Os Caminhos do Desenvolvimento

A importância da saúde para o desenvolvimento local

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Em uma busca rápida sobre o conceito de desenvolvimento econômico encontramos que o mesmo se define pelo processo por onde ocorre uma variação positiva de variáveis quantitativas e qualitativas. Ele é alcançado pelo crescimento econômico, medido pelo aumento da capacidade produtiva de uma economia como, por exemplo, o produto interno bruto, acompanhado de variáveis positivas qualitativas, que são medidas nos aspectos relativos com a qualidade de vida, como educação, infraestrutura e saúde, além de mudanças da estrutura socioeconômica de uma região, medidas por indicadores sociais como o índice de desenvolvimento humano. Ou seja, o crescimento econômico faz parte do desenvolvimento de uma região ou país, mas não será suficiente ou coerente para o bem estar daquela população caso não ocorra em paralelo melhorias na sua qualidade de vida.

A saúde, por assim dizer, é de longe uma das variáveis mais importantes quando falamos em qualidade de vida, sendo a primeira a ser percebida pelas pessoas quando as coisas não vão bem. Interessante salientar também, que o setor da saúde de um município também é levado em conta quando empresas de fora pesquisam locais para fixar suas empresas. A infraestrutura local da saúde faz parte de uma rede de apoio analisada pelos gestores, muito considerada pelo setor de Relações Humanas das empresas, e que também contempla hotéis, escolas e áreas de lazer, por exemplo. A saúde parece ser uma via de duas mãos ao desenvolvimento local, pois ela é uma variável analisada antes mesmo do processo acontecer, mas também deve ter seus índices ampliados após, para que a cidade possa ser considerada desenvolvida economicamente, através do favorecimento da rede pública como da rede privada.

Uma pesquisa de Informações Básicas Municipais – Munic – do IBGE, realizada entre 2014 e 2015, mostra que em 53% das cidades brasileiras os pacientes da atenção básica precisam fazer exames em outros municípios, por falta de infraestrutura nas unidades dos lugares onde moram. Nos municípios de até 100.000 habitantes a prática é mais comum, o que não é nenhuma novidade para nós são-mateuenses. Para Michel Ulbrich, ex-presidente do Hospital e Maternidade Dr. Paulo Fortes e coordenador do Grupo de Estudos de Educação e Saúde do NDE – Núcleo de Desenvolvimento e Empreendedorismo de SMSul – “o setor público deve garantir a livre concorrência no setor privado, nunca competindo com este, pois quando a saúde pública gera competição com o setor privado, encarece os serviços. O Hospital é uma estrutura importantíssima em uma cidade, mas tem que estar adaptada a realidade do município. Os profissionais procuram locais onde possam desempenhar suas funções com segurança e com melhor remuneração e a existência de baixo número de profissionais também é uma das causas dos altos custos na saúde. Buscar atender as demandas e baixar o custo na saúde não é algo a ser feito no curto prazo, mas um mercado menos concentrado no setor público e com maior número de profissionais é o caminho para a melhoria da estrutura em saúde”, comenta.

Sob este prisma, o planejamento do setor deve contemplar a saúde como um todo, vislumbrando as trocas de valor possíveis entre os setores da saúde pública e da privada, promovendo a saúde local para um crescimento econômico saudável, sem redundâncias.

Ingrid Ulbrich
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