Jornal de São Mateus do Sul (PR) e região

A jovem são-mateuense e a prática do Box Braids

Lauriane P. da Silva está alcançando um grande público com os seus cabelos trançados. (Fotos: Cláudia Burdzinski/Gazeta Informativa)

A são-mateuense Lauriane P. da Silva, de 20 anos é sinônimo de atitude e referência por onde passa. Com seus longos cabelos trançados, ela representa em seu modo de ser e agir um espelho para muitas pessoas que possuem a vontade de seguir o mesmo estilo que ela.

A curiosidade em saber como a jovem realiza o cuidado e como faz essas tranças é motivo de dúvidas para muitos. Em conversa com a equipe da Gazeta Informativa, Lauriane contou como trança e mantém o cabelo, e explica um pouco do motivo que aderiu ao Box Braids.

Para quem não conhece, o Box Braids (ou Rastafari) é uma técnica de trançado no cabelo muito usada por pessoas negras e possui uma gama de história cultural do povo. “Além de garantir uma estética bonita, a mensagem de resistência e raízes da cultura afro é um dos principais pontos que me fizeram aderir o cabelo”, comenta Lauriane.

“Sempre gostei de modificar o meu cabelo. Com 18 anos comecei a assistir vídeos de pessoas ensinando a fazer tranças e iniciei a prática tentando em mim mesma. Quando vi que consegui foi aquele impacto”, conta. A primeira “cobaia” para a realização das tranças foi a sua mãe, que gostou e muito do estilo e da técnica que a filha havia aprendido. “Depois que minha mãe fez, as vizinhas começaram a me procurar para que eu trançasse o cabelo delas também”, diz.

Lauriane conta que sempre teve cabelo enrolado, e quando começou a aderir as tranças pela praticidade e estética muitas pessoas começaram a perguntar quem havia feito todo aquele minucioso trabalho.

Uma das referências para Lauriane é a questão musical pela cultura hip-hop. “Foi essa cultura que me mostrou o Box Braids e me fez gostar ainda mais de sua história”, ressalta.

A jovem destaca que as tranças não ajudaram apenas em sua autoestima, mas sim por elas chamarem a atenção das pessoas por uma causa tão nobre. “Hoje eu sei que posso ser exemplo para muita gente. Atos negativos que eu fazia antes, hoje não faço mais. Isso me ajudou também a perder o medo de ser quem sou e de usar as roupas que eu realmente gosto. Eu tinha muita vergonha e me privava muito no meu estilo, hoje percebo que o Box Braids me fez perder esse receio e me sentir mais livre para ser quem sou. O que eu sinto é amor e não algo banal apenas para afirmar a estética”, garante.

Os materiais utilizados para fazer o Box Braids podem ser: fio de seda; fio de lã e cabelo sintético. Os cuidados são bastante simples: a raíz do cabelo é lavada normalmente e as pontas podem ser secas mais rapidamente no secador. O processo para realizar as tranças é bastante demorado, e variam de acordo com o tamanho do cabelo, alguns levam horas, outros mais que um dia para serem finalizados.


“Meu cabelo atualmente passa de um metro. Tenho que admitir que dói dependendo o movimento que faço, mas sigo a linha de pensamento de que se você gosta, a dor não incomoda, é apenas uma questão de adaptação”, diz.

Além de ser referência, Lauriane também faz em outras pessoas o Box Braids, e comenta que há uma grande procura no município e região. Se você se interessou em conhecer mais sobre a prática, procure Lauriane no telefone (42) 98829-3524.

“Meu principal recado é que as pessoas não fiquem se privando e olhando o preconceito. Quero que as pessoas tenham mais segurança de si!”, encerra.

Cláudia Burdzinski

Cláudia Burdzinski

Estudante de Jornalismo que adora escrever e conhecer um pouco sobre a vida e a história de cada pessoa envolvida. Preza pela essência que é repassada na produção de cada matéria, valoriza os pequenos gestos e apoia o ativismo ambiental. E-mail para contato: claudia@gazetainformativa.com.br
Cláudia Burdzinski
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