(Imagem Ilustrativa)

“Não espere até ser privado da informação para defendê-la”. Esse alerta está no site Repórteres Sem Fronteiras, que divulgou recentemente seu Ranking Mundial de Liberdade de Imprensa 2021. Segundo a ONG, o Brasil caiu quatro posições em relação ao estudo do ano passado, ficando em 111º lugar num total de 180 países. Parece que nos tornamos mais hostis ao trabalho de jornalistas, blogueiros e locutores de rádio quando estes falam a verdade, na maioria das vezes, relacionada à corrupção, políticas públicas ou crime organizado. Muitos pagam com a própria vida o preço de realizar seu trabalho, que é, nada mais, nada menos, o de informar a população.

Na análise do estudo, muitos são os motivos apontados para a nossa queda, mas aquele que seria o mais obscuro deles, não está lá. Me refiro ao caso do jornalista Oswaldo Eustáquio, preso por ordem e vontade do Ministro Alexandre de Moraes, em dezembro de 2020. A história não é noticiada pela mídia, segue como um assunto censurado e está provando ser um caso de prisão política. Enquanto alguns da imprensa tem medo de apontar um inquérito ilegal do STF e vir a sofrer a mesma retaliação, outros compactuam com essas ações inconstitucionais que são direcionadas a apoiadores do atual governo, através do silêncio. Sendo palavras do próprio Moraes, o motivo da prisão do jornalista, foi porque ele instigou uma parcela da população a um “extremismo do discurso de polarização e antagonismo ao Congresso e ao STF”.

Ou seja, mesmo em nações democráticas, a censura aos profissionais da comunicação pode ocorrer de diversas maneiras, algumas mais veladas e outras nem tanto. Porém, como apontei anteriormente, parte da imprensa também contribui para esconder a informação, manipulando-a ou simplesmente fazendo de conta que ela não existe. Não raro, parece dar as costas ao seu próprio público ao acreditar que as pessoas não enxergam o que ela faz. Um bom exemplo disso, foram as manifestações ocorridas no Dia do Trabalho com pautas importantes ao nosso país, como o voto impresso, e que tiveram forte participação popular. O silêncio por parte de algumas emissoras de TV em noticiar o fato foi ensurdecedor, provando mais uma vez, a sua parcialidade política. E a prova de que, “o tiro está saindo pela culatra”, é a queda de confiança na imprensa por parte da população. Em 2020, uma pesquisa do PoderData mostrou que 61% dos entrevistados tem algum nível de desconfiança na imprensa brasileira, considerando que as notícias divulgadas são “mais ou menos confiáveis”.

Como vemos, a informação verdadeira é parte essencial de uma democracia e, é por isso, que a Liberdade de Imprensa recebeu uma data para chamar de sua: é celebrada no dia 3 de maio. E coroando o assunto, cito algumas linhas de Rui Barbosa, tão certeiras e exatas que não haveria como não transcrevê-las aqui. “A imprensa é a vista da nação. Por ela é que a Nação acompanha o que lhe passa ao perto e ao longe, enxerga o que lhe malfazem, devassa o que lhe ocultam e tramam, colhe o que lhe sonegam, ou roubam, percebe onde lhe alvejam, ou nodoam, mede o que lhe cerceiam, ou destroem, vela pelo que lhe interessa, e se acautela do que a ameaça. (…) Um país de imprensa degenerada ou degenerescente é, portanto, um país cego e um país miasmado, um país de idéias falsas e sentimentos pervertidos, um país que, explorado na sua consciência, não poderá lutar com os vícios, que lhe exploram as instituições”.

Que as efemérides da vida nos ajudem a construir dias sempre melhores!

Um cordial abraço!

Ingrid Ulbrich
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