteligência”, conta-nos Edson. O tratamento educacional entre os dois, é completamente igualitário.

“Falar de adoção é um tanto quanto complexo para quem olha de fora, mas para quem vive essa experiência de amor é maravilhoso, completamente envolvente, é uma experiência única. Você acaba se dedicando a uma vida de um ser em que você não tem ligação nenhuma de sangue, mas isso acaba inundando dentro de você de tal maneira que chega a um ponto que não tem distinção da diferença entre o amor de um filho de sangue e um filho de coração. O amor é profundo, o amor não escolhe. O fato de eu amar o Daniel e o Marco, é amá-los igual.”

Família Dacoregio, que se torna exemplo de família baseada em sentimentos reais.

Dos filhos para o pai

O amor sincero é o amor que não busca no limite físico sua expressão, mas sim, no quão ilimitado somos quando nos baseamos no valor sentimental para demonstrá-lo da melhor maneira possível. E nada como ler o depoimento dos seus filhos, para recompensar tudo que já foi vivido.

“O nosso pai é bem legal, e arruma muitos problemas de computador. Nosso pai faz tudo, e faz um ritual: toda vez que almoça ele dorme, e faz a mesma coisa todo dia. Ele gosta de comer maçã depois do almoço e faz uma sopa branca muito boa. Ele brinca com a gente, assiste e leva a gente andar de bicicleta. Quando ele ficar velhinho vamos cuidar dele. Desejamos para ele uma vida boa, com muita criatividade, e que ele descanse bastante, queremos que ele sempre seja feliz e que esse dia dos pais seja o melhor”, desejam Daniel e Marco para o pai Edson.

Não é por coincidência que a palavra pai rima com cuidai

No próximo dia 13 de agosto comemora-se o dia dos pais, e a Gazeta Informativa faz essa singela homenagem para Edson, que demonstra no seu cotidiano o real sentido da palavra pai.

Independente se seu pai for de sangue ou de coração, o agradecimento por tudo que ele já fez em sua vida merece ser compreendido todos os dias. Esta data fixa é a forma de lembrarmos o quanto devemos ser gratos pela dedicação que um pai tem para com o filho. A data é anual mas precisa ser lembrada todos os dias.

Pai que cuida, pai que ama, pai que cria. Um pai é a primeira referência de cuidado que temos em nossa vida, e nada mais justo que cuidar com todo amor desse homem responsável pela sua vinda ao mundo. Que neste dia dos pais, você faça do cuidado recíproco, uma forma de amá-lo e cuidá-lo eternamente.

Um feliz dia dos pais. Uma homenagem do jornal Gazeta Informativa.

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