Reflexão com Padre Marcelo S. de Lara

A Identidade da Igreja

Em seu primeiro documento escrito após ser nomeado Papa, Evangelii Gaudium, (A Alegria do Evangelho), onde trata do anúncio do Evangelho no mundo atual, Francisco busca orientar e alertar os cristãos para o novo modo de ser Igreja diante da realidade contemporânea.

A Igreja que Jesus deixou é sempre a mesma, mas mudou durante os anos nos seus métodos de evangelização, se moldando e moldando a cultura de cada época. Hoje, ainda que a Igreja seja a mesma, evidente que as formas dela estar no mundo devem ser outros. Mais para frente traremos aqui um pouco desta reflexão sobre este primeiro documento do papa, que fala da missão da Igreja no Mundo de atual.

Mas, primeiramente, para termos uma melhor clareza do que é a Igreja, quando começou e quais seus fundamentos, trazemos neste artigo alguns elementos baseados em Documentos refletidos e elaborados pela própria Igreja, congregada no Espírito Santo, para transmitir-nos a essência de sua identidade. Ainda que sendo um Mistério, alguns sinais prefigurativos ajudam a se aproximar desta identidade.

O Concílio Vaticano II, que aconteceu de 1962 – 1965, expressa no Documento Lumen Gentium (Luz dos Povos), a identidade da Igreja, quando trata, no capítulo I sobre, O Mistério da Igreja. No § 2/2 da Lumen Gentium, citando São Cipriano, o texto diz que desde o começo do mundo a Igreja foi prefigurada, ou seja, foi representada antes ainda de existir. Depois, foi preparada na Antiga Aliança e na história do Povo de Israel, fundada nos últimos tempos e manifestada pelo efusão do Espírito Santo.

Assim, ainda que a Igreja de Cristo não tenha uma data estipulada de sua fundação, ela se manifestou por meio de sinais, fatos preparatórios para a sua manifestação.

Jesus nunca falou de Sua Igreja, de uma Igreja Dele, mas falou sempre do Reino de Deus. Fazendo a vontade do Pai, Jesus realizou na terra o Reino dos Céus. Sendo assim, o Reino de Deus já está aqui. “O Mistério da Santa Igreja manifesta-se na sua fundação. Pois o Senhor Jesus iniciou sua Igreja pregando a Boa-Nova, isto é, o advento do Reino de Deus prometido nas Escrituras havia séculos […]” (LG § 5/5).

Assim, pelo poder de Deus, a Igreja manifesta, revela o Reino de Deus na História já presente em Mistério, que visivelmente cresce no mundo. A Igreja assim, se dá como um germe dinâmico, o coração, o cerne do Reino, ainda que a realidade do Reino de Deus vá além, pois é maior.

O começo da Igreja são significados pela água e pelo sangue que jorraram do lado aberto de Jesus e prefigurado pelas palavras de Jesus: “E Eu, quando for levantado da terra, atrairei todos a mim” (Jo 12,32).

Por estes sinais é assim revelada a natureza íntima da Igreja que também se apresenta com inúmeras imagens como também nos apresenta a Lumen Gentium: Igreja como Redil onde Cristo é a única porta, Igreja com Lavoura ou Campo de Deus, Igreja Construção de Deus; Igreja Jerusalém Celeste e Igreja Nossa Mãe.

Nestas imagens que associam à figuras reais de nossa realidade, como que por uma analogia, lembramos que esta Igreja Mistério se faz presente e está enraizada também em uma estrutura física, como Instituição, como um Corpo formado de Pessoas que dentro dos diversos Ministérios e Carismas formam a Igreja Terrestre e Peregrina. “Jesus Cristo, Pastor Eterno, fundou a Santa Igreja, enviando os Apóstolos […] E quis que os sucessores dos Apóstolos, isto é, os Bispos, fossem em Sua Igreja Pastores até a consumação dos séculos.” (LG 18/44a). “Os Bispos, pois, com seus auxiliares presbíteros e diáconos, receberam o encargo de servir a comunidade […]” (LG 20/48).

*No próximo artigo traremos a continuidade da Igreja por meio dos Apóstolos à mandato de Jesus.

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