Reflexão com Padre Marcelo S. de Lara

A Igreja e a Comunicação

O objetivo permanente da Igreja é evangelizar. Isto consiste em levar, anunciar, comunicar o Evangelho que é a própria vida e missão de Jesus para as pessoas, para o mundo.

Para isto, a Igreja se utiliza durante a história, de métodos que consigam cada vez mais de modo eficiente despertar no coração da humanidade o encantamento por Jesus, Aquele que nos comunica, nos revela quem é Deus.

Dentre os documentos que a Igreja publicou sobre a comunicação notamos alguns: “Inter Mirifica” (1963); nas últimas décadas lembramos: “Comunicação para a Verdade e a Paz”; “Comunicação e Igreja no Brasil”; “Igreja e Comunicação rumo ao novo milênio: conclusões e compromissos”; e em 2014, o “Diretório de Comunicação da Igreja no Brasil”.

Neste Diretório de Comunicação, composto de dez capítulos, o eixo principal de todo o Documento é o despertar para a análise crítica da Mídia. A Igreja deseja e busca estar conectada aos novos meios de comunicação que vão surgindo, para melhor chegar às pessoas. Porém, ela pensa, reflete, para que o seu conteúdo não seja prejudicado pela prioridade somente aos Meios.

Diante de toda comunicação, de tanta informação postada, compartilhada e noticiada, a Igreja quer pensar também no conteúdo. O que estamos na verdade comunicando? O que queremos comunicar? Que tipo de conteúdo estamos partilhando? Que tipo, que qualidade de informação estamos noticiando e consumindo?

Os Meios de Comunicação são ferramentas valiosas para mais rápido se chegar às pessoas no contexto atual. Contudo, é preciso pensar, provocar as consciências se os conteúdos que estamos tendo contato ajudam a sociedade a viver melhor. As redes sociais revelam também quem somos por aquilo que compartilhamos, que postamos; revela os conteúdos que gostamos de consumir.

Por este motivo, a Igreja caminha junto com a história na sua evolução. E, se não acompanha deveras sua mesma agilidade, talvez por que não deseja mesmo.

Seu objetivo é usar dos meios para propagar conteúdos que possam emancipar as pessoas, que as tornem melhor para o mundo e para elas mesmas nas suas relações, no seu encontro com o Outro que é Deus. A Igreja quer usar os meios e não ser carregada na “onda” da rapidez deles, sem refletir sobre.

O Capítulo 9 do Diretório de Comunicação da Igreja no Brasil, traz como reflexão: Educar para a Comunicação, que dentre várias reflexões, citando o documento “Communio et progressio”, coloca a família no primeiro plano desta Educação. “A primeira educação no campo da comunicação ‘deve acontecer no seio das famílias […]’” (Diretório de Comunicação, 2014, § 222).

Também para esta educação, o Documento alerta que o Meios, como se diz, são meios, para um objetivo maior que é servir ao bem do ser humano. “Contudo, não é suficiente a mera competência profissional; é preciso uma adequada formação humana, pois os meios devem servir ao ser humano […]” (Diretório de Comunicação, 2014, § 231).

Mesmo nesta agitação dos Meios, que nos envolve, os valorizemos sim, mas principalmente, exerçamos a reflexão paciente, para julgarmos o que estamos comunicando aos outros. Estou melhorando a vida das pessoas com a utilização destes meios? Que tipo de conteúdo estou consumindo ou comunicando? Pensemos!

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