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A história do Colégio Estadual do Campo Duque de Caxias que comemora 50 anos em 2018

Na foto, o atual diretor Anderson Alves e a primeira diretora do Colégio Estadual do Campo Duque de Caxias, Sebastiana Cordeiro da Silva Dubiel. (Fotos: Cláudia Burdzinski/Gazeta Informativa e Colégio/Acervo Pessoal)

De acordo com estimativas, da pré-escola à faculdade, as pessoas costumam passar em média 16 anos em um ambiente escolar, baseando uma relação de 1.000 horas de aula por ano. Todo esse modelo redigido em horários e normalizações de estudo é bastante atual se formos analisar todo processo histórico na evolução do ensino.

Para acompanharmos este desenvolvimento nas escolas espalhadas por todo mundo, as dificuldades, e a luta de pessoas pelo trabalho na educação são traçadas em sua história, trazendo como ponto principal as dificuldades enfrentadas por quem um dia batalhou para a transformação educacional com viés social.

E foi dessa maneira que a trajetória do Colégio Estadual do Campo Duque de Caxias no município de Antonio Olinto começou a ser escrita, com a luta e batalha de mulheres, professores e alunos que dedicaram e ainda destinam toda sua vida para transformar o colégio em referência de qualidade na região.

Tendo sua obra autorizada pelo governador Paulo Pimentel a pedido do deputado Leopoldo Jacomel e da inspetora Leoni Mayer Garcia, o grupo escolar teve como objetivo durante sua elaboração trabalhar para o desenvolvimento educacional do município.

Logo após a construção do antigo Grupo Escolar Duque de Caxias (primeiro nome da instituição) em 1966, a parte estrutural ficou fechada dois anos por problemas de contrato dos responsáveis pela obra, vindos diretamente de Curitiba. “Na época eles construíram um prédio com três salas e um banheiro como redigia o contrato, mas depois disso o prefeito exigiu a construção de mais estruturas como calçadas, muros e a plantação de grama, e pela falta de pagamento dos pedreiros, eles bloquearam a obra”, conta a primeira diretora do grupo escolar, Sebastiana Cordeiro da Silva Dubiel.

Sebastiana ou Dona Neca como é popularmente conhecida, lembra que para a liberação da obra, prefeito e pessoas da comunidade foram até a casa dos pedreiros na capital paranaense para negociar a entrega das chaves da instituição, e após uma longa negociação, eles aceitaram a devolução.

Dessa maneira a obra foi inaugurada no dia 3 de outubro de 1968 pelas professoras Sebastiana Cordeiro da Silva Dubiel, Joana Wanda Kogelinski e Zélia Blaskevicz Dubiel, em companhia dos alunos da antiga Casa Escolar do município onde estavam acontecendo as aulas até o momento da liberação da obra. O estabelecimento educacional ofertava apenas o ensino de primeira à quarta série para os 40 alunos que ali foram matriculados primeiramente.

Primeiro prédio construído do Colégio.

Buscando aprimorar o ensino e focando no conhecimento dos alunos que chegavam de diversas comunidades do interior do município para estudar, no dia 31 de março de 1981 o Grupo Escolar começou a trabalhar com ensino de 5ª série com 60 alunos matriculados. Havendo a necessidade de ensino de segundo grau pelo aumento na demanda de alunos, foi implantado em 1993 o curso de Educação Geral, mudando o nome da instituição para “Colégio Estadual Duque de Caxias 1º e 2º Grau”.

Na pretensão de deixar marcado a identificação como estabelecimento que atende 80% da população do campo, através da resolução nº 1359/13, foi alterada a nomenclatura passando a nominar-se “Colégio Estadual do Campo Duque de Caxias – Ensino Fundamental e Médio”.

O colégio do ontem que colaborou para a construção do colégio de hoje

É claro que comparado com a facilidade tecnológica da atualidade, as formas arcaicas de ensino que eram usadas desde sua inauguração não se repetem mais. O Colégio passou por grande processo evolutivo em diversas questões, o que antes era realizado à mão, hoje é transformado através das inúmeras possibilidades técnicas em computadores.

E é isso que a Dona Neca de 76 anos contou para a equipe da Gazeta Informativa. Sendo uma das responsáveis pelo crescimento do Colégio, ela relembra como tudo era mais difícil há 50 anos atrás. Nascida em família humilde, ela e os irmãos enfrentavam dia a dia 5 km de estrada de chão para irem até a escola rural na comunidade de Aliança Nova. “Estudei a terceira série no interior, e depois eu e minha família fomos embora para Canoinhas, e lá terminei os meus estudos e me formei em magistério”, conta.

Após sua formação, Sebastiana passou a lecionar nas escolas das comunidades no interior de Antonio Olinto. Sendo a única mulher com formação de magistério, foi designada para ser a primeira diretora da tão esperada escola que estava sendo construída e ficou 15 anos à frente da administração. “Lembro que toda documentação, desde a matrícula até as provas e boletins elaborados pelos professores eram feitos à mão e precisavam ser levados até a Lapa, pois lá eles trabalhavam com prazos e estatísticas, e era obrigatório toda escola passar por processos como este”, lembra.

Sebastina relembra que muitas vezes fazia o caminho esperando o ônibus na BR cheia de documentação do Colégio, mas garante que não se arrepende de nada. “A estrada não era asfaltada, as vezes o carro que a prefeitura disponibilizava para me levar até a BR pela Campina encalhava e eu seguia a pé com chuva esperar o ônibus. Era difícil, mas depois foi melhorando”, diz.

Muitas vezes a escola é o primeiro contato que as crianças têm com a comunicação e convivência com as outras pessoas, e o aprendizado não é focado apenas em provas e trabalhos escolares.

Adriano Dubiel, filho de Sebastiana conviveu grande parte de sua infância nas dependências do colégio, e lembra que foi ali que ele aprendeu não só as disciplinas escolares, mas também como lidar com momentos simples do cotidiano. “Além do conteúdo aplicado pelos professores, muitas crianças passaram a conhecer o primeiro filtro de água dentro de uma escola porque naquele tempo era difícil encontrar objetos como este, e em cada sala de aula tinha um”, diz.

Antiga cozinha.

Dubiel também recorda que havia uma inspetoria higiênica em cada aluno, como a verificação se as crianças portavam bicho de pé ou piolhos. “Os alunos iam tomar banho e aprender escovar os dentes antes de começarem a estudar”.

Hoje buscando trabalhar os diversos aspectos sociais e educacionais, o Colégio Estadual do Campo Duque de Caxias busca ensinar para os mais de 600 alunos matriculados atualmente, a realidade vivida por eles no campo. “Vivemos em um município agrícola onde o Colégio atende as comunidades do interior, então temos um papel muito importante nestes conteúdos para a vida de nossos alunos”, defende Anderson Alves, atual diretor da instituição.

“Uma característica que marcou muito a escola durante estes anos de história é que além de sermos um lugar de socialização, também somos relacionados à um ambiente escolar muito humano. Eu como atual diretor busco associar a afetividade nas dependências da instituição, e os alunos acabam sentindo que a escola também é deles e que as opiniões serão escutadas. Isso é bastante visível no número de professores de outros municípios que escolhem o Colégio Estadual do Campo Duque de Caxias para lecionar”, garante Anderson.

Muitas programações estão sendo planejadas para estes 50 anos de história, e de acordo com Anderson, serão realizadas no decorrer dos quatro bimestres letivos. Buscando sempre o apoio de professores, alunos e pessoas da comunidade de maneira geral, hoje o Colégio possui uma estrutura que porta todas as necessidades, e tem como objetivos futuros melhorar cada vez mais suas instalações.

Faixada atual do Colégio Estadual do Campo Duque de Caxias.

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