Máquina do Tempo

A história do amor pela matemática e pela educação

Dona Titina no local onde seria construída a Vila Olímpica, idealizada por ela. (Foto: acervo Socrates Zimmermann)

Daquelas mulheres inspiradoras, na coluna dessa semana, trago a história de Orizontina Brandão Zimmermmann, a famosa “Dona Titina”. Através da pesquisa do meu colega do Instituto Histórico e Geográfico de nossa cidade, Wagner Silva, tomei contato com a trajetória dessa mulher incrível! Dona Tititna, nasceu no município de Lavras-MG, em 13 de outubro de 1926, seus pais eram Lizandro Brandão e Zilda Brandão. A família era natural do Rio de Janeiro e proprietários do Circo Show América, a atividade circense, passava de geração em geração na sua família. Artistas como, Jerry Adriani, Wanderlei Cardoso, se apresentavam no circo. E foi nele, que dona Titina conheceu seu futuro esposo, Rodolpho Zimmermmann, o eletricista responsável pela estrutura elétrica do circo. O fim das atividades circenses para a família Brandão aconteceu por volta de 1970, devido a um acidente com o irmão de dona Titina. Responsável por tratar os animais do circo, certo dia foi atacado por um leão. O acidente não foi fatal, porém, o pai de dona Titina resolveu vender o circo por conta disso. Nessa época, dona Titina já estava casada e morava em São Mateus do Sul, ela chegou na cidade entre 1948 e 1950, pois residiam aqui, familiares de seu esposo. Aos 26 anos, ainda não era alfabetizada devido ter passado boa parte de sua vida dentro do circo. Contudo, tinha o sonho de ser engenheira agrônoma. Pois tinha muita facilidade e um raciocínio brilhante para cálculos matemáticos. Porém, quando entrevistada pelo quadro “Gente que faz”, do banco Bamerindus e rede Globo, ela conta sua frustração por não achar alguém disposto a lhe alfabetizar- a entrevista pode ser encontrada no youtube. Até encontrar uma freira que lhe passou os primeiros passos para a alfabetização básica.

Para o sustento da família, Dona Titina trabalhou lavando roupas no antigo Hotel São Rafael, cozinhando, arrumando cabelos, fazendo crochê, e foi inspetora de alunos no Colégio Duque de Caxias, onde teve seu primeiro contato com a sala de aula. Um certo dia, o professor de matemática faltou, e dona Titina acabou o substituindo. Daí em diante, a sala de aula fez parte de sua vida e se transformou num projeto. No início, houve uma certa resistência, dona Titina alegava que não queria ser professora, sua ideia ainda estava voltada para agronomia. Porém, após terminar o ensino básico, iniciou uma graduação em matemática, no município de Guarapuava. Por conseguinte, lecionou no ginásio e em várias outras escolas municipais pelo interior do município, participando efetivamente da formação de vários cidadãos são-mateuenses. Um de seus sonhos, era a fundação de uma escola para nosso município, foi assim que através de seu próprio suor e de suas economias, construiu o Colégio Professora Arlete Neves Schramm (CPANS), nome em homenagem a uma de suas amigas, também professora. O CPANS, é um dos, senão o, colégio privado mais antigo de nosso município.

Ela não parou por aí, Dona Titina tentou deixar para São Mateus do Sul, outros legados, como uma Vila Olímpica, onde seria construído um complexo esportivo para o município sediar competições, e principalmente, voltado para os mais pobres terem um local para praticar esportes. Ela construiu um heliponto sem orientação técnica nenhuma, apenas observando imagens, após a Aeronáutica vistoriar a construção, deferiu a liberação para uso, pois o heliponto estava dentro de todas as normas técnicas exigidas. Também cultivava espécies de flores e plantas, a fim de ornamentar a Vila. Infelizmente, tal projeto não teve continuidade devido a problemas de saúde que a acometeram na época. A brilhante Dona Titina faleceu em 2009. Ela guardava todos os convites de formatura de seus ex-alunos numa caixa, e dizia que isso, era a maior recompensa por todo seu trabalho! Hoje fico por aqui, e até a próxima viagem pessoal!

Fonte: Wagner da Silva Graduado em Geografia pela Universidade Estadual do Paraná e Mestrado em Geografia pela Universidade Estadual de Ponta Grossa.

Acadêmica de bacharelado e licenciatura em História pela UFPR (2015), membro do Instituto Histórico e Geográfico de São Mateus do Sul (2016), e atua como monitora no Museu Egípcio e Rosacruz de Curitiba (2016). Mesmo sendo sua área de pesquisa a História Antiga, é apaixonada pela História Regional.

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