A área profissional é pouco conhecida, porém é muito importante para entendermos o funcionamento da Terra. Francieli Franco do Prado realizando o teste de percolação, usado para saber o potencial de infiltração de água no solo. (Foto: Acervo Pessoal)

Você já se interessou em estudar e entender como funciona a formação do planeta Terra através das rochas que compõe o solo, e com todo esse estudo poder colaborar para que o proveito desses recursos sejam utilizados à favor do desenvolvimento sustentável? Pois são esses os princípios do profissional geólogo, que estuda a estruturação da Terra e a relação do homem com as formações rochosas, apresentando levantamentos e estudos técnicos na área.

Na edição 195, em que apresentamos uma matéria especial sobre a barragem da Unidade de Industrialização do Xisto (SIX), entrevistamos a geóloga Francieli Franco do Prado, que explicou como funciona a formação do solo são-mateuense. Em época onde o assunto é a preocupação com a fiscalização das barragens, traremos em nossa linha especial de reportagem uma matéria especial sobre a profissão de geólogo e a importância de seus estudos para evitar impactos capazes de devastar uma determinada região.

Se fosse para seguir a influência da família, Francieli estaria atuando como bancária nos dias de hoje. Com 16 anos a jovem passou em um concurso do Banco do Brasil, mas pela menoridade, não pode atuar na área. Seu primeiro vestibular prestado foi para economia. Sem ser aprovada no curso, seu segundo vestibular foi para agronomia. Por problemas pessoais, naquele ano ela acabou optando pelo segundo curso, e a partir daí a geologia foi seu encontro pelo amor profissional. “A presença da SIX aqui em São Mateus do Sul influenciou um pouco a minha escolha, mas nunca tive contato com geólogos, apenas lia muito sobre a profissão”, relembra.

A são-mateuense conta que o geólogo estuda a formação dos planetas e todos os fenômenos que ocorrem dentro dele, como terremotos, vulcões, formação de desertos, mares, montanhas e todos os climas e paisagens que existem. “Estudamos sobre todas as reservas minerais, como petróleo, gás, pedras preciosas e não preciosas. Estudamos também paleontologia (fósseis) e podemos trabalhar com arqueologia”, enfatiza.

A geologia é uma área profissional pouco conhecida, e o único local que oferece o curso no estado é a Universidade Federal do Paraná (UFPR), local onde Francieli estudou. “Na UFPR entram 33 alunos por ano. Há muitas desistências, e nos formamos em apenas sete pessoas. Isso mostra como são poucos profissionais na área”, diz. A geóloga explica que ao todo são 5 anos de curso, com períodos de aulas intercaladas entre manhã, tarde e noite. As matérias focam principalmente na área química e física. “Mais da metade do curso são aulas práticas, fizemos muitas viagens à campo. Conheci o Paraná todo, Santa Catarina e o estado de São Paulo durante as viagens com o curso, todas pagas pela própria universidade. E é durante essas viagens que além do conhecimento prático, trazemos na bagagem muitas histórias pra contar, inclusive alguns perrengues que passamos”, relembra.

O conhecimento prático durante os estudos também são intensificados em laboratórios, como em química, petrografia – estudo das rochas – e topografia. “Hoje o geólogo tem um leque de opções para trabalhar, como em áreas para mineração e todo o licenciamento, estudo de solo para construção civil (fundação), definição de áreas para novos loteamentos, estudo de área e licença para postos de combustíveis e estudos ambientais de todos os tipos. Alguns colegas trabalham diretamente em minas subterrâneas, outros com águas ou em laboratórios de análises de amostras”, informa Francieli, que atualmente trabalha com licenciamento de áreas de areia, argila e pedreiras, além de laudos de estudo do solo que compõem alguns tipos de licenciamento ambiental. “Faço estudos que o IAP e a Agência Nacional de Mineração exigem. Tenho atuado em várias cidades do Paraná e Santa Catarina.”

Uma das principais características do profissional, de acordo com a geóloga, é a curiosidade. “Somos estudiosos, não só da Terra mas de outros planetas e estrelas. Somos amantes da natureza e o sonho de desbravar o mundo é constante! Tanto em terra como em mar, então estar disponível para viagens é importante”, aconselha. Optar por conhecer as diversas áreas durante o estágio também é uma excelente dica repassada pela geóloga. “Deixo aqui um recado de persistência, pois geologia é um curso muito difícil. Não tenha vergonha de ir atrás de todas as dúvidas e sugue todas as informações possíveis. Olhe, analise, pense… Ou como diria um professor, aprenda a ver! As vezes a resposta está em nossa frente, só basta sabermos ver!”, encerra.

Estudante de Jornalismo que adora escrever e conhecer um pouco sobre a vida e a história de cada pessoa envolvida. Preza pela essência que é repassada na produção de cada matéria, valoriza os pequenos gestos e apoia o ativismo ambiental. E-mail para contato: claudia@gazetainformativa.com.br

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