Esta Semana

A Ilustração e Eu

Esta semana sem dúvida foi uma semana de intensas emoções políticas. Sem contar as emoções diárias que todos passamos diariamente.

Difícil achar um tema em si para falar dentro de uma movimentação que determinará as mudanças de nossas cidades pelos próximos quatro anos.

Mas além de mudanças políticas, acho que é sempre válido falar e refletir sobre as mudanças internas, aquelas que acontecem dentro de nós. Mudanças e sentimentos que muitas vezes precisam ser externalizadas.

Desde os primórdios da humanidade, sentimos a necessidade de nos expressar. A arte rupestre (pré-histórica) nos mostrou que antes mesmo de formarmos um vocabulário e dominar a linguagem oral, nós desenhávamos!

“Uma ideia na cabeça e um carvão na mão” – Satirizando o eterno Glauber Rocha (cineasta brasileiro), nossos ancestrais eternizaram suas vivências, experiências e místicas nas paredes de suas cavernas, passaram suas mensagens através da história, do tempo.

“Desenhar é como fazer um gesto expressivo, mas com a vantagem da permanência”, já disse Henri Matisse, pintor francês, sábias palavras que foram ditas e pintadas.

Ou seja, desenhar, ilustrar é algo tão intrínseco a nós como falar, cantar, interpretar. Logicamente, ambas as práticas precisam ser treinadas, desenvolvidas.

Na escola desde pequenos somos imergidos no mar da aprendizagem e desenhar é uma prática utilizada com fim pedagógico, para desenvolver a criatividade, coordenação motora e a linguagem visual da criança, porém com o passar dos anos, a mesma escola que utilizou a prática do desenho acaba inibindo e deixando de lado esta forma de expressão para dar lugar a outras formas de ensino, leitura de textos e números.

Desenhar durante uma fase na vida da criança ou adolescente acaba sendo algo meio marginal, quem nunca ficou rabiscando escondido durante uma aula de física? Ou fazendo caricaturas de professores ou desenhos proibidos para chamar a atenção da turma?

E é nesta fase, onde o desenho fica livre de uma prisão didática que a criatividade se faz presente. Estimular o desenho nesta fase, é talvez abrir a porta para um futuro ilustrador, cartunista, pintor!

Eu nunca me vi como ilustradora, nunca me afirmei como desenhista, em comparação com desenhos de outras pessoas próximas como meu primo, ilustrador são-mateuese Welington Lima (a qual sempre admirei), sempre achei meus desenhos garatujas de crianças.

Porém, sempre tive uma relação afetiva imensa com o desenho. Companheiro de horas depressivas, de momentos cômicos, trágicos, me ajudou a quebrar o gelo em algumas situações.

Desenhar sempre me foi algo como cantar, fotografar, ler, escrever. Algo necessário. Em nossa relação de linhas tortas e traços grossos, não sei dizer ao certo se é eu quem dou vida aos desenhos que faço, ou eles que me dão mais vida!

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