(Imagem Ilustrativa)

O ano era 2014, mais precisamente dia 17 de março. O governo estava nas mãos de Dilma Roussef. Nos noticiários era apenas mais uma daquelas notícias que nos habituamos a ouvir quase que, diariamente, sobre corrupção e desvios de dinheiro. Naquela manhã de segunda-feira, a Polícia Federal deflagrou uma operação contra lavagem de dinheiro em seis estados brasileiros, dentre eles o nosso Paraná. Descobriu-se que, cerca de 10 bilhões foram movimentados em transações ilícitas numa rede de lavagem de carro em postos de combustíveis. Dali surgiu a operação policial mais famosa e duradoura do Brasil: a Lava Jato, que vem até os dias de hoje lavando um pouco da “sujeira” que une políticos, estatais e empreiteiras.

A operação que iniciou rotineira aos nossos olhos, começou a chamar a atenção a apenas 3 dias após esse início: a prisão temporária do ex-diretor de Refino e Abastecimento da Petrobras Paulo Roberto Costa. Costa, já havia estado em São Mateus do Sul em 2006, na então posse de Elza Kallas, primeira mulher na história da Petrobras a dirigir uma unidade da empresa.

Para nós, que possuímos a SIX no município, parecia que todas aquelas notícias e descobertas das investigações, nos tocavam mais de perto. A mim, ficou escancarado, o quanto o sistema estatal é vulnerável ao ficar em mãos de governos que entram e saem do seu controle a cada quatro anos. Muito mais, quando os governos que mantém as rédeas são do mesmo partido político, no caso, o PT, que permaneceu durante quase quatorze anos no poder. A privatização, já deixou de ser um assunto tabu, e penso que, o que diferencia aqueles que a defendem daqueles que a condenam, é apenas uma: diferentes visões de mundo. A frase, “O Petróleo é nosso!” já deixou de fazer sentido para muitas pessoas, pois soa como uma espécie de doce mentira, visto que jamais estaremos imunes de sermos roubados novamente, enquanto estatal.

O mês de março parece ser um marco para a Lava Jato. Foi também nesse mês, no ano de 2016, que ocorreu a condução coercitiva do ex-presidente Lula para depor em São Paulo. Respondeu à questões sobre as fontes de renda de seu instituto e da sua ligação com o famoso triplex no Guarujá, sendo preso em 2018, pelos crimes de corrupção passiva e lavagem de dinheiro. Entre idas e vindas dessa história, também está sendo nas “águas de março”, agora em 2021, que o Ministro Fachin entendeu, do dia para a noite, que o Tribunal que julgou o processo de Lula está fora da jurisdição daquela corte. Bem, até onde entendo, crime é crime, em todas as cortes do mundo. Mas, vale lembrar que muitas das leis são feitas apenas para proteger seus criadores de nós, meros mortais, já dizia Ayn Rand, escritora e filósofa americana.

A questão que se levanta, após essa novidade do Supremo e que, se for aceita, torna Lula elegível em 2022, é: o crime no Brasil então compensa? Em quase sete anos de história, a Lava Jato devolveu aos cofres públicos cifras na casa dos bilhões e condenou mais de 270 envolvidos. Será que, após esse precedente aberto pelo STF, teremos que no final das contas, ver todos os criminosos soltos e devolver a eles todo o dinheiro recuperado? Esperemos que não.

Que as efemérides da vida nos ajudem a construir dias sempre melhores!

Um cordial abraço!

Ingrid Ulbrich
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