Perfil

A história do contista em terra de gigantes

Adnelson Campos mora em São Mateus do Sul e é um escritor de grande renome no mundo dos contos. (Fotos: Cláudia Burdzinski/Gazeta Informativa)

Nascido em 25 de julho de 1963, em São Paulo capital, Adnelson Borges de Campos é uma pessoa que traz consigo uma bagagem repleta de histórias, tanto de sua vida pessoal quanto dos contos criados, e que a partir da edição de perfil dessa semana você passará a conhecer e compreender um trabalho de grande representatividade para a cultura de um país, de uma cidade e de uma família.

Para entendermos toda essa força de vontade e inspiração transmitida por Adnelson, em palavras selecionadas para propagar ideias em seus contos, nada melhor do que conhecer o passado e tudo aquilo de importante na vida do escritor, motivo fundamental na construção da formação cidadã do irmão mais velho da família Campos.

Morando até os 7 anos na capital paulista, Adnelson, seus pais e os quatro irmãos mais novos mudaram-se para União da Vitória em busca da vida mais tranquila em uma cidade menor. Começando a trabalhar desde muito jovem para ajudar no sustento da família, aos 10 anos, Adnelson vendia frutas e verduras pelas vilas e ruas da cidade do Vale do Iguaçu. “Lembro que batia de porta em porta para oferecer os hortifrútis. Foi uma fase difícil, mas que me ajudou em um bocado de coisa”, diz.

Logo após esse primeiro emprego, o jovem vendedor de frutas teve sua primeira oportunidade para trabalhar diretamente com a escrita, sendo contratado como menor aprendiz de chapista em uma empresa de tipografia, trabalho este, que foi ofertado por uma antiga freguesa de suas vendas. “Foi ali que começou a minha inspiração para poder escrever um pouco”, conta.

Adnelson lembra que o emprego na gráfica de tipografia o ajudou na parte de ideias para a elaboração de conteúdos exigidos pelos clientes que procuravam o estabelecimento atrás da inovação em cartões de visitas, convites e demais materiais fabricados.

Trabalhando até os 21 anos na gráfica, Adnelson conciliou nesse mesmo período uma graduação em administração, que após sua formação na área, disponibilizou inúmeras oportunidades de emprego em diversas cidades pelo Brasil para o jovem recém-formado.

Chegando para trabalhar em 1986 na Unidade de Negócios da Industrialização do Xisto (SIX) em São Mateus do Sul, o administrador permaneceu em um certo período morando no município, e em 2005, decidiu voltar e firmar residência. “Resolvi ficar aqui pelo fato de ter passado minha infância em uma cidade tranquila, e quis oportunizar isso também na vida dos meus filhos”, garante.

Casado há 27 anos com Denise, Adnelson é pai de Lucas, Vinícius e Helena, e foram eles os responsáveis em trazer ao escritor uma de suas maiores paixões: criar contos. Toda essa motivação aconteceu quando o pai deitado no meio das camas dos dois filhos mais velhos contava histórias antes das crianças adormecerem. “Tenho um pecado que foi de ler pouco durante a minha vida, e eu não queria repassar isso para meus filhos”, e de mãos dadas, Adnelson acompanhava a atenção dos filhos durante as histórias contadas.

Apesar da leitura de livros e contos infantis, os filhos do contador começaram a instigar a lembrança do pai, e trouxeram à tona a curiosidade em conhecer as histórias vividas por ele, e foi a partir desse momento que o contista resolveu colocar no papel as suas próprias histórias de vida. “Comecei a escrever na brincadeira e acabei gostando das histórias e tudo isso me despertou a possibilidade de estar criando meus próprios contos. Me arrependo de não ter começado a escrever ficção antes”, admite.

E foi dessa maneira que a escrita se fixou na vida de Campos, e consequentemente o levou para o atual cenário de contista e ao reconhecimento à nível nacional e internacional com a publicação de seus contos em mais de 30 livros. Instigado sobre a preferência de temas em suas histórias, Adnelson se considera bastante diversificado e garante, “não gosto de ser especialista em alguma coisa, mas sim de experimentar. Hoje eu quero conhecer e contar um pouco de tudo”.

Alguns dos livros que os contos de Adnelson Campos foram publicados.

Escrevendo contos sobre diversos assuntos, o contista abre portas para aguçar a prática literária para pessoas de diversas personalidades e estilos diferentes. Autor do livro “Histórias que as estrelas contam”, Campos traz em palavras a ideia de incentivo à observação do céu e a interação com a vida e aos pequenos detalhes que são encontrados mundo à fora.

Adnelson acredita que a leitura fortalece o censo crítico das pessoas, e reforça que a prática literária é de fundamental importância na educação. “Penso que criamos uma relação diferente quando temos algo no papel, há um envolvimento maior. Aprendemos lendo opiniões diferentes e formamos o nosso próprio ponto de vista”, diz.

Sendo um homem de estatura baixa, Adnelson brinca e relembra uma pergunta que ouviu de um professor quando criança e que será destaque em uma de suas obras, “você é o maior anão ou é o menor gigante?”, e como um inspirado escritor, a frase ganhará história própria nas entrelinhas do contista.

Considerando-se um sonhador nato, o autor admite que sempre está com planos e perspectivas novas para histórias e projetos de vida, e encerra a entrevista afirmando que a evolução do mundo necessita de respeito mútuo. “A história que a gente lê depende de quem conta. Sempre digo que aprendemos vivendo e penso que hoje estamos vivendo em um mundo de agressão, intolerância e divisão. Creio que o respeito não necessita de rotulação, e é disso que precisamos”.

Para conhecer mais sobre a vida desse autor de renome nas histórias de contos, é só acessar o site www.adnelsoncampos.com.br e conferir de perto as obras publicadas pelo escritor.

Estudante de Jornalismo que adora escrever e conhecer um pouco sobre a vida e a história de cada pessoa envolvida. Preza pela essência que é repassada na produção de cada matéria, valoriza os pequenos gestos e apoia o ativismo ambiental. E-mail para contato: claudia@gazetainformativa.com.br

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