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A história dos rótulos de Erva-Mate

Rótulo de Erva-Mate Primavera. (Imagem Ilustrativa)

Em janeiro deste ano, participei de um curso no Solar do Rosário em Curitiba, sobre a o Ciclo de Ouro da Erva-Mate ministrado pela Profª Letícia Geraldi Ghesti. Nele, tive a oportunidade de aprender um pouco mais sobre a história da erva-mate e o auge de sua produção e exportação aqui no Paraná. Também pude ter contato com a história dos rótulos que eram utilizados para etiquetar as barricas que armazenavam a erva vinda dos engenhos. Sempre tive a curiosidade de saber quem e como eram produzidos, e qual a história por detrás das belíssimas artes, que nas minhas buscas, nunca encontrei autoria. Sempre tive a curiosidade de saber quem e como eram produzidos, e qual a história por detrás das belíssimas artes, que nas minhas buscas, nunca encontrei autoria.

Pois bem, eu não iria encontrar mesmo. Uma vez que, tais rótulos não possuem e nunca possuíram, nem mesmo quando produzidos, o nome do autor. Mas afinal, qual a história desses rótulos? No final do século XIX, a demanda por barricas, uma espécie de barril, para armazenar a erva-mate aumentava cava vez mais as encomendas nas serrarias paranaenses. Contudo, as barricas feitas de madeira, passavam desapercebidas, além de não transmitirem informações mais apuradas a respeito da origem e qualidade do produto que armazenavam. Foi aí que, diante do surgimento das oficinas de litografia no início do século XX, iniciou-se a produção de rótulos específicos para as barricas de erva-mate.

O processo litográfico era bem elaborado e complexo, e a grande maioria desses artistas, porque de fato, era uma arte produzir um rótulo, ficava a cargo dos imigrantes alemães, que faziam questão de manter suas técnicas em sigilo, e para isso, comunicavam-se apenas em alemão dentro das oficinas. Ainda, segundo a Profª Rosemeire Odahara Graça, “como grande parte dos litógrafos eram alemães, eles desenhavam para o rótulo uma indígena ou uma bela mulher, figuras baseadas no que era o ideário do imigrante. A indígena pintada, por exemplo, é uma visão idealizada. Aparecem também desenhos de índios fortes com a ideia de representação de que eles eram grandes porque bebiam mate”. Mesmo sem a assinatura dos artistas, sabe-se que o famoso artista plástico Alfredo Andersen criou a arte de muitos destes rótulos de erva-mate também.

Muitas vezes um único engenho de mate poderia ter vários rótulos diferentes para exportar seu produto para localidades distintas. Por esse motivo, e pela exigência das importadoras, muitos rótulos produzidos no Paraná estão escritos em espanhol. Confira agora alguns dos rótulos de Erva-Mate já produzidos:

Jéssica Kotrik Reis Franco
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