(Imagem Ilustrativa)

Uma cena, que ninguém jamais ousou pensar algum dia, chegou aos nossos olhos. Centenas de pessoas desesperadas em deixar o seu país, correndo na pista de um aeroporto, tentando inutilmente e como se fosse possível, viajar agarrados na parte externa do avião que estava prestes a decolar. Desesperados, sabiam da dimensão do terror que ali havia retornado, no agora tomado Afeganistão pelo grupo extremista Talibã. Como aquele que se joga ao mar sem saber nadar, antes mesmo do barco afundar, muitos afegãos já perderam a vida nesse desespero por salvá-la.

Esse mesmo desespero está fazendo pais e mães entregarem seus filhos para militares estrangeiros que ainda estão na capital Cabul. Um paraquedista do Exército do Reino Unido contou que as mães gritavam “salvem meu bebê!” e jogavam as crianças por cima do arame farpado nos arredores do aeroporto, confessando que à noite não havia nenhum homem entre eles que não chorasse. Para a maioria de nós, habituada a viver em um país livre e que oferece, apesar de todos os seus problemas, as condições para uma vida organizada, assistir a tamanho caos e sofrimento, é surreal. Nem conseguimos dimensionar o tamanho da dor dessa separação forçada de famílias e do medo a que essas pessoas estão sendo submetidas.

Pensar nessas cenas, nos faz perceber o quanto a ordem de um país é importante para planejarmos nossas vidas. Ao mesmo tempo, também repensamos no papel que as famílias têm no desenvolvimento das pessoas. Um lar é onde os pais, ou, na ausência destes os seus responsáveis, tem a liberdade de transmitir os seus valores e crenças a seus filhos. Uma relação que promove a paz na terra, verdadeiramente, se assim fosse em todas as famílias. As necessidades materiais tornam-se secundárias, quando se analisa a importância da educação e do amor na formação do caráter humano. Ou seja, a família é o porto seguro de cada um. Uma segurança que foi roubada das crianças afegãs e, penso ser esta, a maior tragédia daquele povo. Separadas ou perdidas, impedidas de serem criadas de acordo com os valores de suas famílias, ou que a partir de agora, enxergam o medo não apenas nas pessoas ao lado, mas, também estampado no rosto de seus pais. Uma ruptura de sonhos ocorrida da noite para o dia, sem cerimônias, prazos ou acordos.

A infância deveria ser a mais doce das fases a nos fortalecer para toda a vida. Mas, sabemos não ser assim para todos, pois, muitos são os crimes cometidos contra ela ao redor do mundo. No caso afegão, a imposição da lei islâmica, por parte dos rebeldes, que se baseia rigorosamente nas regras do Alcorão, faz sofrer a todos. Como disse o seu comandante “Não haverá democracia, a lei é a sharia e é isso”. Para as meninas a situação, portanto, ainda será pior. Como se fosse algo positivo, o Talibã diz que os direitos das mulheres serão respeitados dentro do código religioso. E quais seriam esses direitos? Provavelmente, não será a continuidade das melhorias que a sociedade afegã conquistou nas condições de vida das mulheres, as quais tiveram acesso à educação e ao trabalho nos últimos anos.

Não houve exemplo maior do que a barbaridade talibã a ser tratado aqui, para nos remeter à responsabilidade que temos de amar e proteger as nossas crianças. A Infância é celebrada no Brasil no dia 24 de agosto. É nela que está o maior bem da humanidade e pelas crianças deveríamos sermos melhores a cada dia. Infelizmente, não é o que ocorre. Diariamente, nos deparamos com notícias de pedofilia, violência, homicídios, exploração, defesa do aborto, ideologia de gênero. Muitas são as atrocidades cometidas contra a sua inocência, seja no Afeganistão ou, tristemente, no nosso Brasil.

Que as efemérides da vida nos ajudem a construir dias sempre melhores.

Ingrid Ulbrich
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