Especial

A irmandade em dose tripla

Motivadas pela união fraternal que as une, as irmãs Chechinatto Cordeiro são exemplo de vida. Neste ano, as trigêmeas completam 15 anos de uma história de vida singular em São Mateus do Sul. Na foto, da esquerda para a direita: Beatriz, Bruna e Barbara. (Fotos: Alexandre Müller/Gazeta Informativa)

Tudo começou em 2002 quando o amor de um casal se fortaleceu com a vinda de mais um filho, ao menos, assim esperavam Pedro Cordeiro Neto, hoje com 46 anos e Rosane Cechinatto Cordeiro com 50 anos de idade.

Vamos conhecer a história das trigêmeas são-mateuenses que são um exemplo de carisma, educação e união. Elas são idênticas e com muito talento, Beatriz Cechinatto Cordeiro, Bruna Cechinatto Cordeiro e Barbara Cechinatto Cordeiro, as “maninhas” como gostam de ser chamadas, completam 15 anos em 2018 e esbanjam felicidade numa trajetória cheia de história.

“Foi tudo emocionante e surpreendente”, destaca a mãe que naquele momento há 15 anos não se sentiu bem e realizou alguns exames, onde foi constatado que estaria grávida. “Normalmente, iniciei o pré-natal e tempo depois fiz um ultrassom que constatou um feto, dei continuidade ao pré-natal e aos quatro meses de gestação a médica que me acompanhou aqui em São Mateus indagou a necessidade de fazer mais um exame pois ela pensou que o bebê estaria muito grande ou ela havia errado nas contas”, relata Rosane emocionada.

Sempre acompanhada da primeira filha, Bianca Cechinatto Cordeiro que tinha seis anos de idade na época, Rosane comenta que ao ir ao consultório médico a pequena lhe acompanhou e foram informadas de que se tratavam de dois bebês, “chorei de emoção, pois quem é que não sonha em ter gêmeos”, e Bianca mais que oportunamente comentou, “mãe não chore, pois uma poderá ajudar limpando lá dentro e outra limpando lá fora”, contam aos risos. No mesmo exame foi descoberto o sexo de um dos bebês, uma menina.

Tempos depois Rosane ainda fez mais um ultrassom, movida pela curiosidade de saber qual seria o sexo dos gêmeos. Novamente acompanhada de Bianca que subiu em uma cadeirinha ao lado da mãe para poder enxergar a pequena tela do ultrassom. As duas estavam atentas às informações que o médico passava a enfermeira como peso, tamanho, etc. quando foram surpreendidas pelo profissional que afirmou ter um problema, pois não se tratava de uma menina e sim três. Rosane conta que aos prantos emocionada pela notícia, não pode ver a tela do equipamento pois estava deitada de costas para o mesmo, posição que revelou a terceira maninha.

Rosane conta que a pequena Bianca após saírem do consultório afirmou que não deixaria a mãe ir mais fazer aquele exame, pois a cada vez que fazia aparecia mais um bebê. O pai afirma que quando recebeu a notícia ficou sem chão e tomado pela emoção que já o contagiava pois sabia que eram dois e a partir daquele momento três. As preocupações com a saúde delas era o principal foco, “é um baque muito grande, não sei como não cai na hora”, comenta e ainda lembra que estava apoiado em sua bicicleta.

Já com sete meses de gestação que foi regada a emoções, a realidade daquela família passou a tomar outros rumos, pois algo novo e totalmente atípico movimentou suas vidas e de seus familiares. A gravidez passou a ser o centro das atenções de todos e quando chegou ao oitavo mês, Rosane que vinha fazendo o acompanhamento em Curitiba devido à alta complexidade do caso, se deslocou para a última consulta e lá mesmo na capital paranaense teve de dar luz às trigêmeas.

Da esquerda para a direita: Bianca, Beatriz, Bruna Barbara e os pais Rosane e Pedro.

Tudo aconteceu muito rápido, a jovem mãe soube das trigêmeas apenas no sétimo mês de gestação e logo no mês seguinte as meninas já deram o ar de sua presença, então o pouco tempo foi desproporcional ao tamanho da necessidade, “não tivemos como montar o enxoval”, mas com a solidariedade, a comunidade são-mateuense pôde colaborar, não sendo necessário a aquisição de nenhuma peça de roupa, pois tudo foi arrecadado e destinado à família Chechinatto através de campanhas realizadas em nosso município e em Curitiba, além da colaboração dos próprios membros da família que tiveram papel crucial na formação das meninas.

“Como eu tinha apenas 6 anos foi bastante difícil assimilar tudo, apesar de nem saber direito o que estava acontecendo. Na medida que elas foram crescendo eu fui crescendo como irmã, é algo que sinto, mas não encontro palavras para explicar. Hoje tenho o maior orgulho delas e sempre que saio com as maninhas as pessoas questionam, são trigêmeas? Encho a boca ao afirmar que sim. Essa história é um livro de reviravoltas”, comenta emocionada a irmã mais velha que desde então é a inspiração para o trio.

Ao longo dos quinze anos foram muitos momentos que ficaram guardados na memória de todos que estavam envolvidos nessa trajetória. “Quando bebês, tínhamos uma rotina que nunca vou esquecer, a cada duas horas tinha uma rodada de mama”, conta Pedro que acordava na madrugada para saciar a fome das pequenas que ecoavam o choro no alto da Vila Prohmann.

Bruna é a mais tímida, Beatriz a mais travessa e Bárbara a mais brava, “ser trigêmeas é bem legal, você não se sente sozinha, desde pequenas sempre estamos unidas, seja em casa ou na escola, sempre estudando juntas”, relatam as meninas que hoje frequentam o 2º ano do curso técnico em Química no Colégio São Mateus e planejam, inspiradas na irmã mais velha, cursar administração.

Fãs de matemática e não tão boas em física, as torcedoras do Flamengo (motivadas pelo pai) lembram que já passaram por muitas situações de constrangimento, principalmente na escola, quando mais novas, eram ironizadas pelos colegas por serem tímidas e sempre adoradas pelas professoras.

Bárbara tem como sonho viajar pelo mundo e conhecer novos lugares; Bruna sonha em conhecer e se comunicar com pessoas diferentes em vários lugares do mundo e Beatriz sonha em conhecer a Disney World e um mundo de fantasias. E para que os sonhos possam ser realizados elas compactuam de um mesmo objetivo que é estudar para poder alcançá-los.

As irmãs compartilham de um propósito, “fazer com que o mundo seja melhor e que as pessoas se preocupem mais com o próximo, isso através da educação”, afirmam as trigêmeas que se imaginam daqui quinze anos, ainda mais unidas e cada uma já com sua família, e concluem que todos devem, “acreditar em seus sonhos assim como nós acreditamos”.

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