Com as raras oportunidades de emprego, muitos jovens têm permanecido mais tempo na universidade. Concluem o curso, fazem especialização e emendam um mestrado. Isto me preocupa. Como exercerão suas profissões sem o mínimo de experiência? Para aqueles que optarem por ensinar, como trabalharão com os novos alunos baseados apenas no conhecimento teórico? Não bastasse isso, nos últimos tempos nos é oferecido, com muita insistência, o ensino à distância como uma das alternativas para o aprendizado. Tínhamos muitos especialistas e mestres de papel, agora mudamos de plataforma: são digitais.

Temos ao alcance de nossos dedos, na grande rede, informações das mais diversas. Basta um click para tê-las diante de nossos olhos. Mas como escrevi em ocasiões anteriores, muitas delas são superficiais ou precisam de orientação para que sejam melhor utilizadas.

É claro que a troca de experiências pode ser feita à distância, por sinal, acredito que no futuro os professores exercerão sua função de forma global, com alunos nos diversos cantos do planeta. Por isso, precisarão de ainda maior capacitação e de preparação para lidar com as alternativas que a tecnologia atual oferece e que apresentará ainda mais inovações num futuro breve.

Por exemplo, um tradutor universal, que já em estágio de desenvolvimentos avançado, eliminaria por completo a barreira da língua e o conhecimento se espalharia com ainda mais facilidade pelo mundo. A sala de aula poderia ocupar a bancada de trabalho do professor e de seus alunos.

Os simuladores são cada vez mais realistas e adaptados para uma geração que frequenta um universo digital, como se fosse uma nova dimensão. Com o aperfeiçoamento da inteligência artificial, máquinas farão boa parte do trabalho em áreas mais delicadas quanto ao resultado, como no caso da medicina. Porém, a vivência, a experimentação, o contato físico, ainda são indispensáveis.

Uma boa base teórica ajuda, cria um diferencial de mercado, mas não é tudo. O tempo passou, mas um dos pensamentos de Albert Einstein permanece atual. Para ele, se aprende com a experiência, o restante é apenas informação. Experimentar é usar o conhecimento que se possui, que é interno ao indivíduo, aplicando-o ao que está fora dele, aos estímulos que recebe do meio. Para experimentar, precisamos usar os cinco sentidos, inclusive o tato. O mundo real inclui pessoas e trabalhar com elas e para elas é o desafio. No mundo real é que surgem os problemas, os desafios e nem sempre a base teórica é suficiente para contorna-los ou superá-los.

Acredito que, para um bom aprendizado, para se conseguir melhores resultados e contribuir para a sociedade, não descartando a formação teórica, é preciso experiência.

Nesta linha, entendo que as melhores escolas, as melhores universidades, são aquelas que conseguem uma maior integração com as empresas, com as organizações.

Empresas e organizações de qualidade são aquelas que aliam as experiências de campo de seus colaboradores com a formação técnica e acadêmica.

Adnelson Borges de Campos
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