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A História por detrás do ícone de Nossa Senhora de Czestochowa

No ícone, a Virgem aponta a mão direita em direção a Jesus como sendo fonte de salvação, e o menino Jesus estende a mão direita para o espectador em sinal de benção enquanto segura os evangelhos na mão esquerda. (Imagem: Reprodução)

Os ícones, por definição histórica, são pinturas sacras. Pinturas essas que são feitas a partir de uma revelação divina ao autor da obra. Essas revelações representam passagens bíblicas, personagens e mensagens religiosas. Durante uma visita que fiz a uma Igreja Ortodoxa, tive a oportunidade de conhecer uma pintora de ícones e especialista no assunto. Na palestra que ela ministrou, fiquei impressionada com toda a técnica associada ao preparo espiritual que demanda a produção de um ícone. Pois um ícone genuíno, não é somente uma pintura qualquer, ele é, por essência, uma mensagem divina transmitida através da arte. Para se ter uma ideia, o material utilizado para sua produção deve ser, por exemplo, toda de origem natural. Ou seja, as tintas devem ser produzidas de forma artesanal pelo próprio pintor e os pigmentos devem ser atingidos através do preparo da matéria prima bruta, até que se atinja as cores nos tons certos, que também possuem um simbolismo.

A cor azul por exemplo, está ligada à transcendência espiritual. Materiais como ouro, também podem ser utilizados, não para enriquecer o valor da obra de forma material, e sim espiritual. Sendo assim, um ícone só pode ser pintado sobre madeira, nunca numa tela ou qualquer outro tipo de material artificial. Tudo isso porque, para a tradição religiosa, tais materiais devem possuir origem orgânica, vida, e nunca artificial.

A origem histórica dos ícones remonta ao período medieval. Eles originaram-se por volta do século V no Império Bizantino, e surgiram a partir da necessidade de se ensinar o Evangelho àqueles que não tinham acesso à leitura das Escrituras Sagradas. Com a separação do Cristianismo Ortodoxo Grego e Apostólico Romano, em 1054 d.C, a produção dos ícones ficou enraizado à Igreja Ortodoxa, uma vez que, sua sede era em Constantinopla, capital do Império Bizantino. De acordo com a tradição religiosa, o ícone de Nossa Senhora de Czestochowa, em português Nossa Senhora do Monte Claro, é uma réplica perfeita da pintura que São Lucas evangelista fez, após visitar por diversas vezes a Virgem Maria, com o intuito de conhecer a história da vida de Jesus logo após sua morte, ressureição e subida aos céus.

Segundo a tradição, São Lucas pintou Maria na tábua de uma mesa de cedro que ela mesma utilizava em seus afazeres diários e suas orações. Em 326 d.C, Santa Helena foi em busca do ícone em Jerusalém e o trouxe de presente para seu filho, Constantino, Imperador Romano de Bizâncio. Segundo historiadores da arte, a pintura realmente é bizantina, mas data dos séculos VI e IX. Fontes históricas demonstram que o ícone foi levado de Constantinopla para a cidade de Belz por Władysław Opolczyk, duque de Opole, conselheiro de Luís, o Grande, rei da Polônia.

Contudo, em agosto de 1384 d.C, de passagem pela cidade de Czestochowa, conta-se que os cavalos de Władysław recusaram-se a seguir viagem, o que o obrigou a passar a noite ali onde ele recebeu em sonho a mensagem de que deveria deixar a imagem no Mosteiro de Jasna Góra (Monte Claro) na Polônia, local onde o ícone encontra-se até hoje. Tornando-se assim, padroeira da Polônia, ela também é venerada por ucranianos, russos e ortodoxos em geral. Em São Mateus do Sul, no mês de agosto, acontece a festa em louvor a Nossa Senhora de Czestochowa, uma vez que a cidade possui considerável número de imigrantes poloneses. Hoje fico por aqui, e até a próxima viagem pessoal!

Jéssica Kotrik Reis Franco
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